quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Livros digitais: e se a moda pegar?
Está a decorrer desde o dia 24 - e até esta quarta-feira - o Digital Book World 2011, em Nova Iorque, precisamente com e-booksem cima da mesa de discussão. Google, Amazon, National Geographic, Disney Publishing Worldwide e New York Public Library são apenas alguns nomes do extenso leque de presenças neste evento.
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A ideia é preparar os editores para o novo fenómeno e perspectivar a evolução desta indústria nos próximos 12 meses, aliando publicações e tecnologia - um binómio que terá de ganhar implementação a partir de agora, se as editoras não quiserem perder a corrida.
Editoras portuguesas estão preparadas?
Por cá, já há várias editoras que estão a limar arestas para pôr os e-books nas prateleiras online. O grupo LeYa, por exemplo, tinha já em Setembro 200 títulos disponíveis nesta versão digital, na sua livraria online, a MediaBooks. Um número que é, de resto, para superar: «Todas as editoras integradas na LeYa e que publiquem obras das quais detenhamos os direitos, terão disponíveis livros em versão e-book», disse à Agência Financeira a direcção de comunicação do grupo que integra, entre outras editoras, a Caminho, Oficina do Livro e D. Quixote.
Na Editorial Presença, por exemplo, este projecto está ainda numa fase embrionária mas com intenção de ganhar ritmo. A AFtentou ainda contactar a Plátano Editora, aguardando resposta.
Novas tecnologias podem comprometer vendas em papel?
Os editores estão a arregaçar as mangas, a pouco e pouco, para esta nova realidade. Será que a indústria dos livros vai conseguir melhorar as vendas? Que riscos existem para o formato em papel?
«A ascensão de tablets e e-readers [leitores de livros digitais] é bastante positiva porque alarga a base de leitores que preferem o formato electrónico e permite à Leya colocar outros tipo de conteúdos de valor acrescentado que não apenas texto (como por exemplo a inclusão de áudios com entrevistas a autores ou vídeos que ilustrem partes do texto)».
Os e-books do grupo estão adaptados «à maioria dos e-readers disponíveis no mercado português» e para o sistema operativo da Apple: já podem ser lidos no iPod e «muito brevemente» no iPad, depois de descarregados na App Store portuguesa. O próximo desafio é conseguir adequá-los ao sistema operativo Android, da Google.
Pirataria: e se o negócio sair furado?
Se a moda dos e-books pegar mesmo, há o risco de estes livros digitais virem a ser pirateados. É que quanto mais alto for o voo, maior pode ser a queda. E se tivermos como ponto de partida o que aconteceu à indústria musical, o negócio pode ficar comprometido.
A LeYa assegura que «a segurança dos ficheiros de e-books disponibilizado na MediaBooks é bastante difícil de violar, mas há, naturalmente, esse risco». Ainda assim, este grupo que junta 17 editoras está confiante: «O aumento da dimensão do mercado de e-books será suficientemente grande a médio prazo para que se possa dizer que `compensa¿ a assumpção desse mesmo risco e a gestão de possíveis problemas que daí advenham».
Ora este tema também está em destaque no Digital Book World 2011. A pirataria de livros digitais é encarada como «uma ameaça mortal». Daí que os editores tenham de se preparar para a guerra, mesmo que ela possa não chegar a fazer tremer a sério as vendas. É um livro que ainda vai escrito nem a meio. Há muitas histórias para ler até saber se há final feliz
Alemanha quer talentos portugueses. Por cá ninguém sabe de nada
«Acho que seria benéfico para ambos os países, porque Portugal tem um desemprego elevado entre os jovens, e na Alemanha a falta de força de trabalho qualificada é cada vez mais premente», disse à Lusa o vice-presidente do grupo parlamentar da CDU, Michael Fuchs.
O político conservador, esclareceu, no entanto, que «se trata de uma ideia que está a ser debatida a nível da CDU», e também do outro partido do governo os Liberais, «mas não há ainda planos concretos sobre formas de angariação» por exemplo.
«As novas tecnologias são um dos domínios com mais falta de especialistas, mas há muitos outros sectores para os quais se podem angariar jovens trabalhadores estrangeiros, já com cursos superiores ou com o ensino médio concluído, para fazerem a formação profissional aqui». Fica em aberto para quando virá o recrutamento: «Ainda não falámos de medidas práticas».
Um porta-voz da Confederação Alemã dos Empregadores (BDA) considerou «prematuro» comentar planos a nível partidário ou parlamentar para angariar jovens trabalhadores de outros países. O mesmo responsável lembrou, porém, que, até 2030, faltarão no mercado alemão 5,2 milhões de trabalhadores, dos quais 2,4 milhões com cursos superiores.
Só no domínio das matemáticas e da engenharia, no ano de crise de 2009 faltavam 63 mil especialistas e, se não forem tomadas medidas, até 2020 faltarão 230 mil.
A evolução demográfica, caracterizada por uma baixa taxa de natalidade nos últimos anos, agravará a situação, e em 2030 deverá haver apenas 42 milhões de pessoas na idade activa, entre os 20 e os 65 anos, menos um quinto do que actualmente, segundo o Instituto Federal de Estatística (Destatis).
A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã desconhece quaisquer «iniciativas concretas» que visem o recrutamento de profissionais portugueses que queiram trabalhar na Alemanha.
Mas, diz o director-geral, Hans-Joachim Böhmer, a economia alemã está em «franca recuperação», deparando-se com um «problema sério» até meados deste século, com a necessidade de recursos humanos especializados.
A Câmara alemã, neste contexto, apenas pode aconselhar os jovens portugueses a enviar candidaturas espontâneas para as agências de recrutamento na Alemanha.
Adicionalmente, sugere aos interessados a consulta do seu sitewww.ccila-portugal.com, no qual se compromete a divulgar todas situações de recrutamento por parte de empresas alemãs ou medidas oficiais que venham a ser tomadas.
Na Alemanha existem quase sete milhões de imigrantes, um terço dos quais oriundos da Turquia, de longe o país com a maior comunidade estrangeira, e perto de 116 mil portugueses, a maioria dos quais da primeira geração, que começou a chegar em meados dos anos sessenta.
Milhares já nem dinheiro têm para pagar água, luz e telefone
Os dados remontam ainda aos meses entre Abril de 2009 e Junho de 2010, pelo que este ano o cenário pode agravar-se ainda mais, com o aperto fiscal previsto no Orçamento do Estado e que começa a ser sentido já a partir deste mês.
Só as 31 empresas que mais acções instauraram em 2009 foram responsáveis por 104.204 processos que estão a correr nos tribunais, segundo os dados da Comissão para a Eficácia da Execução (CPEE), citados pelo «Jornal de Notícias».
Entre elas estão bancos, seguradoras, instituições de crédito ao consumo e prestadores de serviços públicos essenciais. Em causa estão, na sua maioria, dívidas abaixo dos 500 euros.
Subsídio de desemprego: construtores pedem suspensão de quotas
A Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas (FEPICOP) diz, em comunicado citado pela Lusa, que pediu «ao Governo a adopção de medidas adequadas à melhoria substancial da difícil situação económica e financeira da generalidade do tecido empresarial, em particular das empresas do sector».
A federação reivindica a «suspensão imediata das quotas de acesso ao subsídio de desemprego na sequência de revogação de contrato de trabalho por mútuo acordo», considerando que o cumprimento de tais quotas «não se coaduna com o momento de grave crise que a actividade atravessa, em que os processos de redução de activos são condição necessária para a viabilidade das empresas».
A FEPICOP diz que a imposição legal das referidas quotas «descura o facto de o acesso ao subsídio de desemprego ser uma premissa fundamental nos casos de revogação do contrato de trabalho por mútuo acordo, assim como não releva a conotação, social e económica, fortemente negativa do despedimento colectivo».
A federação diz que recentemente enviou uma carta ao primeiro-ministro, José Sócrates, em que afirma que as medidas lançadas pelo Governo para a área laboral, como a Iniciativa para a Competitividade e o Emprego, «não permitem uma resposta imediata ao problemas das empresas, uma vez que só serão aplicáveis a contratos a celebrar após a sua entrada em vigor».
Outra das reivindicações da FEPICOP é a alteração do Código do Trabalho, «no sentido de limitar, para todos os contratos, o valor das indemnizações em caso de cessação do contrato de trabalho, aproximando-o dos regimes em vigor nos restantes países europeus».
Quer arrancar com um negócio e não tem dinheiro? Veja a solução
Este novo fundo de investimento, refere o comunicado, tem por missão desenvolver projectos vocacionados para internet e para dispositivos móveis, com potencial de crescimento rápido e global.
O fundo será inicialmente constituído com um milhão de euros, com um horizonte temporal de três anos, podendo ser reforçado até aos 5 milhões de euros mediante a entrada de novos parceiros e investidores.
Estratégia centrada em projectos de pequena dimensão
A estratégia de investimento do NetValue Ventures será centrada em projectos de pequena dimensão mas com capacidade para crescer de uma forma rápida e global. Numa primeira fase, o NetValue Ventures irá investir até 50.000 euros por projecto.
Recorde-se que a ActualSales foi fundada em Janeiro de 2006 e é hoje em dia um grupo de várias empresas presente em Portugal, em Espanha, no Brasil e no México, com uma facturação de cerca de 15 milhões de euros (+50% face ao ano de 2009). A sua principal actividade é promover produtos e marcas na internet em mais de 30 países, sendo apenas remunerada pelas vendas.
Euro segue estável a negociar próximo dos 1,37 dólares
A moeda única está a ser animada pelo optimismo crescente de que a Zona Euro vai superar a crise da dívida, e com uma recuperação económica mais consolidada, enquanto a inflação alemã acelera.
Neste momento, o euro está estável e cada unidade vale 1,3678 dólares.
Bolsa: PT e BPI seguram Lisboa do lado dos ganhos
A suster Lisboa do lado dos ganhos ficou a Portugal Telecom, que hoje fechou negócio com a Oi. As acções da PT valorizaram 0,92%, com cada acção a valer 8,58 euros.
No sector, Zon disparou 1,53% e Sonaecom avançou 0,67%.
Também o BPI salvou o dia do PSI20. O banco de Fernando Ulrich ganhou 1,66%, para os 1,40 euros, quando se prepara para apresentar as suas contas de 2010. Os analistas prevêem uma subida de 4% dos lucros, para 182 milhões de euros.
Já no sector, BCP e BES contrariam e perderam 0,17% e 0,18%, respectivamente.
No vermelho ficou também o sector da energia, com EDP à cabeça: perdeu 1,84%, para os 2,72 euros, e liderou a tabela das perdas. EDP Renováveis seguiu as pisadas e perdeu 0,22%, enquanto a Galp contrariou e subiu 0,27%.
Já lá por fora, todas as principais praças da Europa fecharam com sinal positivo. Os investidores estão optimistas quando às conclusões que poderão sair do segundo dia de reunião da Reserva Federal (Fed). Os investidores estimam que a Fed mantenha os juros no intervalo de zero e 0,25%, o mínimo histórico, para sustentar o crescimento da maior economia do mundo.
Em Wall Street, além destas expectativas, também a subida da venda de casas novas, acima do esperado, está a animar as negociações. Dow Jones já passou a barreira dos 12 mil pontos, pela primeira vez desde Junho de 2008. A esta hora, já atenuou os ganhos e sobe uns ligeiros 0,04%. Nasdaq ganha 0,34% e S&P500 avança 0,31%.
Juristas duvidam que mudanças no regime das indemnizações gerem mais emprego
Filipe Fraústo da Silva, membro da sociedade de advogados Uría Menéndez-Proença de Carvalho, não tem dúvidas: "Claramente que não [fomenta a competitividade e a criação de emprego] e não responde às necessidades das empresas", realça o jurista. Para isso acontecer, "seria preciso ir mais longe" e as mudanças teriam que se aplicar aos contratos actuais. "Medidas como estas até podem fazer sentido para as empresas, mas, numa realidade como a portuguesa, desguarnecem os trabalhadores significativamente", alerta Filipe Fraústo da Silva.
O cepticismo em relação ao objectivo do Governo é partilhado por Pedro Furtado Martins, especialista em direito laboral da Sérvulo & Associados. "No terreno, tenho sérias dúvidas de que os empregadores contratem mais ou menos com base num corte dos custos com as indemnizações", frisa, alertando que a redução dos custos com a cessação dos contratos a termo (os trabalhadores que agora tinham direito a uma compensação de dois ou três dias por cada mês, passarão a ter direito a 1,66 dias) poderá, quando muito, servir de incentivo à contratação a termo.
Incentivo à precariedade
"Conhecendo a prática das empresas portuguesas e perante uma solução que diminui os custos com a cessação dos contratos a termo, os empregadores têm mais um incentivo para contratar a termo", argumenta Pedro Furtado Martins.
Receio semelhante tem o advogado António Garcia Pereira: "Toda a proposta visa facilitar os despedimentos como forma de criar empregos precários e de baixos salários". Caso isso venha a ocorrer, frisa, a taxa de precariedade que em Portugal já está nos 22 por cento, a terceira mais alta da Europa, poderá disparar.
Já Fraústo da Silva não vê que a proposta vá influenciar a contratação a prazo, da mesma forma que não conduzirá à criação de novos postos de trabalho no curto prazo. E até considera "correcto" que o Governo opte por aliviar de forma mais expressiva as compensações pagas aos contratos inferiores a seis meses. "De certa forma, o Governo está a harmonizar o regime de indemnizações dos despedimentos colectivos com o regime cessação de contratos a prazo. Isso é correcto", diz.
Na proposta que anteontem apresentou aos parceiros sociais, a ministra do Trabalho propôs a redução das indemnizações pagas aos trabalhadores em caso de despedimento colectivo, extinção de posto de trabalho ou falência de empresa de 30 para 20 dias por cada ano de antiguidade, o fim do limite mínimo de três meses e a criação de um tecto máximo de 12 meses. O argumento é aproximar a nossa legislação da espanhola, país que concorre directamente com Portugal na captação de investimento estrangeiro. Mas esta aproximação não é total e deixa de fora um ponto fundamental: o salário que serve de base ao cálculo da indemnização.
O Governo ontem voltou a frisar que a sua proposta - que voltará a estar em cima da mesa na Comissão Permanente de Concertação Social desta tarde - coloca Portugal "exactamente ao nível de Espanha".
Porém, Garcia Pereira deixa claro que esta comparação "é falaciosa", tal como os sindicatos já tinham frisado. Fraústo da Silva acrescenta que se está a comprar o incomparável, dado que em Portugal a indemnização continuará a ser calculada com base no vencimento base mais diuturnidades, enquanto em Espanha os suplementos, como a isenção de horários de trabalho ou o trabalho nocturno, são contabilizados.
"Isso faz toda a diferença", frisa Garcia Pereira, "sobretudo em sistemas onde as políticas flexíveis de remuneração têm sido incentivadas".
Fraústo da Silva dá outra achega: "É tudo diferente". Em Espanha, a taxa contributiva dos trabalhadores para cobrir as mesmas eventualidades é de 4,7 por cento, enquanto em Portugal é de 11 por cento, o salário médio é de 1538 euros e compara com os 894 euros nacionais, o salário mínimo de 641 euros é superior aos 485 euros em Portugal (500 euros até ao final do ano).
Juiz manda negócio dos submarinos alemães para julgamento
No despacho, o juiz reagiu a uma ameaça velada do advogado de defesa da Ferrostaal, Godinho de Matos, de que caso avançasse para a pronúncia estaria a beber um veneno. "Estou pronto então, para beber a cicuta que me foi assinalada, se for essa a decisão de quem pode", respondeu o juiz, acrescentando que confia "estar na vigência do ordenamento jurídico da República Portuguesa, que erigiu como norma estarmos num Estado de Direito, subordinado à Constituição e à Lei".
A Ferrostaaal está a ser investigada ou está sob suspeita em vários países onde vendeu sobretudo material militar, mas em nenhum viu quadros seus serem formalmente acusados. Na Alemanha, corre um inquérito por suspeitas de corrupção, mas há notícia de que a multinacional poderá resolver o processo com o pagamento de uma multa, estimada em 200 milhões de euros. O juiz validou a tese do Ministério Público "nos estritos termos da acusação", o que torna a decisão irrecorrível para a defesa. Ao longo das mais de 900 páginas do despacho, Carlos Alexandre desmonta passo a passo os argumentos da defesa, que desde 27 de Abril passado, quando começou a instrução, protagonizou inúmeros incidentes, tendo atacado fortemente a peritagem que serviu de base à acusação. Em causa estava o facto de a Inteli, o centro de inovação e inteligência que realizou a peritagem, ter trabalhado anteriormente para várias partes envolvidas no processo, nomeadamente a ACECIA (um agrupamento complementar de empresas de componentes para a indústria automóvel), a Comissão Permanente de Contrapartidas (CPC) e a Escom, que montou o programa de contrapartidas dos submarinos para os alemães. Sobre este ponto, e após fazer uma análise dos factos apresentados pela acusação e defesa, conclui que se "evidencia bem a inexistência de circunstâncias que, objectivamente consideradas, apontem no sentido da falta de credibilidade e imparcialidade, quer dos peritos nomeados nestes autos, quer da própria Inteli". Considera também que esta e os seus técnicos, para além de especialistas em contrapartidas, "detêm indiscutível idoneidade técnica e moral, pois que só assim se compreende que tenham sido e continuem a ser repetidamente convocados para prestar serviços, quer pela CPC, quer pelo próprio Ministério da Economia". Responde ainda aos motivos de recusa de dois arguidos, dizendo que "não foi apontado nem se conhece qualquer facto ou indício que revele o interesse dos peritos nomeados, ainda que aparente, ou da sua entidade patronal no desfecho da perícia". E acrescenta: "não estando, por isso, em causa a imparcialidade ou isenção com que efectuaram a perícia, que motivou o incidente de recusa". A relação amorosa entre o presidente da Inteli e a procuradora-adjunta do processo tomou pouco espaço a Carlos Alexandre, que apenas nota que o responsável do centro de inovação nunca foi perito no âmbito deste inquérito e que "nenhum dos dois peritos em causa possui qualquer tipo de relação com qualquer interveniente do processo", pelo que indefere o incidente de recusa apresentado pela defesa.
Ontem, a representar o Ministério Público já não estava a titular do processo, Auristela Pereira, o que poderá estar relacionado com o facto de o procurador-geral da República lhe ter instaurado um processo disciplinar e outro à sua auxiliar na investigação, devido à relação desta última com o presidente da Inteli. "Sinto-me confortada e congratulo-me com o despacho de pronúncia", reagiu Cândida Almeida, directora do departamento onde o caso foi investigado (DCIAP). Em declarações ao PÚBLICO, considera que os magistrados do MP e os juízes são "corajosos e independentes" e diz "acreditar na justiça, embora sendo demorada ou sendo acusada de demorar". O juiz remeteu para o tribunal de julgamento a decisão sobre as cauções a aplicar aos arguidos.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Medo de recessão no Reino Unido depois da queda inesperada do PIB
Este é mesmo o pior resultado em mais de um ano e tem justificação na queda registada na construção e ao tempo mais frio sentido num século, que parou o sector dos serviços e retalho. O país tinha crescido 0,7% no terceiro trimestre, segundo os dados do Departamento de Estatísticas Nacionais do Reino Unido. Sem o impacto do mau tempo, a economia teria estagnado.
Os 33 economistas consultados pela Bloomberg esperavam em média um crescimento de 0,5% entre Outubro e Dezembro, pelo que os dados agora conhecidos vieram contrariar todas as expectativas.
O crescimento total de 2010 fica em 1,4%, muito abaixo das previsões dos analistas.
Esta estimativa preliminar, sujeita ainda a revisão, vem levantar sérias preocupações sobre a força da economia, que entrou numa nova era de austeridade, e da capacidade de o país resistir às medidas aprovadas pelo Governo.
A contracção do PIB nos últimos três meses do ano vem pôr em causa as perspectivas de crescimento da economia para este ano, escreve o «The Independent».
A libra reagiu logo a estes dados, caindo no mercado de câmbios. A economia carregou no travão ainda antes de primeiro-ministro David Cameron, e o seu colega de coligação Nick Clegg, terem apresentado o novo pacote de austeridade para cortar o défice orçamental.
Os mercados bolsistas estão a reflectir este pessimismo. A praça de Londres cai já 0,34%.
Entretanto, apesar do Banco de Inglaterra ter deixado as taxas de juro de referência inalteradas, a inflação atingiu máximos de oito meses.
iPad usado para medir a retoma económica
Entre Outubro e Dezembro, foram vendidas mais de 7,3 milhões de unidades do aparelho da Apple, algo que pode ser visto como um indicador da recuperação da economia norte-americana, escreve o «CincoDías».
«A procura do iPad pelos trabalhadores no âmbito empresarial continua forte e a resposta ao aparelho continua a ser muito significativa», afirmou o director financeiro da marca, Peter Oppenheimer, numa conference call com investidores e analistas. O responsável explicou ainda que os responsáveis pelos departamentos de tecnologia das empresas estão a incluir o iPad na lista de aparelhos electrónicos a adquirir, a um ritmo alucinante. Ou seja, as empresas querem que os trabalhadores usem o iPad nas suas funções profissionais.
Mais do que isso: actualmente, 80% das empresas que estão no Top100 da revista «Fortune» estão a desenvolver serviços e aplicações para o tablet. Entre as companhias que sestão a adoptar o iPad estão alguns gigantes do sector financeiro, como o JP Morgan Chase e o Wells Fargo, bem como outras empresas como a Cardinal Health, Archer Daniels Midland, Sears Holdings e a DuPont.
O cenário descrito por Oppenheimer foi interpretado nos EUA como um sinal de que o ciclo de investimentos por parte das empresas está a acelerar. E muitas acumularam grande liquidez para poderem enfrentar este tipo de projectos.
A confirmar-se a tendência, os investimentos empresariais não só no iPad mas também noutras tecnologias da informação, determinam que a recuperação económica dos EUA está mesmo em curso.
Os analistas estão cada vez mais optimistas. Doug Reid, da Stifel Nicolaus, subiu as previsões de vendas do iPad para 25,2 a 25,8 milhões de unidades no exercício fiscal de 2011 da Apple, que termina a em Setembro. Números que contam já com a contribuição do iPad 2 que, segundo Reid, deverá chegar ao mercado em Abril. O diário «Commercial Times» de Taiwan, onde a Apple tem vários fornecedores, escrevia esta segunda-feira que a produção do iPad 2 arranca em Fevereiro.
INE: novo método de inquérito permitirá poupar 800 mil euros
Alda Carvalho, que está a ser ouvida no Parlamento pelas comissões parlamentares de Trabalho e de Orçamento, sublinhou que esta redução de custos ainda não se está a verificar e que não foi um dos principais objectivos
A líder do INE explicou que esta redução de custos deverá efectivar-se quando este novo método de recolha entrar «em velocidade de cruzeiro».
A redução de custos «ainda não está a ocorrer, pensamos que este ano ainda se vai verificar», afirmou a responsável, acrescentando que «vão ser necessários menos entrevistadores e também despesas com os próprios entrevistadores».
Alda Carvalho sublinhou novamente que a alteração aos métodos foi decidida com base em critérios técnicos, até porque nos últimos anos «não tem havido constrangimentos financeiros sobre a produção de estatísticas oficiais».
As alterações ao método de recolha no inquérito ao emprego, passando da recolha presencial em todas as seis entrevistas necessárias, para entrevista por telefone nas últimas cinco, caso seja a vontade expressa dos entrevistados, entrará em vigor no primeiro inquérito ao emprego relativo ao primeiro trimestre de 2011, que será publicado em Maio.
EDP vai vender 750 milhões em obrigações a 5 anos
O juro deverá ficar 330 pontos base acima da taxa de referência, que está nos 2,715%. O juro final deverá rondar os 6%.
Preços do petróleo descem mais de 1% nos mercados internacionais
A pressionar o crude estão as declarações do ministro saudita do Petróleo, Ali al-Naimi, que anunciou na segunda-feira que a OPEP poderá vir a aumentar a sua produção.
«Alguns países da OPEP vão aumentar a sua capacidade produtiva, mantendo contudo a capacidade de reserva da OPEP em, aproximadamente, 6 milhões de barris por dia», referiu o ministro.
Neste momento, o Brent do Mar do Norte, que serve de referência ao mercado português está a descer 1,42 por cento para 95,24 dólares.
Em Nova Iorque, o crude está a recuar 1,25 por cento, com cada barril a valer 86,77 dólares.
FMI assusta investidores, Lisboa entre as piores da Europa
Pior que Lisboa só mesmo a performance da praça madrilena - perdeu 1,48%.
Os investidores reagiram assim, aos avisos do Fundo Monetário Internacional, que hoje alertou para o agravamento das pressões nos países periféricos da Zona Euro, tendo em conta, principalmente, o risco da dívida soberana e a capacidade dos países e da banca em sair da crise.
FMI: «O pior ainda não passou»
No topo das preocupações está o sistema financeiro espanhol, depois de ontem o governo ter revelado um plano de reestruturação para o sector que poderá implicar a nacionalização das caixas de aforro.
Preocupações essas que levaram a bolsa espanhola a liderar as perdas e que também se repercutiram no desempenho da banca nacional.
BCP, o peso pesado do sector, afundou 3,94%, para os 0,58 euros por acção, e liderou mesmo a tabela das perdas. BPI perdeu 3,42% e BES caiu 2,75%.
Na energia, o dia também foi de perdas: EDP recuou 2,01%, para os 2,77 euros, Galp deslizou 0,78%, com cada acção a valer 14,53 euros.
A travar maiores quedas da praça ficou a Portugal Telecom que, depois de ter estado quase sempre a liderar as subidas, fechou a valorizar uns ligeiros 0,08%. Jerónimo Martins e Zon Multimédia também ficaram no verde, com ganhos em torno de 0,3%.
Já em Wall Street, os principais índices seguem contagiados com o pessimismo europeu, enquanto os investidores olham para a apresentação de resultados de algumas empresas e para o primeiro dia de reunião da Reserva Federal. E nem a divulgação de que a confiança dos consumidores subiu em Janeiro para máximos de oito meses animou os investidores.
Dow Jones, que ontem viveu a melhor sessão do ano, desliza hoje 0,27%. Nasdaq recua 0,13%, S&P500 perde 0,25%.
Quem é quem em Davos
Quem é quem em Davos
O Fórum Económico Mundial representar o mundo?
baile anual do Fórum Econômico Mundial começa em 26 de janeiro na estância de esqui suíça de Davos-Klosters. Agora em seu 30o ano, o evento apenas para convidados, é um fórum para cerca de 2.000 delegados para discutir e até mesmo sanar os males do mundo, o dobro do que aconteceu em 2001. O local de ostentação do encontro é o suficiente para merecer as acusações de elitismo, e na verdade ela tem enfrentado muitas críticas por ter aparecido para agir apenas no interesse dos países ricos. Mas nos últimos anos a China ea Índia começaram a tomar mais lugares à mesa proverbial, os avanços que finalmente reflectem as suas proezas econômicas crescentes. A carta atribui a nacionalidade em função do local de trabalho, para a representação da Suíça no fórum desproporcional à sua contribuição para o PIB mundial, deve muito à presença ali de muitas organizações não-governamentais.
Prisa anuncia 2500 despedimentos devido a reestruturação da empresa
Serão despedidos dois mil trabalhadores em Espanha e mais 500 nos media do grupo na América e em Portugal, onde a Prisa está representada na TVI e nas seis estações da MediaCapital Rádios. Esta reestruturação será levada a cabo até ao primeiro trimestre de 2012.
“O processo enquadra-.se nas mudanças que se sentem no sector dos media a nível mundial e que tornam necessária a transformação da Prisa numa nova empresa, não só centrada na produção e distribuição de conteúdos em língua espanhola e portuguesa mas também na procura de outros grupos de interesse e nas novas tecnologias”, diz a empresa no mesmo comunicado.
O plano foi aprovado na sexta-feira pela comissão executiva da empresa.
Este anúncio de reestruturação surge numa altura em que a entrada do fundo norte-americano Liberty Acquisition Holdings na Prisa, aprovada em Novembro pasado, estará prestes a ser ultimada. Este fundo de investimento é liderado pelo milionário Nicolas Berggruen – que lançou a Media Capital com Miguel Pais do Amaral.
Este negócio vai valer à Prisa 650 milhões de euros e o grupo espanhol manterá 30 por cento do capital enquanto que a Liberty assegurará o controlo financeiro da empresa com cerca de 65 por cento do capital.
Salários podem cair por causa das novas regras das indemnizações
"Nesta situação de crise, se obrigarem as empresas a contribuir para o fundo, as consequências serão necessariamente essas [reduzir os salários propostos aos trabalhadores]", admitiu o presidente da CCP, João Vieira Lopes, no final da Comissão Permanente de Concertação Social que ontem reuniu para discutir as mudanças no sistema de indemnizações português.
No encontro, a ministra do Trabalho propôs aos parceiros sociais uma redução das indemnizações - que passarão a ter por base 20 dias de salário por cada ano de antiguidade contra os actuais 30 - e a imposição de um tecto máximo de 12 meses. Além disso, Helena André formalizou a criação de um fundo para financiar uma parte das indemnizações, alimentado exclusivamente pelas empresas.
O modelo proposto é semelhante ao que vigora em Espanha e vai aplicar-se aos novos contratos ou às pessoas que mudem de emprego depois da entrada em vigor da medida, pelo que o seu impacto não será imediato. Ainda assim, e no futuro, acabará por prejudicar os trabalhadores com mais anos de serviço. Um trabalhador que seja alvo de despedimento colectivo ou por extinção do posto de trabalho que tenha um salário de 1200 euros e 18 anos de casa receberia agora 21.600 euros de indemnização. Se a proposta do Governo seguir por diante, receberá no máximo 9600 euros, o que representa uma perda de 55,5 por cento.
Por outro lado, ao acabar com o limite mínimo de três meses de salário agora previsto, a proposta prejudica também os trabalhadores com menos anos de antiguidade.
A ministra Helena André garante que a intenção do Governo é "promover a criação de emprego", argumentando que é preciso alinhar a legislação portuguesa com a dos outros países, nomeadamente com Espanha.
Mas isso não convenceu os sindicatos. A CGTP acusou o Governo de estar a fazer "um golpe palaciano contra os direitos mais elementares dos trabalhadores", acusando-o de importar apenas os aspectos negativos dos outros países. Alertando que não há "qualquer margem para negociar" uma proposta que "favorece as entidades patronais", Arménio Carlos, da Intersindical, alertou que o fundo para despedimentos "vai forçar a revisão em baixa dos salários".
A UGT critica as medidas, mas está aberta ao diálogo e recusa que esteja em risco uma redução dos salários. Ainda assim, alerta, "está por demonstrar" que a proposta promova a criação de emprego tal como o Governo pretende. João Proença acusou o Governo de "copiar o modelo espanhol" e ironizou: "Se nos derem o salário espanhol, aceitamos de imediato a proposta do Governo!"
Também a CCP, a única confederação patronal que ontem aceitou falar, diz que dificilmente a proposta do Governo irá fomentar a criação de emprego. "Não vemos como pode ser criado um fundo que terá um papel desincentivador na criação de emprego", questionou João Vieira Lopes, embora aplauda a redução das indemnizações, que vai ao encontro das suas pretensões.
Helena André não se comoveu com as críticas e manteve que as propostas visam "garantir a possibilidade de os trabalhadores receberem uma parte da indemnização a que têm direito, o que até aqui não era garantido".
Na semana do tudo ou nada, pais levam luta dos colégios até ao fim
O "SOS" invadiu as campanhas dos principais candidatos presidenciais, em manifestações de pais, alunos e professores. E o "SOS" chega hoje a Lisboa, pela mão de pais e estudantes da maior parte destas escolas, que vão depositar um caixão à porta do Ministério da Educação (ME). À tutela caberá, ou não, fechar a tampa da urna, dizem os pais.
Ou seja, é do Governo a decisão de acabar com este tipo de ensino, que é gratuito para todos os alunos que o frequentam, sublinham os responsáveis do SOS Movimento Educação, que congrega encarregados de educação preocupados com o futuro destes colégios onde estudam mais de 50 mil alunos.
Amanhã, as escolas da Região Centro vão encerrar e, até sexta-feira, fecharão as restantes. O movimento tem a confirmação de, pelo menos, meia centena de colégios cujos pais vão encerrar os portões. Caberá às direcções chamar as autoridades para abrir as portas e tentar retomar a normalidade, de acordo com um plano de luta desenhado ao pormenor, com timings e locais detalhados, onde todos os intervenientes sabem exactamente o que fazer. O objectivo é só um: garantir a mobilização de todos para conseguir o máximo impacto possível e não deixar cair no esquecimento uma luta que os pais estão dispostos a travar até ao fim.
Professores demarcam-se
O primeiro nível de protesto foram as manifestações, as cartas à ministra, as petições, feitas até sexta-feira. O segundo nível é fechar as escolas por três dias e envolver os alunos em "manifestações de desagrado". Se o ME não recuar, os pais vão pôr os filhos nas escolas públicas, "só para mostrar o caos e que este é um problema de todos os pais". O quarto nível é "dei- xar os filhos em casa, por tempo inde- terminado", enumerou Luís Marinho, do SOS Movimento Educação, à saída do encontro que ontem reuniu as associações de pais em Cernache, Coimbra, no Colégio Imaculada Conceição.
Ontem, na mesma escola, reuniram-se os directores de 45 colégios com contratos de associação, que decidiram não assinar as adendas aos protocolos. Segundo o ME, 56 escolas já assinaram - ou seja, pelas contas da tutela, faltam 37 entrarem em acordo.
Para os professores, a decisão dos pais "é preocupante" e pode pôr o ano lectivo em risco. Os docentes re- presentados pela Associação de Professores do Ensino Particular e Cooperativo com Contrato de Associação optaram antes pelo diálogo com o Governo e entregam depois de amanhã uma petição no Parlamento, com 8200 assinaturas.
No final de Dezembro, o ME publicou uma portaria que corta em 30 por cento os apoios dados a estas escolas privadas mas com uma oferta pública de ensino, em regiões onde não existe escola pública ou a oferta é insuficiente. As escolas e os professores contestam que os cortes sejam iguais para todos, quando cada colégio tem uma situação diferente. Algumas, dizem, correm o risco de fechar
Na passada sexta-feira, o secretário de Estado da Educação, Trocado da Mata, apelou ao "bom senso". "Espero que os alunos vão à escola", disse. A lei foi aprovada e a tutela não tenciona recuar.
Facebook: 28 milhões de divórcios à conta das redes sociais
Um estudo realizado por advogados britânicos revela que o Facebook foi evocado em quase todas as causas de separação nos últimos meses. A rede social funciona como uma arca das infidelidades. «A razão mais apontada tem que ver com conversas sexuais inadequadas com pessoas com quem os utilizadores não as deveriam ter», revelou o director-geral do Divórcio-Online, Mark Keenan, citado pelo espanhol «Expansión».
A dimensão do fenómeno é tal que já há empresas a desenvolver softwares próprios para que as pessoas possam espiar os seus companheiros através das redes sociais.
Estes sítios da Internet constituem já um meio de prova muito utilizado pelos advogados especializados em divórcios. Para se ter uma ideia, 81% deste profissionais recorrem a redes sociais para encontrar indícios de comportamentos impróprios por parte do elemento «adversário» do (ainda) casal.
Wikileaks: ex-banqueiro suíço preso por violar segredo bancário
O antigo director de operações da subsidiária do banco privado Julius Baer nas Ilhas Caimão foi detido no sábado porque existiam riscos de que pudesse destruir provas, disse o seu advogado, Ganden Tethong Blattner, citado pela agência noticiosa ATS.
Na passada quarta-feira, o tribunal deu o antigo banqueiro como culpado de passar informação secreta ao WikiLeaks e aplicou-lhe uma sentença de 7.200 francos suíços (5.500 euros), uma decisão de que Elmer vai apelar, disse o advogado.
Despedido pelo banco, em 2002, o antigo banqueiro, de 55 anos, passou em 2007 um primeiro conjunto de informações ao Wikileaks, num plano que, afirmou, visa pôr a nu os sistemas de evasão fiscal.
A polícia voltou agora a prender Elmer, por ter voltado a entregar ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, outros dois CD-ROM, durante uma conferência de impressa em Londres, na segunda-feira.
Os dados, afirmou, dizem respeito a clientes de três instituições financeiras, pelo menos, cobrindo um período entre 1990 e 2009.
«Com estes actos, a Suíça põe-se a si mesma no centro das atenções», disse Julian Assange ao jornal «Sontag», acrescentando que a detenção de Elemer justifica a publicação mais rápida dos dados bancários no WikiLeaks.
Os dois discos entregues a Assange revelam supostamente como os clientes do banco utilizaram contas nas Ilhas Caimão para fugir aos impostos. Da lista de clientes fazem parte cerca de 40 políticos e o Wikileaks diz que vai começar a divulgar a informação «em duas semanas», o mais tardar.
Ministra: novas regras nas indemnizações aproximam-nos de Espanha
«Analisámos o que se passa nos outros países da Europa e a necessidade de alinhar as nossas práticas com os demais, sobretudo o nosso principal concorrente em atracção de actividade económica», explicou Helena André aos jornalistas, à saída da reunião de concertação social, com os parceiros.
Na sua proposta, o Governo reduz de 30 para 20 dias a indemnização a ser paga por cada ano de trabalho em caso de despedimento, e impõe ainda um tecto de 12 meses para o pagamento dessa compensação. Condições idênticas às que agora vigoram na vizinha Espanha.
Mesmo com as novas regras, assegura, «continuamos a ser os dois países com regime mais generoso da Europa no que diz respeito às compensações por cessação do contrato de trabalho».
Fundo garante que pelo menos uma parte da indemnização devida é paga
Confrontada com a diferença salarial existente entre os dois países, a ministra limitou-se a defender que a proposta deve ser olhada com um todo.
«O objectivo é a criação de emprego e assegurar, com o novo mecanismo de financiamento, as compensações por cessação dos contratos de trabalho», disse. É que além de cortar o valor das indemnizações por despedimento, o Governo impõe também a criação de um fundo, pago pelas empresas, destinado a assegurar o pagamento de uma parte da indemnização, na hora do despedimento. Isto porque, reconhece a ministra, acontece frequentemente que, na hora dos despedimentos, as empresas não pagam o que devem aos trabalhadores.
«Acontece frequentemente as empresas não cumprirem as obrigações que têm para com os trabalhadores na hora de despedir» e este fundo pretende «garantir que os trabalhadores recebem pelo menos uma parte da compensação a que têm direito».
Ou seja: se, por um lado, a nova proposta penaliza os trabalhadores no valor da indemnização a receber, por outro lado, assegura que «pelo menos uma parte» da indemnização a quem têm direito lhes é efectivamente paga.
Ninguém começa a trabalhar de olho na indemnização
Para a ministra, o facto de uma medida garantir uma parte de um direito que os trabalhadores já têm e de a outra reduzir outro direito que os trabalhadores também já têm, não é problemático. Porque, «quando um trabalhador entra no mercado de trabalho, não entra a pensar de quanto será a indemnização se for despedido».
Para a ministra, o fundamental não é o valor da indemnização, mas sim «procurar condições para que trabalhadores e empresas possam competir num mercado trabalho cada vez mais competitivo». É que «não vivemos isolados numa ilha», lembra. «Temos de olhar para os outros países, sobretudo aqueles com quem estamos em concorrência directa».
As novas medidas são «importantes para criar e preservar o emprego», assegura Helena André.
Empresas é que têm obrigação de pagar o fundo
A ministra afastou a possibilidade de qualquer outra entidade, que não as empresas, contribuir para o fundo. «Quem tem obrigação de cumprir as responsabilidades são as empresas. Elas têm de começar também a pensar no cumprimento da obrigação».
O fundo será gerido por uma entidade pública e também por algumas entidades privadas, que serão seleccionadas por concurso público, mas «pertence às empresas, o Estado não quer ter nenhuma interferência nesse fundo».
A ministra recusou-se ainda a admitir os argumentos das empresas contra o fundo. Os patrões dizem não ter liquidez suficiente para pôr dinheiro num fundo, no qual não podem mexer.
As regras desse novo fundo, como o valor que as empresas terão de lá colocar, ainda não está definido. «Terá a ver com a percentagem da compensação que o fundo irá pagar».
Entrevistas de emprego: as perguntas mais inesperadas
O site norte-americano Glassdoor.com analisou 80 mil questões utilizadas nestas entrevistas e reuniu algumas das mais estranhas. Estas questões mostram que as empresas procuram pessoas com agilidade de raciocínio, que consigam abstrair-se das regras da lógica.
Goldman Sachs, analista
«Se você fosse encolhido para o tamanho de um lápis e posto numa misturadora, como é que sairia?»
Aflac, parceiro de vendas
«Qual é a filosofia das Artes Marciais?»
Boston Consulting, consultor
«Explique-me o que aconteceu neste país nos últimos 10 anos»
Capital One, analista de operações
«Classifique-se a si próprio, numa escala de 1 a 10. Quão estranho é você?»
Google, analista de pessoas
«Quantas bolas de basquetebol consegue enfiar nesta sala?»
Bloomberg LP Financial, desenhador de software
«De um total de 25 cavalos, escolha os três mais rápidos. Em cada corrida, apenas cinco podem correr ao mesmo tempo. Qual é o número mínimo de corridas necessárias?»
Facebook, engenheiro de software
«Dado os números de 1 a mil, qual é o número mínimo de palpites necessário para encontrar um número específico se lhe for dada a pista do «mais alto» ou «mais baixo» de cada vez que lança um palpite?»
Epic Systems, gestor de projecto
«Uma maçã custa 20 cêntimos, uma laranja custa 40 cêntimos, e um cacho de uvas custa 60 cêntimos. Quanto custa uma pêra?»
Apple, engenheiro de software
«Há três caixas, uma contém apenas maçãs, uma contém só laranjas, e uma contém laranjas e maçãs. As caixas foram identificadas de forma incorrecta e nenhuma das etiquetas identifica correctamente o conteúdo da caixa onde se encontra. Abrindo apenas uma caixa, e sem olhar lá para dentro, tira apenas uma peça de fruta. Olhando para a fruta, como pode etiquetar imediatamente as caixas de forma correcta?»
Argus Information & Advisory Services, analista
«Quantos semáforos há em Manhattan?»
Guardsmark, escritor
«O que têm a madeira e o álcool em comum?»
New York Life, agente comercial
«Porque acha que apenas uma pequena percentagem da população ganha mais de 150 mil dólares?»
Nielsen Company, analista
«Quantas garrafas de cerveja são bebidas na cidade ao longo da semana?»
US Bank, lugar no desenvolvimento do programa de liderança
«Como são feitos os M&M's?»
Volkswagen, analista de negócio
«O que faria se herdasse uma pizzaria do seu tio?»
Não desespere. Em algumas destas perguntas, o objectivo é averiguar a sua capacidade de raciocínio lógico. Mas, de acordo com os especialistas, há algumas em que não se espera que saiba a resposta certa. Os empregadores querem apenas ver se tem capacidade de improvisar e de se desenvencilhar de uma situação complicada.
O seu nome pode potenciar ou limitar o seu sucesso profissional
A par com a aparência, o nome - a primeira coisa que consta, por exemplo, do seu currículo - é um factor fundamental na formação de uma primeira impressão e, por isso, pode ser levado em conta pelos empregadores na hora de recrutar.
De acordo com um estudo norte-americano citado pela CNN Financial News, a influência do nome nas nossas vidas começa muito cedo. Logo na escola primária, é fácil encontrar as crianças com nomes começados por A entre os «preferidos» dos professores. Como muitas salas são ordenadas alfabeticamente, as crianças com nomes começados por A ficam frequentemente na primeira fila, mais próximas dos docentes. É mais difícil distraírem-se da aula e dispersarem a atenção, o que também pode influenciar a aprendizagem.
O estudo, de S. Gray Garwood, revela ainda que os alunos com nomes preferidos pelos professores conseguem melhores avaliações nos testes práticos, fixam objectivos mais ambiciosos e ajustam-se com mais facilidade.
À medida que a Internet assume um papel cada vez mais importante nas nossas vidas, convém também ter em conta que os empregadores podem procurar na Internet mais referências sobre os candidatos a um posto de trabalho. Por isso mesmo, um nome mais comum pode dificultar o processo, por tornar a pessoa em causa mais difícil de descobrir. Quanto menos comum for o nome, mais depressa os interessados podem descobri-lo, por exemplo, em redes sociais.
Cérebro humano associa nomes a traços de personalidade e áreas profissionais
O ser humano tem uma tendência natural para criar grupos. A forma como o cérebro humano funciona leva a que também tenhamos tendência para a associação, quando chega aos nomes.
Ainda que exista o perigo de os estereotipar, um estudo da Universidade de Ohio mostra que os empregadores pesam vários factores quando avaliam um candidato a um posto de trabalho, incluindo o nome e a forma como se adequa a uma determinada função.
O investigador James Bruning pediu a vários jovens que predissessem o sucesso de várias pessoas que estavam a começar as suas carreiras, com base na informação fornecida pelas próprias. Resultado: os jovens apontam que as mulheres com nomes mais femininos, como Emma e Irma, teriam mais sucesso em carreiras tradicionalmente ligadas ao género, como enfermeira, cabeleireira ou decoradora de interiores.
Os jovens esperam ainda que os homens com nomes mais masculinos, como Hank ou Bruno, tenham mais sucesso em carreiras tradicionalmente reservadas aos homens, como canalizador, camionista ou electricista.
Um dos maiores estudos sobre nomes foi conduzido pelo Sinrod Marketing Group junto de 75 mil adultos. De acordo com os inquiridos, estes são alguns dos nomes associados à inteligência: Abigail, Alexis, Grace, Leah, Meryl, Vanessa, Alexander, David, John, Kenneth, Samuel e Tim.
Os nomes associados a capacidades de liderança são: Ruth, Alexander, Dwight e Lance. Ao trabalho árduo são associados nomes como Adal, Ingrid, Mariel, Margaret, Jake, Manuel, Ron ou Todd.
Part-time aumenta em tempos de crise, mas diminui em Portugal
Nesta análise sobre as tendências mundiais do emprego para este ano, intitulado «Tendências Mundiais do Emprego 2011», a OIT destaca o rápido crescimento do trabalho em part-time nas economias desenvolvidas durante a crise e salienta que esta tendência se tem mantido, apesar da recuperação económica, «contrariamente ao que seria de esperar, tendo em conta a natureza contra-cíclica» deste tipo de emprego, como se lê no documento citado pela Lusa.
Nos países que foram fortemente afectados pela crise, a taxa depart-time aumentou consideravelmente: a Estónia, a Letónia e a Turquia estão entre os países cujo Produto Interno Bruto (PIB) mais diminuiu e registaram também grandes aumentos na taxa de emprego a tempo parcial.
No entanto, em Portugal, tal como em França e na Alemanha, a taxa de emprego em tempo parcial recuou.
Economia recupera, mercado laboral não
Além disso, o estudo adianta que a recuperação do mercado de trabalho está a ser mais lenta do que o crescimento económico, apontando para a existência de 205 milhões de desempregados em 2010.
Este número é praticamente idêntico ao do ano anterior, com a taxa de desemprego a manter-se nos 6,2%, acima dos níveis pré-crise de 2007 (5,6%).
A elevada taxa de desemprego contrasta, no entanto, com a recuperação económica evidenciada por indicadores como o PIB, o consumo privado, o investimento bruto e as trocas comerciais que ultrapassaram os níveis pré-crise em 2010.
«Muitas economias não estão a gerar suficientes oportunidades de trabalho para absorver o aumento da população em idade activa», refere a OIT, destacando que o rácio que mede a capacidade de gerar emprego de um país ou região desceu de 61,7% em 2007 para 61,2% em 2009, estimando-se que fique nos 61,1% em 2010.
Só nos países desenvolvidos, a taxa de desemprego subiu 8,8% no ano passado, sendo os jovens os mais afectados pela crise.
Houve uma recuperação desigual dos mercados de trabalho, com o desemprego a aumentar na União Europeia, Canadá, EUA, Austrália, Nova Zelândia, Israel, Japão, Islândia, Noruega e Suíça. Já na maioria dos países em desenvolvimento o cenário é de estabilidade ou melhoria ligeira.
A OIT prevê que o desemprego deve descer ligeiramente em 2011, mas ainda assim existirão mais 15 milhões de pessoas sem trabalho nos países desenvolvidos do que em 2007.
