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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Teodora Cardoso: «Não ir ao fundo depende de nós»

Mais do que estarmos preocupados com a necessidade de recorrer ou não ao fundo de resgate do FMI/União Europeia, o futuro do país «depende de nós», ou seja, de um programa definido, defendido e aplicado pelos nossos governantes. A opinião é da administradora do Banco de Portugal (BdP) Teodora Cardoso.

«Portugal não vai, de certeza, resolver a crise simplesmente através da chegada do Fundo. Não ir ao fundo depende de nós. É preciso criar um programa económico acertado, defendê-lo e aplicá-lo de forma rigorosa», defendeu a especialista, numa crítica ao nome da conferência «Portugal 2011: vir o Fundo ou ir ao fundo?», que decorre em Lisboa.

«Isso não quer dizer que não precisemos de apoio, mas o programa deve ser definido por nós», acrescentou Teodora Cardoso, explicando: «Politicas económicas impostas pelo exterior implicam que, quando houver uma melhoria, se retroceda e pensemos que podemos voltar à boa vida».

Para a responsável do BdP, não vale a pena encontrar responsáveis: «Em última instância somos todos nós, já que, à excepção da Alemanha, nenhum país se disciplinou e resistiu aocanto da sereia das baixas taxas de juro e dos reduzidos prémios de risco vividos na primeira década deste milénio».

Por isso, é preciso fazer as reformas estruturais «que já deveríamos ter feito há uns anos atrás»: «Agora temos de mudar de vida».

Fuga de cérebros é pior do que crise da dívida

E Teodora Cardoso apresenta duas sugestões: aposta no emprego qualificado e no reforço da Função Pública.
A saída de cérebros «era a pior tragédia para o país. Era pior do que a crise da divida externa, se deixa-se-mos que isso acontecesse», alertou a economista, perante uma plateia no auditório da Faculdade de Direito de Lisboa.

A administradora do BdP justificou, assim, que «temos de ter um programa coerente de reformas, para motivar o país e, principalmente, os jovens mais bem qualificados».

Teodora Cardoso defendeu, ainda, o reforço da Administração Pública: «Não podemos pô-la cada vez mais no gueto. Precisa de ser gerida de outra maneira e ser mais competente».

Comparando com o apoio do FMI na década de 80, a administradora do BdP mostra as diferenças: «Estamos numa situação muito diferente. Hoje temos de fazer duas coisas muito difíceis: reduzir o endividamento externo e incentivar o investimento. Já nos anos 80 tínhamos, precisamente, de mostrar que éramos capazes de nos endividar mais».

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