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quinta-feira, 24 de março de 2011

Bruxelas distancia Espanha de Portugal, mas...

O vice-presidente da Comissão Europeia distancia Espanha da situação em Portugal, considerando que os mercados já estão a olhar para os dois países de forma diferente.

«Qualquer pessoa que olhe para os mercados financeiros vê, há algum tempo, que a evolução dos índices» de Espanha «está claramente separada» da de outros países, como Portugal, Irlanda ou a Grécia, disse esta quinta-feira Joaquin Almunia, citado pela Lusa.

Por isso manifestou-se convicto que Espanha será «capaz de vencer» as tentativas de especulação dos mercados, graças a reformas «necessárias» que levou a cabo. Almunia não descarta eventuais efeitos especulativos da situação portuguesa nos mercados da dívida, mas afirma que Espanha poderá responder; se fizer os deveres, «pode fazer perder muito dinheiro aos especuladores» nos mercados. «Espero que assim aconteça».

Sobre a demissão de Sócrates, Almunia salientou a governação «com coragem» e disse que o «entristece»: «O Governo de Sócrates caiu com muita dignidade».

A pressão sobre a dívida de Espanha

Também aos analistas consideram que o efeito de contágio da crise portuguesa na dívida espanhola deverá ser reduzido.

Alguns admitem que poderá haver um efeito «a curto prazo», mas destacam as diferenças das situações nos dois países, com Espanha a registar quedas nos juros da sua dívida apesar da descida de rating e da situação portuguesa.

José Luis Martinez Campuzano, responsável de estratégia da Citi, considera, por exemplo, que o efeito em Espanha será reduzido, notando que «Portugal não tem um problema de solvência, mas um problema económico¿»que pode ser resolvido a médio prazo. «No pior dos casos haverá um aumento de tensão que, em parte, já está contemplado nos preços», refere, citado pela imprensa espanhola.

«Uma segunda leitura seria precisamente que a possível ajuda assegura que o país evitaria o cenário de insolvência a médio prazo», sublinha, considerando imprescindível que Espanha continue a fazer o seu trabalho.

Apesar da relativa confiança, os analistas recordam a exposição financeira e económica de Espanha a Portugal. Os últimos dados do Banco Internacional de Pagamentos referem que a exposição à divida publica e privada portuguesa ronda os 71 mil milhões de euros.

Além disso há 1.400 empresas com investimentos estáveis em Portugal «onde são responsáveis por cerca de 9 por cento do PIB» do país, com o Santander, por exemplo, a ter na sua filial portuguesa activos no valor de 38 mil milhões de euros.

«Apesar dessa forte presença, não se alastrou o medo nos mercados. A situação económica lusa é má agora, mas é um país solvente a médio e longo prazo», escreve o «El Mundo».

«Crise em Portugal é política»

Certo é que em Espanha o cenário não é por agora muito positivo. Embora a ministra da Economia espanhola tenha dito hoje que a crise em Portugal é «neste momento política» e que é preciso esperar «para ver quais serão as eventuais consequências» económicas», a verdade é que o risco da dívida espanhola subiu hoje sete pontos base para os 200, com o diferencial entre os títulos espanhóis e alemães consolida assim o ligeiro aumento que já tinha experimentado na quarta-feira, com o rendimento dos títulos a 10 anos a aumentar de 5,173 para 5,2 por cento.

Para além disso, a agência de notação Moody`s baixou orating em um ou dois níveis a 30 bancos e caixas espanholas, embora tenha mantido a nota das três maiores entidades financeiras do país: BBVA, Santander e La Caixa. Tudo por causa da maior pressão financeira sobre a dívida soberana espanhola e sobre muitos bancos «débeis».

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