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terça-feira, 29 de março de 2011

Salgado critica políticos, Bruxelas e agências de rating

Ricardo Salgado considera que as agências de rating «estão a exagerar». Um comentário feito no mesmo dia em que a Standard & Poor¿s cortou, pela segunda vez em menos de uma semana, a classificação da dívida soberana de Portugal, num total de três níveis, e também um dia depois do corte da notação dos maiores bancos portugueses, pela mesma agência.

O presidente do BES, que falou em entrevista à CNBC, considera que «a reacção das agências de rating é exagerada e não reflecte a real situação do país». O banqueiro fez ainda questão de lembrar que Portugal não sofreu, ao contrário da Irlanda, qualquer bolha imobiliária, pelo que a banca nacional se encontra numa posição muito melhor do que aquela que os bancos irlandeses enfrentavam aquando do resgate ao país.

Para além disso, lembra, os bancos portugueses estão internacionalizados e, como tal, menos dependentes do contexto nacional.

Para Ricardo Salgado, Portugal conta ainda com outra mais valia: é que apesar da crise política, os principais partidos comprometeram-se já com as metas de redução de défice assumidas pelo Governo demissionário perante Bruxelas.

Em Londres, o banqueiro falou também aos jornalistas à margem de uma conferência, onde considerou que a crise política em Portugal foi uma «precipitação», que resultou no corte do rating, e que «os políticos deviam ter noção do impacto das suas decisões».

«Haverá consequências enormes para a economia, provocadas pela incerteza em que o país fica com este vazio político», avisou, citado pela Lusa.

«Houve uma baixa do rating a uma proximidade horrível do chamado junk[lixo]», afirmou. Mas para Ricardo Salgado, esta decisão da agência S&P é injustificada, especialmente porque os números de execução orçamental dos primeiros dois meses do ano «foram muito bons».

Num dia farto em críticas, o presidente do BES deixou também recados aos responsáveis europeus, que considera estarem a comandar a tomada de decisões em Portugal, ao afirmar que o programa europeu de ajuda a países em dificuldades, que está a ser usado pela Grécia e pela Irlanda «funcionou mal», e tem de ser revisto.

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