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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Moody’s diz que corte do "rating" português depende da evolução das exportações

“Identificamos as previsões de crescimento como um dos factores chave”, afirmou Anthony Thomas, analista da Moody’s para Portugal numa entrevista à Bloomberg.

“Temos notado que nos últimos trimestres temos assistido a um desempenho bom nas exportações. Isso é sustentável? Essa é uma das questões que vamos ter que responder como parte de revisão do processo”, explicou o responsável.

A Moody’s disse, dia 21 de Dezembro, que poderia baixar o “rating” nacional em dois níveis. A agência deverá anunciar até ao final de Março o provável corte do “rating” de Portugal, em um ou mais níveis, mas essa avaliação irá continuar dentro da escala de investimento, indicou o vice-presidente da agência, Anthony Thomas, em entrevista à Lusa.

O Governo liderado por José Sócrates está a contar com as exportações para ajudar a sair da crise. As medidas de austeridade, que foram anunciadas, tem como objectivo convencer os investidores de que Portugal vai cumprir as metas orçamentais a que se propôs.

No entanto, os juros não têm aliviado muito desde o anúncio. As taxas de juro a que estão a ser negociados os títulos da dívida pública portuguesa estão hoje a ceder ligeiramente, num movimento que se estende às obrigações soberanas espanholas.

Segundo os preços genéricos calculados pela agência Bloomberg, as taxas de juro subjacentes à dívida portuguesa a dez anos estão a ceder 3,5 pontos base, mantendo-se, ainda assim, acima da fasquia dos 7% (em 7,035%) que o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, admitiu em Dezembro poder forçar o Governo a ponderar um pedido de ajuda externa.


Citado pela Reuters, o vice-presidente da Moody’s, Anthony Thomas, alertou aliás para o facto de Portugal precisar aceder a financiamento a taxas sustentáveis e que apesar de os recentes leilões de dívida terem sido bons não se pode retirar daí uma tendência.

Portugal “tem necessidade de aceder a fundos a uma taxa sustentável”

Anthony Thomas sublinhou que “será bom para Portugal ter os custos do serviço da dívida relativamente baixos – se vem do fundo (EFSF) ou não, não é algo sobre o qual devemos especular” e que o país “tem necessidade de aceder aos fundos a uma taxa sustentável”.

Para o responsável, a questão de saber se “as taxas actuais são sustentáveis” fará parte do processo de revisão do ‘rating’ de Portugal, que está em curso.

"Nós vamos estar a olhar para isso como parte do processo e certamente não vai depender dos resultados de um leilão”, explicou, acrescentando que Portugal teve um “bom” leilão de obrigações na semana passada aparentemente mais um hoje, mas “não se pode retirar uma tendência com base em dois leilões”.

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