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sexta-feira, 25 de março de 2011

Habitação: juro implícito sobe há 8 meses consecutivos

A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito à habitação voltou a aumentar em Fevereiro pelo oitavo mês consecutivo, tendo crescido 0,043 pontos percentuais face a Janeiro para se situar nos 2,144 por cento.

Ainda assim, este aumento é menor do que o verificado entre Dezembro e Janeiro, quando o crescimento foi de 0,056 pontos percentuais.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), desde Junho de 2010, quando se verificou o valor mínimo da sua série, a taxa de juro dos contratos de crédito à habitação já cresceu 0,341 pontos percentuais.

O valor da prestação média vencida em Fevereiro fixou-se nos 262 euros, numa subida de um euro face a Janeiro.

Taxas aumentam em todos os períodos

As taxas de juro aumentaram em Fevereiro para todos os períodos, «embora de menor intensidade que os verificados em Janeiro», afirmou o INE.

Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro subiu em Fevereiro 0,113 pontos percentuais face a Janeiro para 3,073 por cento.

«Comparativamente a Março de 2010, mês em que se atingiu a taxa mínima da série, o aumento acumulado foi de 1,055 pontos percentuais», segundo o INE.

Nestes contratos, o valor da prestação média vencida aumentou sete euros face ao mês anterior, situando-se nos 352 euros.

Nos contratos celebrados nos últimos seis meses o aumento da taxa de juro implícita mensal foi de 0,140 pontos percentuais, com a prestação média a situar-se nos 342 euros, e 0,101 pontos percentuais nos contratos celebrados nos últimos 12 meses, fixando-se a prestação neste caso em 329 euros.

O valor médio em dívida para os contratos em vigor situou-se nos 56.946 euros em Fevereiro, mais 48 euros que em Janeiro.

Por destino de financiamento, os valores médios de dívida nos contratos de aquisição de habitação aumentaram 44 euros 30 euros no caso da construção de habitação.

Merkel pressiona oposição a confirmar metas de défice

A chanceler alemã pressionou esta sexta-feira de manhã o Governo e a oposição portugueses a clarificarem o seu compromisso com as metas orçamentais já estabelecidas com Bruxelas.

À saída do Conselho Europeu, Ângela Merkel considerou que o compromisso de Portugal com as metas orçamentais é essencial para acalmar os mercados financeiros.

Um recado deixado no mesmo dia em que as taxas de juro das obrigações do Tesouro português atingiram novos máximos. Nos prazos acima de 5 anos ultrapassaram a barreira dos 8%.

A líder do Governo alemão considerou ainda que as condições políticas para assegurar o euro estão agora concluídas, e que apenas os detalhes técnicos ficaram para definir no final de Junho.

Para Merkel, só o tempo dirá se as medidas tomadas serão suficientes para combater a crise da dívida pública na moeda única.

Para já, é apenas certo que o mecanismo europeu de estabilidade (MEE), que vai substituir o actual fundo europeu de estabilização financeira (FEEF) a partir de meados de 2013, vai ter um rating de AAA.

Petrolíferas: «se baixarmos preços, temos prejuízo»

As petrolíferas dizem que não é possível baixar o preço dos combustíveis sete ou oito cêntimos, como tem defendido o ex-presidente da Autoridade da Concorrência (AdC), Abel Mateus. «Uma redução média daquela ordem de grandeza acarretaria com certeza prejuízos, tanto para as empresas distribuidoras como para os retalhistas», avisa.

Numa carta aberta ao professor, a que a Agência Financeirateve acesso, a Associação Portuguesa das Empresas Petrolíferas (Apetro) questiona a «sustentação» da análise de Abel Mateus, e lembra que a margem bruta (calculada pela diferença entre o preço médio antes de impostos e a cotação de referência do produto refinado) ronda os 12 a 14 cêntimos por litro.

«A maior parte deste valor é utilizado para cobrir os custos de armazenagem, distribuição e comercialização, incluindo as promoções e descontos, sobrando uma pequeníssima quantia para gerar o lucro que qualquer actividade tem que ter para poder sobreviver, investir e remunerar os seus accionistas».

Se não há mais terminais é porque são muito caros

A associação refuta também o argumento do antigo regulador, que defende construção de novos terminais e que a armazenagem e os oleodutos não estejam nas mãos das gasolineiras. «Não existem actualmente em Portugal quaisquer barreiras administrativas à construção e exploração de novos terminais. O recente terminal de Aveiro, que não é detido por nenhuma das nossas Associadas, é um exemplo dessa realidade», refere a Apetro.

Para as petrolíferas, «se outros ainda não foram construídos, isso dever-se-á exclusivamente à falta de investidores e de viabilidade económica de eventuais novos projectos».

Mais importadores implicaria um aumento do custo

Para além disso, frisa, «também não existem quaisquer barreiras à importação directa de combustíveis refinados».

Mais: «Se se entregasse esta actividade a uma entidade autónoma, isso implicaria mais um elo na cadeia de valor com a consequente necessidade de assegurar uma remuneração certa do negócio (¿) traduzindo-se muito provavelmente num aumento do custo final».

De qualquer modo, ressalva, esta parcela de custo, segundo dados publicados pela AdC, tem um valor total na ordem dos 2c/l, pelo que não se vislumbra de onde poderiam vir os tais benefícios.

Se portugueses querem serviços têm de pagar por eles

A Apetro pronuncia-se ainda sobre o licenciamento de novas gasolineiras. «Concordamos com a ideia de facilitar o licenciamento de novos postos de abastecimento embora não nos pareça que haja falta de postos. Contudo, isso deve ser feito de uma forma equitativa, de modo a que as mesmas regras se apliquem a todos, sem que se crie um favorecimento especial a um determinado tipo de operador em detrimento de outros, como vem acontecendo ultimamente, em clara distorção das regras de sã concorrência».

Para a Apetro, as gasolineiras das marcas de referência são prejudicadas face às de marca branca, como são conhecidas as bombas agregadas às grandes superfícies comerciais. «Muitas vezes essas empresas aproveitam terrenos de parques de estacionamento, que são mais baratos, para construir o posto de abastecimento. As empresas tradicionais não podem fazer isso. O facto de pagarem mais pelo terreno tem implicações nos custos e também tem de se reflectir nos preços», explica fonte da associação à AF.

«Porque é que não há bombas de marcas brancas nas auto-estradas? Porque os terrenos são mais caros, é preciso um conjunto de serviços agregados, área de lazer, restauração, instalações sanitárias, etc. Tudo isso contribui para a estrutura de custos. Até os salários são diferentes. Pensem nos funcionários desses postos, que todos os dias têm de se deslocar pela auto-estrada para chegar ao local de trabalho e para voltar para casa. Tem despesas acrescidas que é preciso ter em conta», sublinha, concluindo que «se as pessoas querem serviços com qualidade, têm de pagar por eles».

Juros da dívida acima de 8% em quase todos prazos

Uma crise total - nos campos económico, financeiro, político e social - com repercussões nos mercados da dívida. Os juros a 10 anos acabam de bater um novo máximo histórico, nos 8,061%, rapidamente ultrapassado pelos 8,069% e 8,075% verificados minutos depois. E a escalada continua: estas Obrigações do Tesouro já vão nos 8,257%, patamar alcançado 8h52.

Sessão de recordes também nos juros a cinco anos que atingiram às 08h33 os 8,518% e já voltaram a renovar máximos, nos 8,583%, às 08h59 e nos 8,597% às 9h07.

Estamos a falar dos valor mais altos neste prazos desde a entrada de Portugal no euro, atingidos durante uma sessão, o que reflecte o descrédito crescente dos mercados em relação à capacidade de o país levar a cabo os seus compromissos.

E isso reflecte-se na subida imparável do spread, ou seja, da diferença entre o que os investidores exigem para adquirir dívida portuguesa em detrimento da alemã, que é a que serve de referência. Esse indicador já vai nos 480,8 pontos base, numa escalada imparável desde segunda-feira, dia em que estava nos 430.

Têm sido os juros a cinco anos a bater recordes sucessivos nas últimas sessões, mas a crise política em Portugal está a ter efeitos na escalada dos vários prazos.

Acima dos 8% estão também os juros a quatro (8,113%), seis(8,181%), sete (8,249%), oito (8,199%) e nove (8,101%).

E depois, esta é uma sexta-feira de ressaca, com o corte derating que Portugal sofreu por parte da Fitch e da Standard & Poor`s: um revés de dois níveis em cada uma das avaliações, sendo que, no segundo caso, Portugal está cada vez mais perto do pior nível de todos - o lixo.

O nervosismo cresce, cresce e Portugal está cada vez mais perto do dia D: o dia em que terá de pedir ajuda externa. De Bruxelas, as pressões são cada vez maiores.

Euro estável à espera das conclusões da cimeira

A cotação da moeda única europeia face ao dólar está a esta hora estável face à sessão de quinta-feira, negociando nos 1,4166 dólares. Os investidores aguardam pelas conclusões dacimeira europeia para arriscar mais.

Certo é que esta sexta-feira o euro já caiu de um nível bem próximo do valor mais elevado em mais de um ano em relação ao dólar.

Entretanto, a cautela impera e a conjuntura não é de grande ânimo, uma vez que Portugal reitera a sua oposição à ajuda financeira. Os mercados continuam sem confiar no país. Ainda ontem, a Fitch e a Standard & Poor`s cortaram o rating da dívida nacional em dois níveis cada um.

E os juros da dívida soberana portuguesa estão já acima dos 8% em quase todos os prazos. É uma escalada que bate sucessivos recordes.

PSI20 fecha a perder 0,18% para os 7.854,18 pontos

A bolsa de Lisboa fechou a sessão desta sexta-feira a perder 0,18% para os 7.854,18 pontos, a contrariar a tendência das restantes praças mundiais.

A pressionar a bolsa ficaram as acções da banca, com o BCP a perder 1,91% e a liderar as quedas do PSI20.

Do lado oposto, Sonaecom e Jerónimo Martins avançaram mais de 1%, Sonae Indústria liderou ao subir 2,10%.

De resto, an Europa o dia foi de ganhos, com Londres em primeiro lugar ao subir 0,49%. No EUA tudo no verde, impulsionado pelos bons dados económicos revelados hoje: Nasda avança 2,02% e Dow Jones sobe 0,71%.

Petróleo: Líbia contribui para subida dos preços

Os preços do petróleo continuam a subir nos mercados internacionais, ainda com a Líbia a influenciar as negociações.

Os receios de que a instabilidade sentida no Médio Oriente e Norte de África interrompa com maior intensidade o fornecimento da matéria-prima estão na base do nervosismo que faz mexer as cotações. Os cortes na produção e fornecimento do «ouro negro» reduzem a oferta, logo, os preços sobem.

Neste momento, o Brent do Mar do Norte, que serve de referência às importações portuguesas está a subir 0,09 por cento para 115,82 dólares.

Em Nova Iorque, o crude está a somar 0,15, com cada barril a valer 105,71 dólares.

Por um fio: Estado só tem dinheiro até Abril

O quadro é negro e os recordes sucessivos nos juros da dívida soberana nacional são um reflexo disso mesmo. Precisamente por causa dos empréstimos que o país contrai para pagar dívida (ou seja, outros empréstimos), o Estado está a ficar sem dinheiro. O mealheiro fica vazio em Abril.

Como escreve o «Correio da Manhã», o dinheiro «acaba» mesmo no mês que vem, já que no dia 15 de Abril vence um empréstimo de 4,4 mil milhões de euros de Obrigações do Tesouro a 10 anos - capital e juros incluídos. E faltam dois mil milhões de euros aos cofres do Estado para honrar este compromisso.

Mas o pior ainda está para vir. Se em Abril o dinheiro acaba, Junho é o mês fatal. No dia 15 desse mês, o país precisa de pagar mais 4,9 mil milhões e 254 milhões de euros em juros, segundo a Bloomberg, por causa do empréstimo cujo prazo de reembolso termina nesse dia.

Depois, há outras despesas que o Estado soma: mais de dois mil milhões de euros em salários dos funcionários públicos e subsídios de férias; e outro montante para saldar empréstimos de duas empresas públicas - são precisos 300 milhões para a Refer e 75 milhões para CP.

Portugal está à beira do colapso? As necessidades de financiamento de Portugal até ao final do ano são ainda maiores e é preciso arranjar dinheiro para pagar os empréstimos contraídos. E o país está a ficar sem dinheiro e logo na altura em que o Governo se demite.

A ajuda que a União Europeia poderá dar às contas públicas, no caso de o resgate acontecer, será à volta de 75 milhões de euros, segundo o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Passos admite subir impostos sobre consumo, incluindo IVA

O líder do PSD pronunciou-se finalmente sobre uma possível subida de impostos, se o seu partido vier a formar Governo. Passos Coelho diz que, numa altura em que se desconhece a verdadeira situação das contas do país, não pode afastar uma mexida nos impostos. Mas a aumentar algum imposto, garante, será apenas os que incidem sobre o consumo e não sobre o rendimento.

Ou seja, está afastado um aumento de IRS ou IRC, mas fica em aberto um aumento da taxa de IVA ou de impostos especiais sobre o consumo, como o do tabaco, álcool ou produtos petrolíferos (combustíveis).

Em declarações aos jornalistas, o líder social-democrata diz que o único compromisso que pode assumir nesta altura com os portugueses é que não tomará medidas que afectem as pensões e reformas mais degradadas, quer através de aumento de impostos quer de corte de rendimentos.

Já esta quinta-feira de manhã o secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, admitiu a possibilidade de aumentar a taxa normal de IVA, que se encontra actualmente em 23%, para 24 ou 25%, caso o seu partido chegue ao poder. A possibilidade foi avançada pelo jornal «Correio da Manhã» e o secretário-geral, questionado pela «TSF» não afastou este cenário e defendeu que o futuro político do país tem que passar por eleições antecipadas. «Está tudo em aberto», afirmou.

A subida do IVA pode assim constar dos compromissosassumidos pelo líder social-democrata, esta quinta-feira de manhã em Bruxelas, onde esteve com Ângela Merkel e onde terá assumido outro compromisso, o de não cortar salários nem pensões.

O líder da bancada parlamentar do PS, critica o que o PSD vem agora admitir. Francisco Assis diz que aumentar o IVA é uma«solução injusta», porque é um aumento indiscriminado sobre todos os portugueses, quaisquer que sejam os seus recursos económicos e sociais. Já o CDS-PP, demarca-se desta medida.

Entretanto o conselheiro nacional do partido, o economista Nogueira Leite, pediu já ao PSD que mostre o que vai fazer diferente
do PS, um apelo para que os laranjas não caiam na tentação de seguir o mesmo caminho dos socialistas.

Euribor voltam a bater máximos de 2009

É mais uma escala das taxas euribor. As taxas a três e a seis meses voltaram esta quinta-feira a bater máximos de 2009.

A Euribor a três meses volta a crescer 0,006 pontos, desta vez para 1,197%. É o valor mais alto desde o final de Junho de 2009, segundo o fixing diário da Federação Europeia de Bancos.

A maturidade a seis meses, o principal indexante do crédito à habitação em Portugal, sobe 0,005 pontos para 1,506%, também o valor mais alto, mas desde Maio de 2009.

Já a Euribor a 12 meses avança 0,004 pontos para 1,953%.

As taxas Euribor iniciaram uma tendência de subida desde que o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, admitiu que a instituição pode subir a taxa de referência, em 1% há 22 meses, já em Abril.

Juros recorde nos 8,5% com crise política ao rubro

É uma reacção esperada por parte dos mercados, tal como aOCDE já tinha antecipado. Os juros da dívida dispararam para um novo recorde a cinco anos, às 7h40, nos 8,363%. E já acentuaram a escalada: o novo máximo é de 8,401%, alcançado às 8h22. Recorde atrás de recorde, os juros subiram para os 8,422% às 08h28 e para os 8,444% às 8h38. Minutos depois, chegou a vez dos 8,445%, dos 8,455%, dos 8,465%, 8,47% e 8,509% - sucessivos valores máximos desde a entrada de Portugal no euro. O nervosismo e o stress estão instalados depois do chumbo do PEC 4 e da demissão consequente do primeiro-ministro.

Também as Obrigações do Tesouro a 10 anos estão em níveis perigosos. Hoje já chegaram aos 7,977%, negociando agora nos 7,943%.

A escalada é generalizada mesmo nos prazos mais curtos. Os juros a dois anos negoceiam nos 7,05%, a três anos nos 7,71% e a quatro anos nos 7,88%, por exemplo.

O spread, ou seja, a diferença entre o que os investidores cobram para adquirir títulos de dívida nacionais a 10 anos, em detrimento dos alemães, (que são, de resto, os que servem de referência) está imparável, nos 471,6%. Este indicador não tem parado de subir desde o início desta semana, uma semana que se sabia decisiva para o rumo de Portugal.

Na Irlanda e na Grécia, países que já foram socorridos, os juros continuam em níveis máximos. No primeiro caso, negoceiam nos 10,13% e no segundo nos 12,65%.

Com a crise política, económica e social ao rubro, o primeiro-ministro chega esta sexta-feira a Bruxelas para uma cimeira europeia importante já demissionário, embora o Presidente da República só aceite formalmente o pedido depois desta reunião entre os líderes europeus.

Se inicialmente se esperavam soluções decisivas desta cimeira europeia, soube-se ontem que os líderes da União Europeia estão preparados para adiar a decisão sobre o fortalecimento do fundo de resgate europeu para depois da do encontro, penalizando ainda mais a confiança dos mercados e prolongando a crise do euro. Os efeitos já se estão a fazer sentir. Os mercados não tréguas a Portugal. O descrédito é cada vez maior.

Bruxelas distancia Espanha de Portugal, mas...

O vice-presidente da Comissão Europeia distancia Espanha da situação em Portugal, considerando que os mercados já estão a olhar para os dois países de forma diferente.

«Qualquer pessoa que olhe para os mercados financeiros vê, há algum tempo, que a evolução dos índices» de Espanha «está claramente separada» da de outros países, como Portugal, Irlanda ou a Grécia, disse esta quinta-feira Joaquin Almunia, citado pela Lusa.

Por isso manifestou-se convicto que Espanha será «capaz de vencer» as tentativas de especulação dos mercados, graças a reformas «necessárias» que levou a cabo. Almunia não descarta eventuais efeitos especulativos da situação portuguesa nos mercados da dívida, mas afirma que Espanha poderá responder; se fizer os deveres, «pode fazer perder muito dinheiro aos especuladores» nos mercados. «Espero que assim aconteça».

Sobre a demissão de Sócrates, Almunia salientou a governação «com coragem» e disse que o «entristece»: «O Governo de Sócrates caiu com muita dignidade».

A pressão sobre a dívida de Espanha

Também aos analistas consideram que o efeito de contágio da crise portuguesa na dívida espanhola deverá ser reduzido.

Alguns admitem que poderá haver um efeito «a curto prazo», mas destacam as diferenças das situações nos dois países, com Espanha a registar quedas nos juros da sua dívida apesar da descida de rating e da situação portuguesa.

José Luis Martinez Campuzano, responsável de estratégia da Citi, considera, por exemplo, que o efeito em Espanha será reduzido, notando que «Portugal não tem um problema de solvência, mas um problema económico¿»que pode ser resolvido a médio prazo. «No pior dos casos haverá um aumento de tensão que, em parte, já está contemplado nos preços», refere, citado pela imprensa espanhola.

«Uma segunda leitura seria precisamente que a possível ajuda assegura que o país evitaria o cenário de insolvência a médio prazo», sublinha, considerando imprescindível que Espanha continue a fazer o seu trabalho.

Apesar da relativa confiança, os analistas recordam a exposição financeira e económica de Espanha a Portugal. Os últimos dados do Banco Internacional de Pagamentos referem que a exposição à divida publica e privada portuguesa ronda os 71 mil milhões de euros.

Além disso há 1.400 empresas com investimentos estáveis em Portugal «onde são responsáveis por cerca de 9 por cento do PIB» do país, com o Santander, por exemplo, a ter na sua filial portuguesa activos no valor de 38 mil milhões de euros.

«Apesar dessa forte presença, não se alastrou o medo nos mercados. A situação económica lusa é má agora, mas é um país solvente a médio e longo prazo», escreve o «El Mundo».

«Crise em Portugal é política»

Certo é que em Espanha o cenário não é por agora muito positivo. Embora a ministra da Economia espanhola tenha dito hoje que a crise em Portugal é «neste momento política» e que é preciso esperar «para ver quais serão as eventuais consequências» económicas», a verdade é que o risco da dívida espanhola subiu hoje sete pontos base para os 200, com o diferencial entre os títulos espanhóis e alemães consolida assim o ligeiro aumento que já tinha experimentado na quarta-feira, com o rendimento dos títulos a 10 anos a aumentar de 5,173 para 5,2 por cento.

Para além disso, a agência de notação Moody`s baixou orating em um ou dois níveis a 30 bancos e caixas espanholas, embora tenha mantido a nota das três maiores entidades financeiras do país: BBVA, Santander e La Caixa. Tudo por causa da maior pressão financeira sobre a dívida soberana espanhola e sobre muitos bancos «débeis».

Regras do Eurostat fazem disparar dívida pública

Antes não entravam nos cálculos do défice e da dívida. Mas segundo as regras definidas pelo Eurostat, o Instituto Nacional de Estatística vai incluir o passivo de empresas públicas, como as dos transportes, o que irá elevado o nível da dívida nacional.

O «Público» avança na sua edição desta quinta-feira que a partir de 2010, e nos anos seguintes, o valor da dívida pública oficial vai aumentar exponencialmente. Mesmo face aos números já avançados pelo Governo. A explicação é fácil: a dívida das empresas públicas há anos que é desorçamentada e não entra na contabilização pública do dinheiro gasto.

Agora a dívida pública sofre um agravamento, e que segundo Bruxelas a deverá colocar já acima dos 90% do PIB.

Segundo o «Público», neste novo cálculo estarão integradas algumas empresas públicas, sendo a Refer, uma delas, mas fonte do INE não quis confirmar a lista das entidades que vai passar para a coluna do «deve» nas contas do Estado.

O jornal fez as contas e só a inclusão da Refer, que gere a infra-estrutura ferroviária, vai colocar a dívida pública acima dos 90% do PIB já este ano. O passivo da empresa ascende a 6031,4 milhões de euros, o que equivale a cerca de 3,5% do PIB. Na proposta do PEC do Governo, estimava-se que a dívida pública seria de 82,4% em 2010 e 89,9% em 2011: contas feitas, incluindo só a Refer, chegaríamos aos 91,4%. Mas o valor pode ser ainda mais elevado, sublinha o artigo do «Público»: basta incluir os metros de Lisboa e do Porto.

Dívida por um lado e défice por outro. Os défices também serão afectados: ontem o «Diário Económico» noticiou que as imparidades do BPN, que ascendem a 1,1% do PIB, e o buraco de empresas públicas de transportes terão de ser incluídas, o que fará disparar o nível do défice para valores superiores a 8%.

Em reacção a esta alteração imposta pelo Eurostat, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, admitiu que por as empresas públicas de transportes deverão ser incluídas no perímetro das administrações públicas, o que faz subir os gastos do Estado.

Bruxelas está a trabalhar com o INE para corrigir estes erros na contabilização do sector dos transportes, obrigando a que, tanto para Portugal como para outros estados, sigam regras de contabilidade idênticas, e que obrigará que a incluam as imparidades financeiras nas suas contas.

Bolsa: Lisboa ignora Fitch e sobe 1%

A praça nacional ignorou o corte de rating da República portuguesa, em dois níveis, por parte da Fitch, anunciado minutos antes do fecho e já esperado pelos investidores, e encerrou no verde, a acompanhar a tendência das pares da Europa.

O PSI20 fechou a valorizar 1,12%, para os 7.868,07 pontos, com 19 títulos em alta.

Os investidores já tinham descontado o chumbo do PEC 4 e a consequente queda do Governo - que motivou o corte da Fitch - nas sessões passadas. Nas últimas duas sessões, o PSI20 acumulou perdas de 2,5%. Por isso, hoje a bolsa fechou no verde.

A subir mais de 2% ficaram a acções da Mota-Engil, Jerónimo Martins, Sonaecom e Banif. Brisa avançou 2,42%, para os 4,85 euros, e liderou a tabela dos ganhos, a beneficiar de uma recomendação de «compra» por parte do banco de investimento UBS.

Entre as cotadas com maior peso na bolsa está a Portugal Telecom, que subiu 1,59%, e EDP, que avançou 0,88%.

Na banca, BCP valorizou 1,45%, para os 0,62 euros, BPI ganhou 1,08%, para os 1,30 euros, e BES subiu 0,32% com cada acção a valer 3,13 euros.

Já lá por fora, os investidores centraram atenções na cimeira europeia que arrancou hoje e termina amanhã, em Bruxelas. As principais praças fecharam com sinal positivo, lideradas por Frankfurt que fechou a subiu 1,90%.

Um sentimento seguido também em Wall Street, com os índices animados com os dados do mercado de emprego: na semana passada, menos cinco mil norte-americanos pediram subsídio de desemprego. Nasdaq avança 2,02%, Dow Jones ganha 0,65%.

Euro valoriza face ao dólar em dia de cimeira europeia

O euro segue esta quinta-feira a valorizar face ao dólar, no primeiro dia da reunião de líderes da União Europeia, em Bruxelas, e da qual se espera que saia um pacote de medidas de estabilização da economia europeia.

O primeiro-ministro demissionário, José Sócrates, vai esta tarde explicar aos líderes da União Europeia reunidos em Bruxelas os últimos desenvolvimentos políticos em Portugal, nomeadamente o chumbo pela Assembleia da República do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC).

Segundo fontes diplomáticas europeias, a situação política em Portugal deverá pôr algum «sal e pimenta» na reunião dos líderes da União Europeia que, a partir das 17h00 (16h00 de Lisboa) e até sexta-feira, irá dar o aval definitivo ao pacote de medidas para estabilizar a economia europeia.

Também hoje, o Departamento do Comércio norte-americano revelou que as encomendas de bens duradouros nos Estados Unidos diminuíram mais do que o esperado em Fevereiro com uma queda de 0,9 por cento, a terceira [queda] registada nos últimos quatro meses.

De acordo com os dados hoje disponibilizados, as encomendas às fábricas de bens duradouros, destinados a durar pelo menos três anos, diminuíram 0,9 por cento em Fevereiro para 199,99 mil milhões de dólares (141,24 mil milhões de euros).

Estes números contrariam as estimativas dos economistas que previam um aumento médio de 1,5 por cento nas encomendas deste tipo de bens.

Neste momento, o euro está a subir 0,56 por cento, com cada unidade a valer 1,4168 dólares.

Brent pressionado negoceia nos 115 dólares

Portugal é nestes dias o centro de todas as atenções nos mercados internacionais. Os preços do petróleo estão a ser impulsionados esta quinta-feira pela expectativa de que Portugal terá de ser ajudado, na sequência do chumbo do PEC e consequente demissão do Governo.

Segundo disse um analista à Bloomberg, «o crescente consenso de que Portugal será socorrido está a impulsionar os preços, esta manhã, ao mesmo tempo, porém que de mantém ainda o foco na região do Médio Oriente e África do Norte».

Neste momento, o Brent do Mar do Norte, que serve de referência às importações portuguesas está a descer 0,1% para cotar nos 115,44 dólares.

Em Nova Iorque, o crude está a subir 0,4% para 106,17 dólares.

Recorde-se que as reservas de crude subiram pela terceira semana consecutiva nos EUA para um total de 352,8 milhões de barris. Já as reservas de gasolina caíram em 5,32 milhões de barris para o valor mais baixo desde Dezembro e é aqui que os investidores vão buscar ânimo.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Queda iminente do Governo afunda bolsa

Foi um dia para esquecer na bolsa lisboeta. O PSI20 chegou a estar a descer cerca de 2%. No fim da sessão, recuperou um pouco mas, mesmo assim, baixou 0,99% para 7.780,92 pontos, fragilizado pela iminência da queda do Governo.

No dia em que o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) é votado no Parlamento, já com chumbo anunciado pela oposição, o primeiro-ministro será recebido às 19 horas pelo Presidente da República, num encontro onde se espera que o chefe do executivo peça demissão. José Sócrates tem já agendada para as 20 horas uma comunicação ao país.

A iminente queda do Governo ensombrou as negociações, com os investidores preocupados com o impacto da crise política na actividade económica. Assim, 18 das 20 empresas do índice fecharam o dia em queda.

Bancos arrasados

Os bancos estiveram entre as maiores quedas: o BPI caiu 3,01% para 1,29 euros, o BCP deslizou 2,37% para 62 cêntimos, o Banif desceu 2,33% para 84 cêntimos e o BES recuou 0,54% para 3,13 euros, num dia em que as taxas de juro da dívida pública atingiram um novo máximo. A taxa das obrigações a 10 anos segue nos 7,82% (depois de ter tocado nos 7,86%), mas a taxa das obrigações do Tesouro a 5 anos ultrapassou largamente os 8%. Tocou o máximo de 8,285% e segue agora nos 8,224%.

No vermelho fecharam ainda as acções da indústria. A Sonae Indústria liderou, ao recuar 3,04% para 1,57 euros, mas a Altri também caiu 2,2% para 1,60 euros, e a Portucel baixou 2,27% para 2,46 euros.

Nas empresas ligadas à construção o cenário foi igualmente desolador: a Mota-Engil perdeu 2,03% para 1,84 euros e a Brisa 1% para 4,74 euros. Com quedas mais ligeiras, a Semapa desceu 0,35% e a Cimpor 0,06%.

Comunicações: preços alvo sobem, acções descem

Nas comunicações, a PT recuou 0,83% para 8,17 euros, apesar de a Bernstein ter subido o preço alvo das suas acções de 7,60 para 8,40 euros, e a Zon 1,45% para 3,55 euros. Apenas a Sonaecom fechou estável nos 1,43 euros por acção, no dia em que o BPI aumentou o preço-alvo das suas acções de 1,90 para 2,15 euros.

Na energia, a Galp não escapou ao pessimismo. Cedeu 1,24% para 15,13 euros, seguida da EDP, em queda de 0,77% para 2,70 euros. Só a EDP Renováveis conseguiu contrariar a corrente e cresceu 1,32% para 4,98 euros.

Nota ainda para o sector do retalho, com a Jerónimo Martins a perder 0,18% e a Sonae a recuar 1,96%.

Lá por fora, as praças europeias até conseguiram fechar no verde. O DAX alemão subiu 0,35%, o FTSE inglês 0,58%, o CAC francês 0,54%, o IBEX espanhol 0,59% e o MIB italiano 0,66%.

Nos EUA, no entanto, o dia está a ser misto: o Dow Jones sobe 0,23% e o Nasdaq cai 0,17%.

PSI20 fecha a cair 0,99% para 7.780,92 pontos

Foi um dia para esquecer na bolsa lisboeta. O PSI20 chegou a estar a descer cerca de 2%. No fim da sessão, recuperou um pouco mas, mesmo assim, baixou 0,99% para 7.780,92 pontos, fragilizado pela iminência da queda do Governo.

No dia em que o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) é votado no Parlamento, já com chumbo anunciado pela oposição, o primeiro-ministro será recebido às 19 horas pelo Presidente da República, num encontro onde se espera que o chefe do executivo peça demissão. José Sócrates tem já agendada para as 20 horas uma comunicação ao país.

A iminente queda do Governo ensombrou as negociações, com os investidores preocupados com o impacto da crise política na actividade económica. Assim, 18 das 20 empresas do índice fecharam o dia em queda.

Os bancos estiveram entre as maiores quedas: o BPI caiu 3%, o BCP 2,37%, o Banif 2,32% e o BES 0,54%, num dia em que as taxas de juro da dívida pública atingiram um novo máximo.

Euribor: taxa a 6 meses em máximos de 2009

As Euribor estão esta quarta-feira a subir, com a taxa a seis meses a ultrapassar os 1,50 por cento e a tocar o valor mais alto desde Maio de 2009.

Segundo o fixing diário da Federação Europeia de Bancos, a Euribor a três meses cresce 0,006 pontos para 1,191 por cento, o valor mais alto desde o final de Junho de 2009.

A taxa a seis meses, o principal indexante do crédito à habitação em Portugal, sobe 0,005 pontos para 1,501 por cento, o valor mais alto desde 08 de Maio de 2009, altura em que a taxa se situou nos 1,507 por cento, segundo dados da agência de informação financeira Bloomberg.

Já a Euribor a 12 meses avança 0,004 pontos para 1,949 por cento, aproximando-se do valor atingido no início de Março.

As taxas Euribor, que são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de bancos está disposto a emprestar dinheiro no mercado interbancário, iniciaram uma tendência de subida desde que o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, admitiu que a instituição pode subir a taxa de referência, em um por cento há 22 meses, já em Abril.

Hospitais devem mais de mil milhões às farmacêuticas

A dívida não vencida dos hospitais à indústria farmacêutica é superior a mil milhões de euros, segundo dados apresentados esta quarta-feira no Parlamento pelo Ministério da Saúde e citados pela Lusa.

O PSD confrontou, na comissão parlamentar de Saúde, a equipa da ministra Ana Jorge com o que diz ser uma dívida acumulada de dois milhões de euros por parte do Serviço Nacional de Saúde.

Em resposta, a ministra disse desconhecer como se calculou este valor e referiu não ter ainda devidamente apurados os dados relativos a 2010. «Temos os dados ainda pouco consistentes. Mas penso que não chega aos dois mil milhões», declarou aos jornalistas no final da comissão.

O secretário de Estado Manuel Pizarro afirmou por seu lado que a dívida a 90 dias aos laboratórios é de cerca de 1.100 milhões de euros. «Dentro dos prazos de pagamento contratualizados temos uma dívida de 1.100 milhões», disse.

Lembrou ainda que as compras de bens e serviços mensais por parte do Serviço Nacional de Saúde são superiores a 350 milhões de euros.

Fitch: testes de stress não serão «cura milagrosa»

A agência de notação financeira Fitch avisou esta quarta-feira que quem espera que os novos testes de stress à banca europeia sejam uma cura milagrosa para todos os males, sairá desiludido.

Num relatório, a Fitch diz que embora esta segunda leva de testes apresente evoluções face à primeira, não será «o remédio para todos os males», porque ainda não são perfeitos.

«O quadro da European Banking Authority (EBA) parece promissor em algumas áreas importantes, tais como os pressupostos económicos e a intenção de aumentar a nota mínima para passar», refere, admitindo que existem, no entanto, «alguns pontos fracos».

«Por exemplo, a nota mínima não foi ainda divulgada e um cenário de reestruturação de dívida soberana não será tido em conta nas carteiras de maturidades dos bancos».

«Os testes não serão uma panaceia para os problemas que enfrentam vários sistemas financeiros europeus», conclui.

Queda iminente do Governo deprime euro

A crise política em Portugal, na véspera de uma cimeira europeia decisiva, está no centro de todas as atenções e está a deprimir as negociações do euro.

O Programa de Estabilidade e Crescimento está a ser esta quarta-feira na Assembleia da República e vai ser votado ainda esta tarde. Os partidos da oposição vão chumbar o documento e tudo aponta para que o Governo se demita a seguir.

O chumbo do PEC empurrará o país para eleilões antecipadas e para um eventual pedido de ajuda financeira. É neste contexto que a moeda única derrapa 0,46% para os 1,4133 dólares.

Também o facto de o mecanismo de ajuda para a Zona Euro não ser decidido até Junho está a provocar algum nervosismo.

Brent corrige de máximos mas negoceia nos 115 dólares

O preço do petróleo continua elevado nos mercados internacionais, mas está a corrigir no mercado de Londres, depois de esta manhã ter alcançado máximos.

«O medo de ninguém saber como é que a crise na Líbia se irá desenvolver nas próximas semanas ou meses está a manter o prémio de risco nos preços do petróleo», referiu um analista do HSH Nordbanl.

O mesmo analista acrescentou: «continuamos a ter um risco ascendente caso se torne real a existência de uma guerra civil na Líbia, a qual não terá uma solução rápida. Ao mesmo tempo continua a existir o medo de uma propagação das tensões aos grandes produtores de petróleo».

Neste momento, o Brent do Mar do norte, que serve de referência ao mercado português está a descer 0,26 por cento para 115,40 dólares.

Em Nova Iorque, o crude está a subir 0,34 por cento, com cada barril a valer 105,33 dólares.

terça-feira, 22 de março de 2011

Quarta geração móvel: leilão lançado em Junho

A Anacom vai lançar em Junho o leilão das frequências que permitem a 4ª geração móvel, também conhecida como LTE, podendo as receitas chegar aos 450 milhões de euros caso todos os lotes sejam licitados.

«Temos condições para lançar o leilão em Junho», anunciou esta terça-feira o administrador da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), Ferrari Careto, num encontro com jornalistas.

A consulta pública sobre o projecto de regulamento do leilão foi lançada a 18 de Março e estará concluída a 2 de Maio. Segue-se depois a avaliação do resultado obtido, a aprovação do regulamento, incorporando os comentários dos interessados e, por fim, a decisão formal do regulador.

O projecto de regulamento do leilão para o Long Term Evolution (LTE), que permitirá velocidades ultra-rápidas de Internet nos dispositivos móveis, inclui oito categorias e 33 lotes com diversas frequências, variando os preços de reserva entre dois e os 55 milhões de euros.

«No pressuposto de que todos os lotes são vendidos o mínimo das receitas obtidas será 450 milhões de euros. Contudo, pode ser ser menos, pois pode haver espectro que não seja vendido», explicou Ferrari Careto, citado pela Lusa.

Depósitos: empresas retiram quase 4 mil milhões num mês

As empresas retiraram dos bancos quase quatro mil milhões de euros em Janeiro deste ano. No final do primeiro mês de 2011, as empresas tinham depositados nos bancos 32.853 milhões, valor que compara com os 36.533 milhões registados no final de 2010.

De acordo com dados do Boletim Estatístico do Banco de Portugal (BdP), apesar de as empresas estarem a «esvaziar» as suas poupanças, o valor aplicado em depósitos continua a ser superior ao registado em Janeiro do ano passado, quando os depósitos das empresas se ficavam pelos 29.598 milhões de euros.

Tendência contrária registam os depósitos de particulares, que cresceram 420 milhões em Janeiro, ascendendo agora a 119.409 milhões. Além da subida mensal, o valor representa também um crescimento homólogo, de 2.351 milhões de euros. Os depósitos dos particulares atingem assim um novo máximo em mais de duas décadas.

Esta subida reflecte a taxa de juro cada vez mais atractiva paga pelos bancos, que procuram atrair activos dos seus clientes numa altura em que o acesso ao financiamento no mercado interbancário é praticamente inexistente e em que os bancos nacionais dependem quase exclusivamente do Banco Central Europeu (BCE) para se financiarem.

Contas feitas e tudo somado (particulares e empresas), os portugueses têm 152.262 milhões de euros aplicados em depósitos bancários.

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