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quinta-feira, 24 de março de 2011

Bolsa: Lisboa ignora Fitch e sobe 1%

A praça nacional ignorou o corte de rating da República portuguesa, em dois níveis, por parte da Fitch, anunciado minutos antes do fecho e já esperado pelos investidores, e encerrou no verde, a acompanhar a tendência das pares da Europa.

O PSI20 fechou a valorizar 1,12%, para os 7.868,07 pontos, com 19 títulos em alta.

Os investidores já tinham descontado o chumbo do PEC 4 e a consequente queda do Governo - que motivou o corte da Fitch - nas sessões passadas. Nas últimas duas sessões, o PSI20 acumulou perdas de 2,5%. Por isso, hoje a bolsa fechou no verde.

A subir mais de 2% ficaram a acções da Mota-Engil, Jerónimo Martins, Sonaecom e Banif. Brisa avançou 2,42%, para os 4,85 euros, e liderou a tabela dos ganhos, a beneficiar de uma recomendação de «compra» por parte do banco de investimento UBS.

Entre as cotadas com maior peso na bolsa está a Portugal Telecom, que subiu 1,59%, e EDP, que avançou 0,88%.

Na banca, BCP valorizou 1,45%, para os 0,62 euros, BPI ganhou 1,08%, para os 1,30 euros, e BES subiu 0,32% com cada acção a valer 3,13 euros.

Já lá por fora, os investidores centraram atenções na cimeira europeia que arrancou hoje e termina amanhã, em Bruxelas. As principais praças fecharam com sinal positivo, lideradas por Frankfurt que fechou a subiu 1,90%.

Um sentimento seguido também em Wall Street, com os índices animados com os dados do mercado de emprego: na semana passada, menos cinco mil norte-americanos pediram subsídio de desemprego. Nasdaq avança 2,02%, Dow Jones ganha 0,65%.

Euro valoriza face ao dólar em dia de cimeira europeia

O euro segue esta quinta-feira a valorizar face ao dólar, no primeiro dia da reunião de líderes da União Europeia, em Bruxelas, e da qual se espera que saia um pacote de medidas de estabilização da economia europeia.

O primeiro-ministro demissionário, José Sócrates, vai esta tarde explicar aos líderes da União Europeia reunidos em Bruxelas os últimos desenvolvimentos políticos em Portugal, nomeadamente o chumbo pela Assembleia da República do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC).

Segundo fontes diplomáticas europeias, a situação política em Portugal deverá pôr algum «sal e pimenta» na reunião dos líderes da União Europeia que, a partir das 17h00 (16h00 de Lisboa) e até sexta-feira, irá dar o aval definitivo ao pacote de medidas para estabilizar a economia europeia.

Também hoje, o Departamento do Comércio norte-americano revelou que as encomendas de bens duradouros nos Estados Unidos diminuíram mais do que o esperado em Fevereiro com uma queda de 0,9 por cento, a terceira [queda] registada nos últimos quatro meses.

De acordo com os dados hoje disponibilizados, as encomendas às fábricas de bens duradouros, destinados a durar pelo menos três anos, diminuíram 0,9 por cento em Fevereiro para 199,99 mil milhões de dólares (141,24 mil milhões de euros).

Estes números contrariam as estimativas dos economistas que previam um aumento médio de 1,5 por cento nas encomendas deste tipo de bens.

Neste momento, o euro está a subir 0,56 por cento, com cada unidade a valer 1,4168 dólares.

Brent pressionado negoceia nos 115 dólares

Portugal é nestes dias o centro de todas as atenções nos mercados internacionais. Os preços do petróleo estão a ser impulsionados esta quinta-feira pela expectativa de que Portugal terá de ser ajudado, na sequência do chumbo do PEC e consequente demissão do Governo.

Segundo disse um analista à Bloomberg, «o crescente consenso de que Portugal será socorrido está a impulsionar os preços, esta manhã, ao mesmo tempo, porém que de mantém ainda o foco na região do Médio Oriente e África do Norte».

Neste momento, o Brent do Mar do Norte, que serve de referência às importações portuguesas está a descer 0,1% para cotar nos 115,44 dólares.

Em Nova Iorque, o crude está a subir 0,4% para 106,17 dólares.

Recorde-se que as reservas de crude subiram pela terceira semana consecutiva nos EUA para um total de 352,8 milhões de barris. Já as reservas de gasolina caíram em 5,32 milhões de barris para o valor mais baixo desde Dezembro e é aqui que os investidores vão buscar ânimo.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Queda iminente do Governo afunda bolsa

Foi um dia para esquecer na bolsa lisboeta. O PSI20 chegou a estar a descer cerca de 2%. No fim da sessão, recuperou um pouco mas, mesmo assim, baixou 0,99% para 7.780,92 pontos, fragilizado pela iminência da queda do Governo.

No dia em que o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) é votado no Parlamento, já com chumbo anunciado pela oposição, o primeiro-ministro será recebido às 19 horas pelo Presidente da República, num encontro onde se espera que o chefe do executivo peça demissão. José Sócrates tem já agendada para as 20 horas uma comunicação ao país.

A iminente queda do Governo ensombrou as negociações, com os investidores preocupados com o impacto da crise política na actividade económica. Assim, 18 das 20 empresas do índice fecharam o dia em queda.

Bancos arrasados

Os bancos estiveram entre as maiores quedas: o BPI caiu 3,01% para 1,29 euros, o BCP deslizou 2,37% para 62 cêntimos, o Banif desceu 2,33% para 84 cêntimos e o BES recuou 0,54% para 3,13 euros, num dia em que as taxas de juro da dívida pública atingiram um novo máximo. A taxa das obrigações a 10 anos segue nos 7,82% (depois de ter tocado nos 7,86%), mas a taxa das obrigações do Tesouro a 5 anos ultrapassou largamente os 8%. Tocou o máximo de 8,285% e segue agora nos 8,224%.

No vermelho fecharam ainda as acções da indústria. A Sonae Indústria liderou, ao recuar 3,04% para 1,57 euros, mas a Altri também caiu 2,2% para 1,60 euros, e a Portucel baixou 2,27% para 2,46 euros.

Nas empresas ligadas à construção o cenário foi igualmente desolador: a Mota-Engil perdeu 2,03% para 1,84 euros e a Brisa 1% para 4,74 euros. Com quedas mais ligeiras, a Semapa desceu 0,35% e a Cimpor 0,06%.

Comunicações: preços alvo sobem, acções descem

Nas comunicações, a PT recuou 0,83% para 8,17 euros, apesar de a Bernstein ter subido o preço alvo das suas acções de 7,60 para 8,40 euros, e a Zon 1,45% para 3,55 euros. Apenas a Sonaecom fechou estável nos 1,43 euros por acção, no dia em que o BPI aumentou o preço-alvo das suas acções de 1,90 para 2,15 euros.

Na energia, a Galp não escapou ao pessimismo. Cedeu 1,24% para 15,13 euros, seguida da EDP, em queda de 0,77% para 2,70 euros. Só a EDP Renováveis conseguiu contrariar a corrente e cresceu 1,32% para 4,98 euros.

Nota ainda para o sector do retalho, com a Jerónimo Martins a perder 0,18% e a Sonae a recuar 1,96%.

Lá por fora, as praças europeias até conseguiram fechar no verde. O DAX alemão subiu 0,35%, o FTSE inglês 0,58%, o CAC francês 0,54%, o IBEX espanhol 0,59% e o MIB italiano 0,66%.

Nos EUA, no entanto, o dia está a ser misto: o Dow Jones sobe 0,23% e o Nasdaq cai 0,17%.

PSI20 fecha a cair 0,99% para 7.780,92 pontos

Foi um dia para esquecer na bolsa lisboeta. O PSI20 chegou a estar a descer cerca de 2%. No fim da sessão, recuperou um pouco mas, mesmo assim, baixou 0,99% para 7.780,92 pontos, fragilizado pela iminência da queda do Governo.

No dia em que o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) é votado no Parlamento, já com chumbo anunciado pela oposição, o primeiro-ministro será recebido às 19 horas pelo Presidente da República, num encontro onde se espera que o chefe do executivo peça demissão. José Sócrates tem já agendada para as 20 horas uma comunicação ao país.

A iminente queda do Governo ensombrou as negociações, com os investidores preocupados com o impacto da crise política na actividade económica. Assim, 18 das 20 empresas do índice fecharam o dia em queda.

Os bancos estiveram entre as maiores quedas: o BPI caiu 3%, o BCP 2,37%, o Banif 2,32% e o BES 0,54%, num dia em que as taxas de juro da dívida pública atingiram um novo máximo.

Euribor: taxa a 6 meses em máximos de 2009

As Euribor estão esta quarta-feira a subir, com a taxa a seis meses a ultrapassar os 1,50 por cento e a tocar o valor mais alto desde Maio de 2009.

Segundo o fixing diário da Federação Europeia de Bancos, a Euribor a três meses cresce 0,006 pontos para 1,191 por cento, o valor mais alto desde o final de Junho de 2009.

A taxa a seis meses, o principal indexante do crédito à habitação em Portugal, sobe 0,005 pontos para 1,501 por cento, o valor mais alto desde 08 de Maio de 2009, altura em que a taxa se situou nos 1,507 por cento, segundo dados da agência de informação financeira Bloomberg.

Já a Euribor a 12 meses avança 0,004 pontos para 1,949 por cento, aproximando-se do valor atingido no início de Março.

As taxas Euribor, que são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de bancos está disposto a emprestar dinheiro no mercado interbancário, iniciaram uma tendência de subida desde que o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, admitiu que a instituição pode subir a taxa de referência, em um por cento há 22 meses, já em Abril.

Hospitais devem mais de mil milhões às farmacêuticas

A dívida não vencida dos hospitais à indústria farmacêutica é superior a mil milhões de euros, segundo dados apresentados esta quarta-feira no Parlamento pelo Ministério da Saúde e citados pela Lusa.

O PSD confrontou, na comissão parlamentar de Saúde, a equipa da ministra Ana Jorge com o que diz ser uma dívida acumulada de dois milhões de euros por parte do Serviço Nacional de Saúde.

Em resposta, a ministra disse desconhecer como se calculou este valor e referiu não ter ainda devidamente apurados os dados relativos a 2010. «Temos os dados ainda pouco consistentes. Mas penso que não chega aos dois mil milhões», declarou aos jornalistas no final da comissão.

O secretário de Estado Manuel Pizarro afirmou por seu lado que a dívida a 90 dias aos laboratórios é de cerca de 1.100 milhões de euros. «Dentro dos prazos de pagamento contratualizados temos uma dívida de 1.100 milhões», disse.

Lembrou ainda que as compras de bens e serviços mensais por parte do Serviço Nacional de Saúde são superiores a 350 milhões de euros.

Fitch: testes de stress não serão «cura milagrosa»

A agência de notação financeira Fitch avisou esta quarta-feira que quem espera que os novos testes de stress à banca europeia sejam uma cura milagrosa para todos os males, sairá desiludido.

Num relatório, a Fitch diz que embora esta segunda leva de testes apresente evoluções face à primeira, não será «o remédio para todos os males», porque ainda não são perfeitos.

«O quadro da European Banking Authority (EBA) parece promissor em algumas áreas importantes, tais como os pressupostos económicos e a intenção de aumentar a nota mínima para passar», refere, admitindo que existem, no entanto, «alguns pontos fracos».

«Por exemplo, a nota mínima não foi ainda divulgada e um cenário de reestruturação de dívida soberana não será tido em conta nas carteiras de maturidades dos bancos».

«Os testes não serão uma panaceia para os problemas que enfrentam vários sistemas financeiros europeus», conclui.

Queda iminente do Governo deprime euro

A crise política em Portugal, na véspera de uma cimeira europeia decisiva, está no centro de todas as atenções e está a deprimir as negociações do euro.

O Programa de Estabilidade e Crescimento está a ser esta quarta-feira na Assembleia da República e vai ser votado ainda esta tarde. Os partidos da oposição vão chumbar o documento e tudo aponta para que o Governo se demita a seguir.

O chumbo do PEC empurrará o país para eleilões antecipadas e para um eventual pedido de ajuda financeira. É neste contexto que a moeda única derrapa 0,46% para os 1,4133 dólares.

Também o facto de o mecanismo de ajuda para a Zona Euro não ser decidido até Junho está a provocar algum nervosismo.

Brent corrige de máximos mas negoceia nos 115 dólares

O preço do petróleo continua elevado nos mercados internacionais, mas está a corrigir no mercado de Londres, depois de esta manhã ter alcançado máximos.

«O medo de ninguém saber como é que a crise na Líbia se irá desenvolver nas próximas semanas ou meses está a manter o prémio de risco nos preços do petróleo», referiu um analista do HSH Nordbanl.

O mesmo analista acrescentou: «continuamos a ter um risco ascendente caso se torne real a existência de uma guerra civil na Líbia, a qual não terá uma solução rápida. Ao mesmo tempo continua a existir o medo de uma propagação das tensões aos grandes produtores de petróleo».

Neste momento, o Brent do Mar do norte, que serve de referência ao mercado português está a descer 0,26 por cento para 115,40 dólares.

Em Nova Iorque, o crude está a subir 0,34 por cento, com cada barril a valer 105,33 dólares.

terça-feira, 22 de março de 2011

Quarta geração móvel: leilão lançado em Junho

A Anacom vai lançar em Junho o leilão das frequências que permitem a 4ª geração móvel, também conhecida como LTE, podendo as receitas chegar aos 450 milhões de euros caso todos os lotes sejam licitados.

«Temos condições para lançar o leilão em Junho», anunciou esta terça-feira o administrador da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), Ferrari Careto, num encontro com jornalistas.

A consulta pública sobre o projecto de regulamento do leilão foi lançada a 18 de Março e estará concluída a 2 de Maio. Segue-se depois a avaliação do resultado obtido, a aprovação do regulamento, incorporando os comentários dos interessados e, por fim, a decisão formal do regulador.

O projecto de regulamento do leilão para o Long Term Evolution (LTE), que permitirá velocidades ultra-rápidas de Internet nos dispositivos móveis, inclui oito categorias e 33 lotes com diversas frequências, variando os preços de reserva entre dois e os 55 milhões de euros.

«No pressuposto de que todos os lotes são vendidos o mínimo das receitas obtidas será 450 milhões de euros. Contudo, pode ser ser menos, pois pode haver espectro que não seja vendido», explicou Ferrari Careto, citado pela Lusa.

Depósitos: empresas retiram quase 4 mil milhões num mês

As empresas retiraram dos bancos quase quatro mil milhões de euros em Janeiro deste ano. No final do primeiro mês de 2011, as empresas tinham depositados nos bancos 32.853 milhões, valor que compara com os 36.533 milhões registados no final de 2010.

De acordo com dados do Boletim Estatístico do Banco de Portugal (BdP), apesar de as empresas estarem a «esvaziar» as suas poupanças, o valor aplicado em depósitos continua a ser superior ao registado em Janeiro do ano passado, quando os depósitos das empresas se ficavam pelos 29.598 milhões de euros.

Tendência contrária registam os depósitos de particulares, que cresceram 420 milhões em Janeiro, ascendendo agora a 119.409 milhões. Além da subida mensal, o valor representa também um crescimento homólogo, de 2.351 milhões de euros. Os depósitos dos particulares atingem assim um novo máximo em mais de duas décadas.

Esta subida reflecte a taxa de juro cada vez mais atractiva paga pelos bancos, que procuram atrair activos dos seus clientes numa altura em que o acesso ao financiamento no mercado interbancário é praticamente inexistente e em que os bancos nacionais dependem quase exclusivamente do Banco Central Europeu (BCE) para se financiarem.

Contas feitas e tudo somado (particulares e empresas), os portugueses têm 152.262 milhões de euros aplicados em depósitos bancários.

«Testes de stress» vão causar novas reestruturações

O comissário europeu da Concorrência disse esta terça-feira que espera, este ano, novas reestruturações na banca europeia, após os testes de «stress» e admitiu que a ajuda estatal aos bancos portugueses é dos processos mais difíceis que tem para resolver.

«A reestruturação do sector bancário europeu ainda não terminou», acrescentou o comissário europeu Joaquín Almunia, citado pela agência noticiosa espanhola «Efe», que adiantou ainda que a comissão tem, para decidir, 24 casos de ajudas estatais a entidades financeiras, alguns dos quais, admitiu, são «um desafio».

Na lista dos processos particularmente difíceis está a ajuda irlandesa aos bancos e quatro casos de auxílio estatal a bancos alemães, para além de «alguns poucos» casos em Portugal, Eslovénia, Áustria e Grécia.

Joaquín Almunia disse que a comissão europeia espera «este ano, depois da realização das provas de esforço, receber mais alguns casos» de processos de reestruturação de bancos europeus, nos quais as autoridades comunitárias da concorrência têm de se pronunciar.

Novos testes entre Março e Junho

As provas de esforço, conhecidas como testes de «stress», pretendem avaliar a resistência dos bancos europeus a choques externos e vão realizar-se entre Março e Junho, devendo os resultados ser divulgados até ao final de Junho, escreve a Lusa.

O comissário, que falava numa audiência no Parlamento Europeu, alertou os bancos da União Europeia que receberam ajudas estatais para que evitem adoptar estratégias «agressivas» contra as instituições concorrentes.

«Quando tenhamos provas deste comportamento, agiremos imediatamente para os corrigir», garantiu Almunia.

O responsável, por outro lado, disse que vai na quarta-feira propor a reforma da lei das ajudas estatais aos serviços económicos de interesse geral, para concentrar a supervisão aos serviços de maior dimensão - como os transportes e o correio - e simplificar a as normas para os serviços de menor dimensão.

«Tem pouco interesse dedicar tempo e esforço a seguir um pequeno serviço de natureza local, que em troca recebe um subsídio do município», explicou o comissário, que defendeu a concentração da vigilância nos subsídios implícitos concedidos aos maiores operadores de serviços públicos.

Economista prevê ano «extraordinariamente difícil»

O economista António Nogueira Leite considera que Portugal terá um ano extraordinariamente difícil, independentemente da evolução da crise política, tendo obrigatoriamente de adotar um plano de austeridade que possa ser monitorizado pelas instituições que acompanham a economia portuguesa.

Para Nogueira Leite, o cenário macroeconómico admitido pelo Governo no Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), divulgado na segunda-feira, é ainda «razoavelmente optimista face ao que se espera» para este ano.

O Governo reviu a projecção de crescimento da economia em 2011 no PEC, passando a apontar para uma queda de 0,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), depois de ter inscrito no Orçamento do Estado uma previsão de crescimento de 0,2 por cento.

«Imagino que o cenário seja mais entre um e dois por cento de recessão, de decréscimo real do Produto, do que propriamente este cenário», antecipou António Nogueira Leite em declarações à agência Lusa.

O economista social-democrata frisou que, de qualquer forma, o sentimento é sempre o de «uma economia que se degrada», apresentando condições de evolução mais difíceis e que afectam a generalidade dos agentes económicos.

Segundo Nogueira Leite, o Governo apenas assumiu agora o que já estava implícito no Orçamento do Estado: «Uma projecção das receitas fiscais, com base num cenário recessivo».

Malparado volta a subir: mais 140 milhões em Janeiro

O crédito malparado das famílias voltou a aumentar em Janeiro: mais 140 milhões de euros. Isto depois de ter registado uma queda em Dezembro. Quem mais contribuiu para esta subida foi o volume de cobrança duvidosa no crédito à habitação, indica o Banco de Portugal no seu Boletim Estatístico.

Num só mês o valor do crédito considerado de cobrança duvidosa dos particulares passou de 3.989 milhões de euros, em Dezembro, para 4.129 milhões em Janeiro.

O malparado aumentou mesmo em todos os tipos de créditos, com o maior contributo vindo do crédito à habitação: mais 57 milhões de euros (ou seja, mais 2,95%), para um total de 1.989 milhões de euros.

No crédito para outros fins, a cobrança duvidosa cresceu 51 milhões de euros; ao consumo aumentou 32 milhões de euros.

No total, o crédito concedido aos particulares registou um aumento de 747 milhões num só mês, com maior crescimento verificado no crédito à habitação: foi concedido às famílias mais 895 milhões de euros para a compra de casa, para um total de 114.537 milhões de euros.

Já os restantes créditos concedidos pela banca registaram quedas em Janeiro: menos 61 milhões no caso do crédito ao consumo e menos 87 milhões de euros nos empréstimos para outros fins.

Também no crédito concedido às empresas a situação não está melhor: o malparado cresceu em Janeiro, mais 255 milhões de euros (5,42%), para um total de 4.961 milhões de euros.

Em Janeiro foram emprestados 116.620 milhões de euros às empresas, o que representa uma quebra de 114 milhões de euros face a Dezembro de 2010.

Outra prova da dificuldade das empresas portuguesas está naretirada de quase 4.000 milhões de euros que estavam depositados nos bancos só em Janeiro, revela o mesmo boletim do Banco de Portugal.

Empresas públicas: cortar salários, carros e cartões

A Assembleia da República recomenda ao Governo, numa resolução publicada esta terça-feira em Diário da República, e assinada pelo presidente do Parlamento, Jaime Gama, que reduza os conselhos de administração das empresas públicas a apenas três elementos. Mas vai mais longe: os administradores não devem poder usar cartão de crédito das empresas e a compra de carros deve ter um valor limite: 40 mil euros .

O Parlamento considera apenas justificável alargar a composição dos conselhos de administração das empresas públicas para cinco administradores «quando a empresa desenvolver uma actividade complexa e a nível nacional e ou internacional».

Apenas quando se justificar deve haver um conselho fiscal, cuja composição «nunca deverá exceder os três elementos, incluindo o revisor oficial».

O Parlamento vai mais longe e faz também recomendações no que se refere às remunerações dos administradores: «devem ser definidos níveis de remuneração para os gestores públicos que não podem deixar de ponderar as condições económicas e financeiras do País».

Para o órgão legislativo, a remuneração dos gestores deve ter em conta os interesses de longo prazo da empresa, a avaliação de desempenho dos gestores e desincentivar riscos excessivos.

«Em qualquer das circunstâncias a remuneração de um gestor deve ter limites máximos constante em tabelas remuneratórias próprias a definir», pode ler-se no documento.

Quanto a remuneração variável ou prémios de gestão, só devem ser atribuídos «se a empresa cumpriu regular e escrupulosamente as suas obrigações fiscais», se «reduziu o seu nível de endividamento corrente», «se procedeu ao pagamento regular e atempado aos seus trabalhadores, fornecedores e prestadores de serviços», «se reduziu o nível de despesas não necessárias à realização do seu objecto social e por isso passíveis de tributação autónoma» e se regista «prejuízos por dois anos consecutivos».

«A utilização de cartão de crédito deve ser erradicada» e «quando se verificar, deverá ser justificada a sua utilização e restrito ao pagamento de despesas de conta da empresa adequadamente justificadas».

Quanto à compra de automóveis, «o seu valor de aquisição, por qualquer forma (aquisição, leasing, renting, etc.) não deverá ultrapassar o montante de 40 mil euros».

O Parlamento conclui recomendando a constituição de uma comissão de supervisão do sector empresarial público. Desta comissão deveriam fazer parte um membro indicado pelo Tribunal de Contas, outro indicado pela Direcção-Geral do Tesouro e Finanças e um membro por cada tutela sectorial.

Crise: há mais gente a andar de metro

Efeito do aumento do preço dos combustíveis ou não, certo é que há mais gente a andar de metro em Lisboa. O número de passageiros transportados pelo Metropolitano aumentou 3,72% em Fevereiro, face ao mesmo mês do ano passado.

A empresa adianta, citada pela Lusa, que o ML transportou cerca de 14 milhões e 800 mil passageiros e que a aquisição de passes próprios aumentou 12,54%.

No ano passado, o Metropolitano de Lisboa registou um crescimento de 3,51% no volume de passageiros transportados, atingindo 171 milhões.

A administração da empresa justifica estes resultados com uma uma maior utilização do transporte público em detrimento do transporte individual.

Imprensa internacional já antecipa queda do Governo

O Governo português está por um fio e os jornais estrangeiros estão já esta terça-feira a antecipar a queda do Executivo de José Sócrates. É algo dado quase como certo pelo Financial Times e Wall Street Journal e pelas agências de informação Bloomberg e Reuters.

«Portugal prepara-se para crise política» faz manchete do site do Financial Times. Na página online do jornal inglês lê-se que o país «enfrenta uma crise política iminente que poderá forçar o Governo a demitir-se, provocar eleições antecipadas e fazer com que o resgate financeiro internacional seja inevitável».

Na mesma linha, o Wall Street Journal, na manchete da sua secção de economia, diz que «o futuro do primeiro-ministro português está em jogo esta semana». Tudo por causa do Programa de Estabilidade e Crescimento - o novo pacote de austeridade designado por PEC 4 ¿ que vai esta quarta-feira avotação no Parlamento. «A austeridade pode levar à sua demissão e pressionar o Governo a pedir ajuda financeira à União Europeia e Fundo Monetário Internacional».

A Bloomberg alerta também que «o Governo de Portugal pode entrar em colapso amanhã», depois da votação da austeridade. Um título que tem por base as declarações do JPMorgan.

O Executivo está «com a corda no pescoço» e o momento chave é o da votação do PEC. A Reuters diz que o PSD espera que a liderança detida nas sondagens «se traduza na tomada do poder». O líder laranja, Pedro Passos Coelho, já mostrou que está pronto para ir a eleições. Enquanto isso, o país continua à deriva.

Euro alivia de máximos

O euro seguia esta terça-feira a desvalorizar face ao dólar, com a moeda norte-americana a recuperar do mínimo de quatro meses e meio contra a moeda única atingido na segunda-feira.

O euro vale 1,4209 dólares, abaixo dos 1,4228 dólares a que negociava na véspera.

Porém, algumas horas antes, o euro chegou a ser negociado nos 1,4249 dólares, o patamar mais elevado desde Novembro último.

Os analistas consideram que este recuo do euro face ao dólar, o primeiro depois de três sessões a valorizar, está relacionado com as dúvidas dos investidores sobre a capacidade da Europa chegar a acordo sobre a implementação de um mecanismo permanente de apoio aos países que têm sido pressionados pela crise da dívida soberana.

Bolsa: Lisboa foi palco das maiores quedas no mundo

A bolsa em Lisboa foi das que mais caiu em todo o mundo esta terça-feira, na véspera do PEC4 ser discutido e votado no Parlamento.

O PSI20 perdeu 1,53 por cento para os 7,858.60 pontos e viveu, assim, a pior sessão em um mês. 18 das 20 empresas cotadas encerrarem em terreno negativo. Foram negociadas 60,2 milhões de acções ou 170 milhões de euros.

A condicionar o andamento dos mercados, dizem os analistas, está a possibilidade de o PEC4 ser chumbado amanhã na Assembleia da República e de o Governo pedir, de seguida, demissão.

Na Europa, os índices registam quedas mais ligeiras, entre 0,3% de Paris e 0,52% de Frankfurt, também afectados com a actual situação política em Portugal. Só Madrid contrariou a tendência ao subir uns ligeiros 0,02%.

Por cá, a liderar as quedas esteve a Portugal Telecom. A operadora afundou 3,51% para os 8,24 euros.

Na banca, o BES perdeu 2,57% para os 3,13, o BCP escorregou 2,46% para os 0,63 euros e o BPI tombou 2,42% para 1,33 euros, no dia em que juros da dívida a cinco anos renovaram máximos nos 8,091%. Também o Banif - que se estreou no PSI20 na segunda-feira - desceu 3,37% para os 0,86 euros.

Do lado da energia, a EDP Renováveis cedeu 1,85% para os 4,91 euros e a casa mãe, EDP, desvalorizou 1,16% para os 2,72 euros.

A travar maiores quedas estiveram os títulos da Zon Multimédia e da Galp que subiram 0,16% e 10,5%, respectivamente. No caso da petrolífera reflecte a subida, desta tarde, dos preços do petróleo nos mercados internacionais.

Fitch mantém «rating» mesmo com crise política

A Fitch mantém a classificação atribuída à dívida portuguesa, mesmo com a crise política. A disputa política entre PS e PSD não coloca em risco o rating do país, uma vez que não constitui ameaça imediata ao défice para 2011.

Portugal «já adoptou um orçamento de austeridade para 2011, por isso as disputas políticas não constituem um risco imediato para a meta do défice para este ano», disse à Lusa diretor da unidade de dívida soberana da agência de notação, Douglas Renwick.

«O nosso rating para Portugal já é negativo, reflectindo as nossas preocupações sobre a redução do défice e o acesso ao mercado».

No entanto, «dada a pressão do mercado sobre Portugal, uma consolidação reforçada e reformas legislativas estruturais ajudariam a restaurar a confiança na economia».

Recorde-se que a Moody`s cortou o rating de Portugal no passado dia 15 de Março.

O Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), que reconhece uma recessão da economia em 2011, a subida do desemprego e dos impostos, foi entregue ontem ao Parlamento e vai ser debatido e votado esta quarta-feira.

O PSD já disse que não aceita as medidas apresentadas e que vai chumbar o documento, o que deverá levar à demissão do Governo e consequente convocação de eleições antecipadas.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Mini portáteis e tablets «low cost» a chegar

O iPad 2 chega ao mercado já esta semana, no dia 25 de Março, com o mesmo preço da primeira versão. Com o mercado dos tablets a ferver, há quem queira destronar o domínio do tesouro da Apple. A moda dos «low cost» está a chegar também aos tablets e aos mini portáteis.

A Motorola já veio dizer que o Xoom vai ter uma nova versão só com conexão wifi, algo que não estava previsto inicialmente, segundo o «El Pais». O tablet vai aterrar no mercado norte-americano já no final deste mês com o mesmo preço do iPad 2 na versão 32 gigas.

Mas há quem arrisque mais nesta competição. A Asus poderá lançar em Junho um novo mini portátil com um preço até 250 dólares. O dispositivo foi concebido a pensar em tarefas de escritório e navegação na Internet.

A francesa Carrefour vai ainda mais longe, com um tablet, designado por CT702 que custará apenas 199 euros, com um ecrã de sete polegadas e quatro gigas de memória. Mas sem bluetooth, câmara ou acesso ao mercado de aplicações Android.

Ainda há mais: a Archos vai lançar, através da marca Arnova, três tablets com sistema operativo Android, com ecrãs de sete, oito ou dez polegadas. Tudo entre os 99 e os 199 euros. E com uma loja própria de aplicacões.

A Samsung, por seu turno, está a pensar baixar o preço do seu próximo tablet de 10 polegadas, inicialmente pensado para ser vendido a um preço superior ao de 7 polegadas e 16 GB que custa 589 euros, ainda assim mais cara que a versão similar do iPad.

Crédito à habitação: bancos voltam a subir spreads

Os novos créditos à habitação vão ficar mais caros. Pela segunda vez este ano, a banca volta a subir a margem de lucro, os chamados spreads.

A margem média praticada no mercado pelos cinco maiores bancos portugueses está agora nos 3%.

Contas feitas, um novo empréstimo poderá passar a custar quase mais 5% do que até agora, com a Euribor a seis meses nos 1,352%.

Na Caixa Geral de Depósitos, o spread mínimo está nos 1,7 pontos percentuais e o máximo nos 4,3%.

Mas para os clientes com um perfil de risco mais elevado, a margem mínima não desce abaixo dos 2,1%.

O BPI também mexeu no spread máximo, que está agora nos 4,8%, em linha com os valores praticados pelos cinco maiores bancos.

Mas nem só as margens de lucro da banca aceleram a escalada. As taxas de juro podem também registar um agravamento já no início do próximo mês.

Primark vai abrir mais 2 lojas em Portugal

Serão quatro as lojas da Primark em Portugal a partir do próximo mês de Abril. O gigante de vestuário da Irlanda e Reino Unido irá duplicar o seu número de lojas no país, expandindo a sua oferta a Sintra - Centro Comercial Forum Sintra - e ao Sul do país - no Centro Comercial Aqua Portimão - nos próximos dias 11 e 14 de Abril.

Segundo o comunicado, a Primark dá assim mais um passo no seu projecto de expansão nacional, aumentando para quatro o seu número de lojas. Agora com presença de Norte a Sul do país, a Primark passa a empregar mais 400 pessoas aumentando para 800 o número de colaboradores e passando a operar num espaço comercial superior a 12.500 m2.

O fenómeno será acompanhado pelos vizinhos espanhóis que no mesmo mês de Abril irão inaugurar a sua vigésima loja do país, na Corunha, Centro Comercial Marineda.

Gasolina: Fisco encaixa 56% por cada litro vendido

Por cada litro de gasolina que adquire para abastecer o seu carro, saiba que mais de metade do que paga vai directamente para os cofres do Estado. Na verdade, o Fisco lucra 56% com o litro deste combustível.

Como? Através do ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos) e do IVA. Por exemplo, um litro que custe 1,558 euros, 0,582 são para o ISP e 0,291 euros para o outro imposto. Ou seja, 87 cêntimos é o que o Estado encaixa automaticamente por cada litro de gasolina vendido.

É o que revela o boletim «O preço dos combustíveis, a verdade dos números» da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas que pretende assim «desmistificar» as polémicas em torno dos combustíveis, dizendo, citada pelo «Correio da Manhã», que só 35% do preço médio de venda ao público traduz a cotação do Brent ¿ o petróleo negociado em Londres, que serve de referência para Portugal.

Portugal teve, de resto, a sétima gasolina 95 mais cara da União Europeia no mês de Fevereiro, segundo os dados recolhidos pela mesma associação.

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