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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Petróleo: «Não há espaço para preços dispararem»

O preço do barril de petróleo deverá estabilizar entre os 100 e os 110 dólares, na perspectiva do presidente da Partex que não acredita que o barril volte a atingir este ano os preços de 2008, altura em que rondava os 150 dólares.

«A curto prazo, penso que este ano os preços chegarão aos 100, 110 dólares. Não estou a ver no mercado grande espaço para uma disparada, a não ser que haja uma guerra com o Irão, um bloqueio no Estreito de Ormuz ou alguma situação geopolítica anormal», afirmou António Costa Silva, em entrevista à agência Lusa.

Apesar da escalada paulatina dos preços no crude nas últimas semanas, «há diferenças muitas grandes entre o que se passa hoje e o ciclo que conduziu a 2008».

É que agora existem mais stocks acumulados, maior capacidade de refinação e a OPEP tem maior capacidade excedentária de produção. A «Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos já deram sinais evidentes no mercado que estão a aumentar a sua produção».

A Arábia Saudita «não está interessada que o preço chegue a patamares muito elevados, porque não só põem em causa os patamares de crescimento da economia mundial, como a seguir leva a um ciclo de baixa procura, com o colapso da procura».

Até o próprio ministro saudita do petróleo, Ali al-Naimi, já veio dizer que «os 80, 85 ou 90 dólares por barril seria o patamar máximo» ideal e que o reino tudo faria «para o fazer».

A indústria petrolífera está consciente que «os preços altos tornam ainda mais viáveis e competitivas todas as formas de energia alternativas», nomeadamente as renováveis.

António Costa Silva é também pragmático em relação às necessidades energéticas mundiais. «Hoje consumimos à volta de 87 milhões de barris de petróleo por dia. Isto significa que há uma piscina olímpica que se esvazia a cada 15 segundos, são mais de 5.500 piscinas olímpicas por dia, é uma sociedade em bulimia energética».

Se é expectável uma estabilização do preço do barril de petróleo no curto prazo, no longo prazo cenário torna-se mais sombrio.

«A expectativa do crescimento do consumo nos próximos 25 anos é da ordem que se venha a atingir os 115 milhões de barris por dia».

A somar à crescente procura de petróleo por parte das economias emergentes, a indústria petrolífera debate-se ainda com o declínio da capacidade de extracção.

«A Agência Mundial de Energia fez um estudo dos 800 campos de petróleo mais ativos no mundo e eles estão em declínio de 6,7%. Isto é, só para repor o declínio da produção desses campos, sobretudo nos países não-OPEP, vamos precisar de quatro a seis novas Arábias Sauditas».

É preciso «olhar para todas as outras fontes de energia, como a nuclear ou os hidratos de metano, além das renováveis». Caso contrário «o planeta pode estar confrontado com um colapso».

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