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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Vítor Bento: “Ninguém está a reconhecer” o problema da dívida externa

“A dívida externa é a dívida para a qual pouca gente está a olhar. Ninguém está a reconhecer a existência deste problema”, disse hoje Vítor Bento, durante a conferência “Portugal 2011: vir o Fundo ou ir ao fundo”, que está a decorrer na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

De acordo com o actual presidente das SIBS, a dívida externa bruta nacional ronda actualmente os 230 por cento do PIB, enquanto a dívida líquida anda pelos 110 por cento. “É a mais alta da União Europeia e uma das mais altas do mundo desenvolvido”, afirma, acrescentando que é a insustentabilidade desta dívida que expõe países como Portugal às dificuldades de financiamento que tem.

“É por causa da dívida externa que Portugal tem mais dificuldades em se financiar do que a Itália ou a Bélgica, apesar de estas terem níveis de dívida pública mais elevados”, explica o economista.

Vítor Bento destaca ainda que, desde 1960, o défice da balança comercial nacional nunca ficou abaixo dos cinco por cento do PIB, pelo que “o esforço que hoje temos de fazer é inaudito, porque nunca foi conseguido”.

Crédito bancário vai diminuir

De acordo com o economista, para manter a solvabilidade da economia, esta teria de crescer sempre dois pontos percentuais acima das taxas de juro, o que não é possível.

Portugal só tem, por isso, três opções. Em primeiro lugar, reduzir o stock da dívida, vendendo activos que o país tem no exterior para pagar parte da dívida. Em segundo, vender activos das empresas nacionais ao estrangeiro. Em terceiro, proceder a uma contracção muito grande do défice primário.

Vítor Bento considera que a economia portuguesa acabará por ter de tomar todas estas medidas, mas o reequilíbrio virá essencialmente da terceira via. E graças a um fenómeno: “a regressão do crédito bancário”. “Os bancos estão mais expostos a este processo de desalavancagem da economia e vão ter de reduzir o crédito, o que terá consequências sérias no funcionamento da economia”, avisa Vítor Bento.

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