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segunda-feira, 21 de março de 2011

PEC é «FMI a prestações»

O Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) proposto pelo Governo não é mais do que «o FMI a prestações». A acusação é do líder parlamentar do Bloco de Esquerda que apontou ainda o dedo ao por revelar um «descaramento absoluto» ao procurar «branquear as suas responsabilidades».

«PEC atrás de PEC, o Governo há muito que não é mais do que um zeloso aplicador local da receita europeia da economia do abismo», disse esta segunda-feira José Manuel Pureza, na abertura das jornadas parlamentares bloquistas, que decorrem hoje e amanhã no distrito de Santarém.

O primeiro-ministro «anuncia com pompa que está indisponível para governar com o FMI», mas «cada PEC que sucede ao anterior deixa-nos mais perto da receita FMI que José Sócrates diz rejeitar». E isso conduz o país «à crise económica da recessão e à crise social da injustiça».

«Esta é a política que, ao negar a dignidade mínima a milhões de portugueses, suspende de facto a democracia para uma parte cada vez maior da população», defendeu, citado pela Lusa.

PSD também é alvo de acusações

Duras críticas mereceu também o PSD que, para o Bloco, «exibe agora ofensa e indignação, depois de ter passado o último ano de mão dada com o Governo».

O partido laranja «convida os portugueses à amnésia, numa operação de branqueamento das suas responsabilidades de um descaramento absoluto».

«Mas os portugueses não se esquecem de que Passos Coelho defende a liberdade de despedir como alternativa ao despedimento mais barato defendido pelo Governo», um dos exemplos de propostas sociais-democratas que José Manuel Pureza referiu, a par do ensino e saúde pagos e de contratos a termo não escritos.

O líder parlamentar do BE considerou que «é através do Governo e do PSD que a especulação e a recessão, com ou sem o carimbo oficial do FMI, vão já governando» o país. O fundo não é solução para os problemas do país: «Os países intervencionados [Grécia e Irlanda] caem no abismo e nós, de PEC em PEC, seguimo-los como bons alunos até que a tragédia se consume».

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