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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Alemanha quer talentos portugueses. Por cá ninguém sabe de nada

O semanário alemão «Der Spiegel» noticiou há dias que os democratas-cristãos alemães da chanceler Angela Merkel querem compensar a falta de quadros técnicos na Alemanha atraindo jovens de Portugal e Espanha. Por agora, a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã desconhece quaisquer «iniciativas concretas».

«Acho que seria benéfico para ambos os países, porque Portugal tem um desemprego elevado entre os jovens, e na Alemanha a falta de força de trabalho qualificada é cada vez mais premente», disse à Lusa o vice-presidente do grupo parlamentar da CDU, Michael Fuchs.

O político conservador, esclareceu, no entanto, que «se trata de uma ideia que está a ser debatida a nível da CDU», e também do outro partido do governo os Liberais, «mas não há ainda planos concretos sobre formas de angariação» por exemplo.

«As novas tecnologias são um dos domínios com mais falta de especialistas, mas há muitos outros sectores para os quais se podem angariar jovens trabalhadores estrangeiros, já com cursos superiores ou com o ensino médio concluído, para fazerem a formação profissional aqui». Fica em aberto para quando virá o recrutamento: «Ainda não falámos de medidas práticas».

Um porta-voz da Confederação Alemã dos Empregadores (BDA) considerou «prematuro» comentar planos a nível partidário ou parlamentar para angariar jovens trabalhadores de outros países. O mesmo responsável lembrou, porém, que, até 2030, faltarão no mercado alemão 5,2 milhões de trabalhadores, dos quais 2,4 milhões com cursos superiores.

Só no domínio das matemáticas e da engenharia, no ano de crise de 2009 faltavam 63 mil especialistas e, se não forem tomadas medidas, até 2020 faltarão 230 mil.

A evolução demográfica, caracterizada por uma baixa taxa de natalidade nos últimos anos, agravará a situação, e em 2030 deverá haver apenas 42 milhões de pessoas na idade activa, entre os 20 e os 65 anos, menos um quinto do que actualmente, segundo o Instituto Federal de Estatística (Destatis).

A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã desconhece quaisquer «iniciativas concretas» que visem o recrutamento de profissionais portugueses que queiram trabalhar na Alemanha.

Mas, diz o director-geral, Hans-Joachim Böhmer, a economia alemã está em «franca recuperação», deparando-se com um «problema sério» até meados deste século, com a necessidade de recursos humanos especializados.

A Câmara alemã, neste contexto, apenas pode aconselhar os jovens portugueses a enviar candidaturas espontâneas para as agências de recrutamento na Alemanha.

Adicionalmente, sugere aos interessados a consulta do seu sitewww.ccila-portugal.com, no qual se compromete a divulgar todas situações de recrutamento por parte de empresas alemãs ou medidas oficiais que venham a ser tomadas.

Na Alemanha existem quase sete milhões de imigrantes, um terço dos quais oriundos da Turquia, de longe o país com a maior comunidade estrangeira, e perto de 116 mil portugueses, a maioria dos quais da primeira geração, que começou a chegar em meados dos anos sessenta.

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