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quarta-feira, 23 de março de 2011

Queda iminente do Governo afunda bolsa

Foi um dia para esquecer na bolsa lisboeta. O PSI20 chegou a estar a descer cerca de 2%. No fim da sessão, recuperou um pouco mas, mesmo assim, baixou 0,99% para 7.780,92 pontos, fragilizado pela iminência da queda do Governo.

No dia em que o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) é votado no Parlamento, já com chumbo anunciado pela oposição, o primeiro-ministro será recebido às 19 horas pelo Presidente da República, num encontro onde se espera que o chefe do executivo peça demissão. José Sócrates tem já agendada para as 20 horas uma comunicação ao país.

A iminente queda do Governo ensombrou as negociações, com os investidores preocupados com o impacto da crise política na actividade económica. Assim, 18 das 20 empresas do índice fecharam o dia em queda.

Bancos arrasados

Os bancos estiveram entre as maiores quedas: o BPI caiu 3,01% para 1,29 euros, o BCP deslizou 2,37% para 62 cêntimos, o Banif desceu 2,33% para 84 cêntimos e o BES recuou 0,54% para 3,13 euros, num dia em que as taxas de juro da dívida pública atingiram um novo máximo. A taxa das obrigações a 10 anos segue nos 7,82% (depois de ter tocado nos 7,86%), mas a taxa das obrigações do Tesouro a 5 anos ultrapassou largamente os 8%. Tocou o máximo de 8,285% e segue agora nos 8,224%.

No vermelho fecharam ainda as acções da indústria. A Sonae Indústria liderou, ao recuar 3,04% para 1,57 euros, mas a Altri também caiu 2,2% para 1,60 euros, e a Portucel baixou 2,27% para 2,46 euros.

Nas empresas ligadas à construção o cenário foi igualmente desolador: a Mota-Engil perdeu 2,03% para 1,84 euros e a Brisa 1% para 4,74 euros. Com quedas mais ligeiras, a Semapa desceu 0,35% e a Cimpor 0,06%.

Comunicações: preços alvo sobem, acções descem

Nas comunicações, a PT recuou 0,83% para 8,17 euros, apesar de a Bernstein ter subido o preço alvo das suas acções de 7,60 para 8,40 euros, e a Zon 1,45% para 3,55 euros. Apenas a Sonaecom fechou estável nos 1,43 euros por acção, no dia em que o BPI aumentou o preço-alvo das suas acções de 1,90 para 2,15 euros.

Na energia, a Galp não escapou ao pessimismo. Cedeu 1,24% para 15,13 euros, seguida da EDP, em queda de 0,77% para 2,70 euros. Só a EDP Renováveis conseguiu contrariar a corrente e cresceu 1,32% para 4,98 euros.

Nota ainda para o sector do retalho, com a Jerónimo Martins a perder 0,18% e a Sonae a recuar 1,96%.

Lá por fora, as praças europeias até conseguiram fechar no verde. O DAX alemão subiu 0,35%, o FTSE inglês 0,58%, o CAC francês 0,54%, o IBEX espanhol 0,59% e o MIB italiano 0,66%.

Nos EUA, no entanto, o dia está a ser misto: o Dow Jones sobe 0,23% e o Nasdaq cai 0,17%.

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