Notícias principais - Google Notícias

Loading

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Reguladores perdem nove milhões com corte de salários e de custos

Os cortes salariais e de despesas impostos pelo Governo vão retirar mais de nove milhões de euros às principais entidades reguladoras. O Banco de Portugal (BdP) já anunciou uma redução de sete por cento nos custos com pessoal. Na Anacom, o emagrecimento dos salários vai gerar uma poupança de 1,2 milhões de euros. E na Autoridade da Concorrência (AdC) a contenção nos custos vai significar um emagrecimento de 1,3 milhões no orçamento.

O Orçamento do Estado (OE) para 2011 é claro no que diz respeito aos cortes salariais. Tal como na função pública, também as entidades de regulação foram abrangidas por uma tabela que isenta os trabalhadores com uma remuneração bruta inferior a 1500 euros e impõe reduções, que variam entre os 3,5 e os dez por cento. Neste ponto, todos os reguladores contactados pelo PÚBLICO confirmaram que vão aplicar as novas regras, já a partir de Janeiro.

Até agora, apenas o BdP assumiu publicamente uma atitude diferente, cortando, não nos salários, mas nas remunerações extraordinárias dos funcionários, o que, somando aos cortes nos vencimentos da administração, resultará numa redução de sete por cento nos custos com pessoal. No Instituto Nacional da Aviação Civil (INAC), por exemplo, "será seguida a tabela da função pública", abrangendo 110 pessoas e resultando numa poupança anual de "aproximadamente 330 mil euros", disse fonte oficial ao PÚBLICO.

O mesmo se vai passar na Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), que explicou que "não optou por qualquer outro modelo que não fosse o cumprimento da lei do OE". Nesta entidade, as reduções de salários, que abrangerão todos os trabalhadores, vão permitir poupar praticamente 400 mil euros por ano.

Na Anacom, o valor sobe para os 1,2 milhões de euros, afectando "88 por cento" dos cerca de 400 funcionários. E, por fim, na AdC, serão 80 as pessoas abrangidas pelos cortes salariais, também a partir de Janeiro, resultando numa poupança global de 600 mil euros. O PÚBLICO contactou a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), mas obteve uma resposta curta: vão "dar cumprimento à regulamentação que está estipulada para este efeito".

Também no que diz respeito à redução de despesas, a CMVM preferiu não fazer mais comentários. Aliás, esta questão ainda não foi completamente clarificada, porque, apesar de o OE prever medidas de cativação de dotações, não é linear que estas afectem as entidades de regulação. Ou, pelo menos, não como é para o tema dos cortes salariais.

Ainda assim, a maioria dos reguladores assume que vai seguir as regras aplicadas à administração central, que incidem sobre contenção em gastos vários: deslocações, consultoria e material de escritório, por exemplo. No INAC, as poupanças daqui decorrentes chegam aos 500 mil euros e, na ERSE, sobem para 560 mil, no seguimento de "um programa de valorização da despesa" desenvolvido "nos últimos dois anos".

A Anacom referiu apenas que "tem um plano mais exigente" do que o imposto pelo Governo, mas, de acordo com declarações recentes do seu presidente, o objectivo é chegar a uma redução de dez por cento nos custos totais, incluindo os salários. Tendo em conta que o orçamento previsto para 2011 rondava os 54,7 milhões de euros e que as remunerações vão ser encolhidas em 1,2 milhões, isto poderá significar que o corte de custos de funcionamento poderá ascender a 4,3 milhões de euros.

Também a AdC se limitou a dizer que "pretende manter uma execução orçamental exemplar" em 2011. De acordo com os cálculos do PÚBLICO, e tendo em conta as reduções já realizadas no ano passado, esse objectivo poderá significar uma redução de 1,3 milhões de euros nas despesas deste regulador. Quanto ao BdP, mantém-se a dúvida em relação ao cumprimento desta meta, mas sabe-se que a ideia também é diminuir os gastos.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Brent sobe 0,4% e já ultrapassa os 98 dólares

O preço dos futuros de Brent londrino, que serve de referência para Portugal, está a subir 0,42%, com o barril a custar 98,21 dólares, num regresso aos ganhos depois de ter estado a corrigir de máximos de 2008 nas últimas sessões.

Na sexta-feira passada, o barril de Brent tocou os 99,20 dólares, o valor mais elevado dos últimos 27 meses.

Já em Nova Iorque, os preços do crude não acompanham esta tendência: estão a recuar 0,36% para os 91,05 dólares por barril. Este é o segundo dia de quedas, influenciadas pelos receios em torno da retoma económica nos Estados Unidos.

O ciclo de apresentações de resultados das empresas norte-americanas, que começou esta semana, tem desapontado os investidores e nem as expectativas de uma procura recorde de combustíveis em 2011, incentivadas pelo crescimento das economias emergentes estão a dar ânimo às negociações nesta tarde de quarta-feira.

Euro mantém-se em alta face ao dólar

O euro segue a valorizar face à divisa norte-americana, numa sessão em que a moeda única tocou máximos de dois meses, ao ultrapassar a barreira dos 1,35 dólares. Está agora a subir 0,65% para os 1,3475 dólares.

A impulsionar a moeda europeia está a convicção reforçada de que os líderes políticos da região estão empenhados na resolução conjunta da crise da dívida soberana, e ainda o receio de que a recuperação económica nos Estados Unidos não seja tão rápida quanto previsto.

Sinais de um abrandamento da indústria norte-americana estão a contribuir para a penalização do dólar, no dia em que foi divulgado um indicador referente ao mercado de habitação. A construção de novas casas caiu 4,3% para o ritmo anual de 529 novas habitações e permaneceu ao nível mais baixo desde Outubro de 2009, segundo os dados do Departamento do Tesouro citados pela Bloomberg.

É uma notícia que está a inquietar os investidores, e a reflectir-se na negociação da moeda, já que sinaliza um abrandamento da indústria que esteve no epicentro da actual crise financeira internacional. Ao mesmo tempo, aguarda-se a divulgação dos dados sobre o desemprego nos Estados Unidos, marcada para amanhã.

Os últimos dados conhecidos mostram que os pedidos de subsídio de desemprego subiram para os 3,99 milhões na primeira semana do ano, em relação aos 3,88 milhões que se contavam na semana anterior.

BCP e EDP sobem mais de 1% e impulsionam bolsa nacional

A Europa foi penalizada por dados negativos para a economia dos Estados Unidos e que continuam a evidenciar a fragilidade do sector imobiliário do país.

Na bolsa nacional, o PSI-20 subiu 0,22% para os 7.685,38 pontos, com 12 títulos em alta oito em queda.

O BCP e a EDP foram os títulos que mais impulsionaram o principal índice do mercado português, ao ganharem, respectivamente 1,02% e 1,34%.

O dia foi de ganhos no sector bancário, com o BPI a subir 1,53% para os 1,394euros, e a ser a cotada com maior valorização, e oBES a avançar 1,46% para os 2,774 euros.

Estas subidas ocorreram depois do IGCP ter colocado a totalidade dos 750 milhões de euros previstos no leilão de bilhetes do Tesouro a 12 meses. Os juros baixaram face à emissão anterior, para 4,029%, com a procura a superar a oferta em 3,1 vezes.

No sector energético, a EDP fechou a negociação a valer 2,716 euros e a EDP Renováveis avançou 0,27% para os 4,492 euros.

Já no sector das telecomunicações, o dia foi de quedas. A Zon Multimédia foi a cotada que mais caiu, ao perder 1,70% para os 3,287 euros. A Sonaecom desvalorizou 0,53% para os 1,315 euros e a PT caiu 0,35% para os 8,287 euros.

Já a Jerónimo Martins recuou 1,61% para os 11,32 euros e foi o título que mais penalizou a bolsa.

Moody’s diz que corte do "rating" português depende da evolução das exportações

“Identificamos as previsões de crescimento como um dos factores chave”, afirmou Anthony Thomas, analista da Moody’s para Portugal numa entrevista à Bloomberg.

“Temos notado que nos últimos trimestres temos assistido a um desempenho bom nas exportações. Isso é sustentável? Essa é uma das questões que vamos ter que responder como parte de revisão do processo”, explicou o responsável.

A Moody’s disse, dia 21 de Dezembro, que poderia baixar o “rating” nacional em dois níveis. A agência deverá anunciar até ao final de Março o provável corte do “rating” de Portugal, em um ou mais níveis, mas essa avaliação irá continuar dentro da escala de investimento, indicou o vice-presidente da agência, Anthony Thomas, em entrevista à Lusa.

O Governo liderado por José Sócrates está a contar com as exportações para ajudar a sair da crise. As medidas de austeridade, que foram anunciadas, tem como objectivo convencer os investidores de que Portugal vai cumprir as metas orçamentais a que se propôs.

No entanto, os juros não têm aliviado muito desde o anúncio. As taxas de juro a que estão a ser negociados os títulos da dívida pública portuguesa estão hoje a ceder ligeiramente, num movimento que se estende às obrigações soberanas espanholas.

Segundo os preços genéricos calculados pela agência Bloomberg, as taxas de juro subjacentes à dívida portuguesa a dez anos estão a ceder 3,5 pontos base, mantendo-se, ainda assim, acima da fasquia dos 7% (em 7,035%) que o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, admitiu em Dezembro poder forçar o Governo a ponderar um pedido de ajuda externa.


Citado pela Reuters, o vice-presidente da Moody’s, Anthony Thomas, alertou aliás para o facto de Portugal precisar aceder a financiamento a taxas sustentáveis e que apesar de os recentes leilões de dívida terem sido bons não se pode retirar daí uma tendência.

Portugal “tem necessidade de aceder a fundos a uma taxa sustentável”

Anthony Thomas sublinhou que “será bom para Portugal ter os custos do serviço da dívida relativamente baixos – se vem do fundo (EFSF) ou não, não é algo sobre o qual devemos especular” e que o país “tem necessidade de aceder aos fundos a uma taxa sustentável”.

Para o responsável, a questão de saber se “as taxas actuais são sustentáveis” fará parte do processo de revisão do ‘rating’ de Portugal, que está em curso.

"Nós vamos estar a olhar para isso como parte do processo e certamente não vai depender dos resultados de um leilão”, explicou, acrescentando que Portugal teve um “bom” leilão de obrigações na semana passada aparentemente mais um hoje, mas “não se pode retirar uma tendência com base em dois leilões”.

China capturou 15% do tráfego da internet durante 18 minutos

A China redirecionou cerca de 15% do tráfego de toda a internet para servidores do país durante 18 minutos, abrangendo inclusive informações importantes do governo norte-americano, afirma um relatório do governo dos Estados Unidos.

Segundo o estudo, divulgado nesta quarta-feira, o incidente ocorreu em abril deste ano, causado pela empresa de telecomunicações chinesa China Telecom.

Ciberataques

O governo americano diz que ainda não é possível avaliar se o redirecionamento foi intencional e, se foi este o caso, qual seu objetivo.

"No entanto, pesquisadores de segurança informática notaram que esta competência poderia permitir várias atividades mal-intencionadas", afirma o relatório, feito pela Comissão de Revisão Econômica e de Segurança das Relações EUA-China.

Entre o tráfico redirecionado para servidores chineses, estão trocas de e-mails entre funcionários do governo e acessos aos sites oficiais do Senado norte-americano, do gabinete do Departamento de Defesa, da Nasa e do Departamento do Comércio.

Nesta semana, o secretário de Defesa americano, Robert Gates, pediu que as agências militares e civis dos Estados Unidos atuem mais fortemente e em conjunto contra as ameaças de ciberataques.

Ataque chinês ao Dalai Lama

Já na Grã-Bretanha, especialistas ouvidos pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Parlamento afirmaram que um ciberataque capaz de ter efeitos profundos na infraestrutura do país somente poderia ser lançado por um Estado inimigo - o que faria uma ação do tipo "politicamente improvável".

O especialista Ross Anderson, da Universidade de Cambridge, disse aos parlamentares que o poder público deve ser mais atento para questões de tecnologia da informação, e lembrou um caso em que esteve diretamente ligado a um ciberataque.

"Alguns anos atrás, um aluno meu ajudou o gabinete do Dalai Lama a se livrar de um malware (programa que se infiltra em um computador ou em uma rede com o objetivo de causar danos ou roubar dados) claramente criado pelo governo chinês", disse.

Bolsas dos EUA fecham a subir animadas pelo sector da energia

O Dow Jones subiu 0,43% para 11.837,93 pontos, o Nasdaq avançou 0,38% para 2.765,85 pontos e o S&P500 valorizou 0,14% para 1.295,02 pontos.

A subida dos índices está relacionada com os ganhos registados por acções como aAlcoa. As acções da fabricante ligada ao alumínio subiram 1,88% para 16,27 dólares, a beneficiar da subida dos preços das matérias-primas devido à queda dodólar frente à divisa europeia.

A aliviar a pressão esteve também o compromisso dos ministros das Finanças europeus em controlarem a crise de dívida que está a assolar a Europa.

Em destaque estiveram também as acções da Boeing, ao valorizarem 3,43% para 72,47 dólares. A fabricante de aviões voltou a adiar a entrega dos 787 Dreamliner para o terceiro trimestre deste ano, mas era uma data já prevista pelos analistas, pelo que acabou por surgir como uma notícia positiva.

Do lado das quedas, o Citigroup deslizou 6,43% para 4,80 dólares, depois de ter apresentado um resultado líquido de 1,31 mil milhões de dólares (983,62 milhões de euros) no quarto trimestre. Os lucros realizados nos últimos três meses de 2010, equivalem a um resultado de quatro cêntimos por acção, segundo a Bloomberg. Este lucro ficou aquém do esperado pelos analistas, que apontavam para um resultado de sete cêntimos por acção.

A Apple também cedeu 2,25% para 340,65 dólares, depois de ter chegado a desvalorizar mais de 6%, com os investidores a revelarem receios da ausência de Steve Jobs na liderança da empresa. Ontem, o presidente da empresa enviou um e-mail aos funcionários a revelar que tinha posto uma licença médica, o que fez com que os investidores penalizassem as acções da empresa, com receios do impacto da ausência do responsável.

Bolsa fecha em alta com 12 acções a subir mais de 1% (act)

O principal índice da bolsa nacional subiu 1,38% para 7.668,44 pontos, com 19 acções em alta e apenas uma a desvalorizar. Entre os congéneres europeus a tendência também é de subida, com os investidores a beneficiarem o compromisso deixado ontem pelos ministros das Finanças de reforçarem o apoio aos países mais endividados da Europa.

Por cá, a EDP foi o título que mais impulsionou com um ganho de 1,86% para os 2,68 euros. No restante sector da energia, a Galp Energia avançou 0,98% para os 14,465 euros no dia em que foi noticiado pelo “Diário Económico” que Ferreira de Oliveira disse que estão a ser negociados contratos de gás natural no Qatar, uma notícia que os analistas do Espírito Santo Equity Research (ESER) considera “potencialmente positiva”, embora com impacto “limitado”.

Já a EDP Renováveis somou 1,82% para os 4,48 euros.

O sector da banca também se destacou com o BCP a subir 2,63% para os 0,586 euros, com o BES a ganhar 1,79% para os 2,734 euros e com o Banco BPI a apreciar 2,46% para os 1,373 euros.

A contribuir para a tendência esteve ainda a Brisa com uma valorização de 2,70% para os 5,286 euros.

Outro título em destaque pela positiva foi a Semapa que tocou mesmo máximos de Outubro de 2009 depois de ontem o Espírito Santo Investement Bank ter iniciado a cobertura das acções da cimenteira com um "target" de 13,9 euros e uma recomendação de "compra", o que confere às acções um potencial de valorização de 61%.

O Banif continuou a destacar-se, ao valorizar 3,30% para 0,94 euros, a beneficiar da possibilidade de entrar no PSI-20 na próxima revisão do índice. Já ontem, as acções do banco fecharam a subir mais de 7%. Em causa está a notícia publicada pelo Negócios sobre a possível ascensão do Banif ao PSI-20. Segundo os cálculos feitos com base nas regras usadas pela NYSE Euronext Lisbon para rever a composição do índice principal, o PSI-20 poderá voltar a sofrer alterações já em Março.

A única cotada que desvalorizar foi Inapa, ao perder 0,76% para 0,39 euros. Caso se confirme a entrada do Banif no PSI-20, a empresa que poderá descer de “divisão” é a Inapa, que entrou no principal índice da bolsa nacional na última revisão, em substituição da Teixeira Duarte.

EUA serão 3ª economia do mundo em 2050. Atrás de quem?

Os Estados Unidos são hoje a maior economia do mundo. Mas, dizem os especialistas, o rei está prestes a cair e rei morto, rei posto. Em 2050, os EUA serão apenas a terceira economia mundial. No trono sentar-se-á um gigante asiático, e na linha de sucessão estará outro.

De acordo com um estudo da PriceWaterhouseCoopers (PWC), a crise financeira precipitou as alterações na cadeia do poder, impulsionando as grandes economias emergentes em detrimento das mais desenvolvidas. Por isso mesmo, daqui a sete anos (em 2018), os EUA deixarão a liderança económica do globo, ultrapassados pela China, que deterá então a maior economia de todas.

Algumas décadas depois, em 2045, é de esperar que outra economia emergente ultrapasse os EUA: a Índia.

No documento intitulado «O Mundo em 2050», a consultora prevê um novo ordenamento das maiores economias, em termos de Produto Interno Bruto (PIB) ajustado à paridade do poder de compra.

Assim, daqui a menos de uma década (em 2020), a riqueza produzida pelo G7 (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) ficará atrás daquela que produzirão as sete potências emergentes consideradas pela PWC (China, Índia, Brasil, Rússia, Indonésia, México e Turquia).

Mas não são apenas os EUA a perder terreno. A Europa, que actualmente contribui com cinco das maiores economias do mundo (Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Espanha), também vai ceder terreno. Em 2050 apenas a Alemanha e o Reino Unido continuarão no top 10: a Alemanha terá caído da 5ª para a 9ª posição e o Reino Unido da 7ª para a 10ª. As restantes três sairão do top.

Novas regras para a economia global

Apresento aqui sete coerentes princípios da governação económica global com que talvez eles concordassem (apresento-os com maior pormenor no meu novo livro, The Globalization Paradox).

1. "Os mercados devem estar profundamente integrados em sistemas de governação". A ideia de que os mercados são auto-reguladores foi absolutamente aniquilada na recente crise financeira e deve ser abandonada de uma vez por todas. Os mercados exigem outras instituições sociais que os apoiem. Eles contam com os tribunais, com estruturas legais e reguladores para estabelecerem normas e as porem em prática. Dependem das funções estabilizadoras que os bancos centrais e a política fiscal contracíclica exercem. Precisam do consenso político que a tributação redistributiva, as redes de segurança e a segurança social ajudam a criar. E tudo isto se aplica também aos mercados globais.

2. "É provável que, num futuro próximo, a governação democrática seja organizada no seio das comunidades políticas nacionais". O Estado-nação existe, embora não nos melhores moldes, e continua a ser, no essencial, a única coisa que existe. A governação global é uma tarefa de loucos. É altamente improvável que os governos nacionais cedam controlo significativo a instituições transnacionais, e harmonizar normas não beneficiaria sociedades com diferentes gostos e necessidades. A União Europeia será talvez a única excepção deste axioma, embora a actual crise em que se encontra tenda a comprovar esse ponto de vista.

É com demasiada frequência que se desperdiça cooperação internacional em objectivos exageradamente ambiciosos, que acabam por ter fracos resultados, sendo o mais baixo denominador comum entre os principais Estados. Quando a cooperação internacional é, efectivamente, "bem sucedida", reproduz normas que ou são ineficazes ou reflectem apenas as preferências dos Estados mais fortes, como as regras de Basileia III sobre os requisitos do capital e as regras da Organização Mundial do Comércio sobre subsídios, propriedade intelectual e medidas de investimento que são exemplo deste género de exageros. Pode melhorar-se a eficácia e a legitimidade da globalização apoiando os procedimentos democráticos de cada país, em vez de os castrar.

3. "Prosperidade pluralista". O reconhecimento de que a infra-estrutura institucional da economia global tem de ser construída ao nível nacional liberta os países para implementarem as instituições que melhor se lhes adequam. Os Estados Unidos, a Europa e o Japão produziram no longo prazo quantidades de riqueza semelhantes. Todavia, os seus mercados de trabalho, governação empresarial, regras antimonopólio, protecção social e sistemas financeiros diferem consideravelmente, com uma série destes "modelos" - um diferente em cada década - considerados de grande sucesso a ser seguidos.

As sociedades mais bem sucedidas do futuro darão espaço para experimentação, permitindo assim uma maior evolução das instituições. Uma economia global que reconheça a necessidade e o valor da diversidade institucional estimula essa experimentação e essa evolução em vez de a sufocar.

4. "Os países têm o direito de protegerem as suas próprias regulamentações e instituições". Os princípios anteriores podem parecer inócuos. Mas possuem fortes implicações que entram em conflito com a crença geral dos defensores da globalização. Uma dessas implicações é o direito que cada país tem de salvaguardar as suas opções institucionais. O reconhecimento da diversidade institucional não teria significado se os países não tivessem instrumentos disponíveis para moldar e manter - numa só palavra, "proteger" - as suas próprias instituições.

Aceitar-se-ia, portanto, que os países pudessem manter as regras nacionais - políticas fiscais, regulamentações financeiras, padrões de mão-de-obra ou regras de protecção do consumidor - e pudessem fazê-lo erguendo, se necessário, barreiras nas fronteiras, "quando as transacções comerciais ameaçam visivelmente as práticas nacionais gozando de amplo apoio popular". Se os adeptos da globalização tiverem razão, os apelos à protecção falharão por falta de provas ou de apoio. Se estiverem errados, haverá uma válvula de segurança para assegurar que valores em conflito - as vantagens de economias abertas contra as vantagens de manter as regulamentações nacionais - sejam devidamente discutidos em debates públicos.

5. "Os países não têm o direito de impor a outros países as suas instituições". Impor restrições no comércio transfronteiriço ou na área financeira para manter os valores e as regulamentações nacionais não deve confundir-se com o utilizá-las para impor esses valores e regulamentações a outros países. As normas da globalização não devem obrigar os americanos ou os europeus a consumir mercadorias produzidas de formas que a maioria dos cidadãos desses países consideram inaceitáveis. Mas também não podem permitir que os EUA ou a UE usem sanções comerciais ou outras formas de pressão para alterar as leis do mercado de trabalho, as políticas ambientais ou as regulamentações financeiras de outros países. Os países têm o direito à diferença. Não à convergência imposta.

6. "Os acordos económicos internacionais deverão definir regras para gerir a interacção entre as instituições nacionais". Fazer depender dos estados-nação o desempenho das funções de governação essenciais da economia mundial não implica o abandono das normas internacionais. O regime de Bretton Woods tinha regras claras, embora limitadas em âmbito e profundidade. Uma liberdade total completamente descentralizada não beneficiaria ninguém.

O que é preciso é regras de circulação para a economia global que ajudem veículos de diversas dimensões, formas e velocidades a navegar em torno uns dos outros, em vez de impor um veículo igual para toda uma velocidade de circulação uniforme. Temos de lutar para atingir uma globalização máxima que seja consistente com a existência de espaço para a diversidade nos acordos institucionais nacionais.

7. "Países não democráticos não podem contar com os mesmos direitos e privilégios que as democracias na ordem económica internacional". O que torna interessantes e legítimos os princípios anteriores é que assentam em deliberação democrática - quando esta se verifica realmente, dentro dos Estados. Quando os Estados não são democráticos esta estrutura cai. Deixamos de poder presumir que os acordos institucionais reflectem as preferências dos cidadãos. Por isso, os países não democráticos têm de jogar com regras diferentes e menos permissivas.

Estes são os princípios que os arquitectos da próxima ordem económica global têm de aceitar. Mais importante ainda, terão de assimilar o paradoxo supremo que cada um destes princípios destaca: a globalização funciona melhor quando não é levada demasiado longe.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Primeira empresa portuguesa nomeada para prémios internacionais de jogos electrónicos

Depois de criar mais de 125 mil surfistas virtuais, a Biodroid foi nomeada para os International Mobile Gaming Awards, que premeiam os conceitos mais inovadores na área de entretenimento electrónico, informou a empresa em comunicado.

O jogo de surf desenvolvido para iPad eiPhone, o “Billabong Surf Trip” tinha atingido, a 13 de Janeiro, os 125 mil “downloads” em todo o mundo, sendo agora um dos cinco "melhores jogos de Desporto" do mundo para a promotora dos prémios.

Diogo Horta e Costa, sócio fundador da firma, afirma que a nomeação “vem premiar o esforço e o empenho colocados pela Biodroid no desenvolvimento de um produto de entretenimento global”, referindo que essa posição serviu para “colocar Portugal no mapa da inovação”.

Sendo a primeira vez que uma companhia portuguesa é nomeada para este prémio, o “Billabong Surf Trip”, desenvolvido em conjunto com a Billabong Worldwide, vai enfrentar a concorrência de outros quatro jogos: o Championship Manager 2011, da Escócia, o Ice Breaker, do Reino Unido, o Let’s Golf 2, igualmente do Reino Unido, e o Snowboard Hero, neste caso, da Alemanha.

Os criadores da simulação de surf saberão se o prémio vem para Portugal em Fevereiro, no Mobile World Congress, a ocorrer em Barcelona.

O jogo desenvolvido pela empresa fundada em 2007 custa 2,39 euros e tem como base diversas praias de todo o mundo, seleccionadas por surfistas famosos.

Famílias vão pagar 650 euros só em taxas

A subida das taxas cobradas a singulares e empresas quando recorrem a serviços públicos vai pesar bem mais nas carteiras dos portugueses durante este ano. Os diversos serviços do Estado esperam encaixar cerca de 2,5 mil milhões de euros, o que equivale a 1,4% da riqueza criada no país no espaço de um ano. Na prática, cada família vai gastar 648 euros, em média, pelos serviços públicos que consome, segundo as contas do «Jornal de Negócios».

Estes são apenas alguns exemplos do que está agora mais caro: o cartão do cidadão aumentou de 10 para 15 euros há pouco tempo, o atestado médico para renovar a carta de condução custa agora 20 euros quando antes custava 17 e a cópia da participação de um acidente de automóvel subiu 16 cêntimos para os 40 euros.

Tudo isto sem contar com todos os impostos que o Estado quer cobrar para pagar o financiamento da provisão de bens públicos. O Serviço Nacional de Saúde, os institutos públicos e reguladores são os que levam a maior fatia, sendo que o registo predial, as propinas e as taxas de justiça estão entre os que mais rendem ao Estado. Seguem-se as portagens, as taxas de registo civil, comercial e as taxas moderadoras.

Europa quer sujeitar bancos a novos testes de stress

Os ministros das Finanças chegaram a acordo para realizarem uma nova ronda de testes de stress aos bancos europeus, avançam fontes da União Europeia à Reuters, num dia em que os responsáveis estão reunidos em Bruxelas.

De acordo com a Reuters, os novos testes serão feitos aos mesmos 91 bancos que foram testados em 2010 e que serão já para começar em Março.

Segundo as previsões, os ministros das Finanças querem que os testes estejam concluídos em Maio.

Note-se que, a novidade da nesta avaliação passa por incluir cenários específicos para alguns países e também o balanço dos bancos.

Recorde-se que, em Julho, foram divulgados os testes de stress realizados a 91 bancos europeus, dos quais cinco eram portugueses: BCP, BPI, BES, CGD e Santander.

Bancos já cobram «spreads» até perto dos 5%

Os «spreads» cobrados pelos bancos não param de disparar. Desde o início do ano, quatro bancos já aumentaram a margem que cobram aos clientes na concessão de financiamento para a compra de habitação. E, no espaço de um ano, a prestação da casa subiu 15%.

Segundo o «Jornal de Negócios», há bancos a praticar «spreads» próximos dos 5%. É o caso do BES, que apresenta o valor mais alto do sector em Portugal, já que cobra uma taxa máxima de 4,8%.

As instituições financeiras estão a aumentar os «spreads» para fazer face aos custos mais elevados de financiamento.

No ano passado, o BPI foi a entidade que mais subiu os «spreads» no crédito à habitação. Em Janeiro de 2010, o valor médio das taxas cobradas pelo banco era de 1,53%. Agora está nos 2,95%.

Neste momento, são os bancos estrangeiros que estão a conseguir praticar os «spreads» mais baixos: BBVA, Deutsche Bank e Barclays têm a margem de lucro mais baixa.

Reino Unido: inflação bate máximos de oito meses

A inflação anual no Reino Unido bateu, em Dezembro, máximos de oito meses, atingindo 3,7% contra 3,3% em Novembro, devido ao aumento dos preços dos combustíveis e bens alimentares, segundo dados oficiais divulgados esta terça-feira.

O Índice de Preços no Consumidor (IPC) deu também um salto de um por cento entre Novembro e Dezembro, o maior aumento desde 1996, quando estes dados começaram a ser registados, segundo o Departamento Nacional de Estatísticas britânico, cita a Lusa.

Os analistas, que tinham previsto um aumento em cadeia de cerca de 0,7% e uma subida homóloga de 3,4% esperam agora que o banco central britânico seja obrigado a aumentar em breve as taxas de juro, que estão em níveis mínimos.

A inflação nos doze meses até Dezembro, fixando-se nos 3,7% ficou assim acima dos dois por cento definidos como objectivo pelo banco central.

O departamento de estatísticas britânico afirmou que os preços do transporte aéreo, dos combustíveis, do gás doméstico e dos bens alimentares foram os principais responsáveis pelo aumento da inflação.

Os analistas esperam que a inflação suba ainda mais em Janeiro, depois de o Governo britânico ter aumentado as taxas do IVA no início deste ano.

Taxas Euribor voltam a subir em todos os prazos

As Euribor a três, seis e 12 meses voltaram esta terça-feira a subir, sendo a taxa a 12 meses a que mais avança, segundo ofixing diário da Federação Europeia de Bancos.

A taxa a três meses volta a subir, a avançar 0,003 pontos para os 1,012 por cento, fixando-se acima da taxa de juro de referência do Banco Central Europeu (BCE), que está em um por cento há 20 meses consecutivos.

A Euribor a seis meses, principal indexante do crédito à habitação em Portugal, subiu 0,005 pontos para 1,254 por cento, enquanto a taxa a 12 meses avançou 0,008 pontos para 1,552 por cento.

Belmiro: crise de hoje «é igual ao desabamento de terras no Brasil»

Não há dinheiro. E esta necessidade é um desequilíbrio à escala do «desabamento de terras que aconteceu no Brasil». A opinião é do empresário Belmiro de Azevedo, que esta terça-feira falou aos jornalistas durante a apresentação de um estudo de opinião realizado pelo Projecto Farol, do qual é membro da comissão executiva, incluído no grupo Deloitte.

«Ninguém fecha a porta a uma empresa competitiva e nós temos áreas onde podemos apostar, como o mar, a floresta, a agricultura e o turismo. Estas são áreas que custam mil vezes menos do que os grandes projectos, megalómanos e sem retorno que só aumentam o volume de juros e da dívida de Portugal», disse Belmiro de Azevedo.

«Fico sempre surpreendido com o discurso sobre o novo aeroporto e o TGV. Esse discurso tem de acabar em todos os partidos. A verdade é que não há dinheiro».

«A aposta em projectos sem retorno foi um desastre», reforçou o empresário, lamentando que agora é necessário dinheiro para investir em «recursos qualificados e na economia real, nas empresas que são produtivas e que enfrentam problemas de financiamento».

«O discurso político é o de que temos dinheiro para fazer todos os projectos. Continuam a dizer que somos capazes de arranjar dinheiro. Primeiro não é verdade e esquecem de dizer que, quanto mais devemos, mais caro é o dinheiro e isso mata toda a economia».

«O dinheiro está a ser gasto para se dizer que o Estado não pode cair, que o sistema financeiro, a segunda prioridade do país, é muito importante e não pode cair». Ora, «ficamos sem dinheiro para a economia real, essa sim importante».

Belmiro de Azevedo criticou, assim, o «discurso folclórico e eleitoralista» dos partidos e acusou os candidatos a Presidente da República de não fazerem pedagogia.

«Em campanha eleitoral regressa-se sempre ao mesmo. Há duas ou três frases que parecem encher a campanha e não há explicação do que é dito, não há debate», apontou o empresário, acrescentando que «muitos políticos são obrigados a dizer frases que não acrescentam nada, não existe o contraditório».

Habitação: rendas já estão a baixar há mais de um ano

As rendas estão a baixar em Portugal. De acordo com o Índice Confidencial Imobiliário (Ci), as rendas deram, pelo segundo trimestre consecutivo, sinais claros de descida. No 3º trimestre de 2010 (últimos dados disponíveis), as perdas anualizadas eram de -1,3%, depois dos -0,4% de variação média anual registados no trimestre anterior.

Nos últimos cinco trimestres analisados, o Índice Ci-rendas manteve-se sempre em terreno negativo em termos de variação trimestral, acumulando perdas que se reflectem em variações homólogas negativas de -2,5% no 2º trimestre de 2010 e de -1,6% no trimestre seguinte.

Desde o 3º trimestre de 2009, o Índice tem vindo a revelar uma contracção do mercado de arrendamento. As rendas têm vindo a descer, atingindo 1,2% no 3º trimestre de 2009, marcando, assim, o fim de um período de crescimento. Seguiram-se dez meses de evolução desfavorável, com o 3º trimestre de 2010 a registar uma redução de 0,2% nas rendas, não havendo qualquer sinal de inversão desta tendência descendente.

Nem mesmo a capital escapa a esta tendência: o mercado de arrendamento da cidade de Lisboa tem manifestado um comportamento equivalente ao do resto do país, embora a intensidade dos movimentos descendentes das rendas tenha sido mais forte.

As variações têm sido negativas ao longo do último ano, com uma taxa de variação trimestral, no 3º trimestre de 2010, de -0,4%. Em termos homólogos, neste período, a variação foi de -1,0%, enquanto que em termos médios anuais, a variação, no 3º trimestre de 2010, foi de -0,8%.

Indemnizações por despedimento: patrões só querem pagar 21 dias/ano

A Confederação do Comércio e Serviços (CCP) propõe que as indemnizações por cessação do contrato de trabalho passem de um mês por cada ano de trabalho, como está actualmente previsto na lei, para apenas 21 dias por ano.

Actualmente, o Código do Trabalho garante ao trabalhador o direito a um mês de retribuição por cada ano de trabalho, fixando como mínimo três meses.

Numa altura em que o Governo discute com os parceiros sociais uma alteração no pagamento das indemnizações por despedimento colectivo ou extinção do posto de trabalho, os patrões do comércio e serviços defendem em comunicado uma redução para o equivalente a 21 dias por cada ano de serviço na empresa.

A CCP defende ainda que o mínimo de três anos seja eliminado e defende que deve ser criado um tecto máximo para as indemnizações a pagar, em doze meses de retribuição. Os contratados a prazo não devem ter direito a qualquer compensação em caso de despedimento, na posição defendida pela CCP.

Os patrões do comércio e serviços querem ainda que as novas regras se apliquem aos contratos actuais e futuros, e não apenas aos que forem assinados depois da entrada em vigor.

O tema vai ser alvo de discussão na reunião de amanhã entre Governo e parceiros sociais, em sede de concertação social.

Capacidade do fundo de socorro do euro vai ser aumentada

Em contrapartida, as negociações sobre os diferentes cenários possíveis de flexibilização e alargamento do campo de acção deste instrumento estão numa fase mais atrasada, embora os Dezassete do euro esperem chegar a acordo sobre todos os pontos em discussão até ao fim de Março.

Estas duas questões estiveram esta segunda-feira no centro de uma reunião dos ministros das finanças da zona euro que na véspera fora considerada “importantíssima” pelo primeiro-ministro, José Sócrates.

Por essa razão, o ministro das finanças, Teixeira dos Santos, voou de Abu Dhabi, onde se encontra com o primeiro-ministro, para Bruxelas de modo a participar na reunião dos seus pares de onde partiu antes do final para regressar ao ponto de partida, sem fazer quaisquer declarações aos jornalistas.

Oficialmente, os dezassete do euro não têm pressa em concluir as negociações para a agilização do EFSF porque, como referiu o ministro alemão, Wolfgang Schäuble, os desenvolvimentos do mercado na semana passada [a colocação de dívida portuguesa e espanhola] retiram, graças a Deus, a urgência destas discussões”.

Na prática, no entanto, uma decisão é relativamente urgente para garantir que a zona euro dispõe dos meios suficientes para enfrentar de uma vez por todas a crise da dívida soberana que continua a moeda única. Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, criou aliás uma forte irritação na Alemanha ao pedir uma decisão na próxima cimeira de líderes de 4 de Fevereiro, em vez no final de Março, favorecida por Berlim. “Estas propostas isoladas não facilitam a situação, complicam-na”, criticou Schäuble.

O ministro sublinhou aliás que qualquer alteração das regras do EFSF terá de ser decidida no quadro de um “pacote global” embora sem entrar em detalhes. “Não é desejável que sejam só a França e a Alemanha a aumentar as suas garantias, é preciso que os países em causa resolvam os seus problemas de endividamento”, afirmou Schäuble.

No plano da capacidade de financiamento, os ministros excluíram um aumento do tecto de 440 mil milhões de euros (em garantias de empréstimos) que foram atribuídos ao EFSF no momento da sua criação, em Maio. Este montante só permite no entanto levantar 250 mil milhões no mercado devido às reservas necessárias para garantir ao EFSF a notação financeira máxima (Triplo A), e as taxas de juro mais baixas possível.

Já no que se refere à flexibilização do seu funcionamento, as discussões incidem sobre a possibilidade de o fundo passar a fornecer linhas de crédito ou comprar títulos de dívida soberana no mercado secundário, quando hoje só pode intervir no quadro de programas de assistência acompanhados de um aperto da austeridade dos países assistidos.

De acordo com um diplomata europeu, os Dezassete esperam que “no quadro deste pacote global Portugal possa finalmente aceitar uma ajuda” do EFSF.

Apesar das pressões “amigáveis” a que tem estado submetido de forma contínua pelos parceiros desde Novembro, Portugal tem recusado terminantemente qualquer programa de ajuda nos moldes do que foi acordado, conjuntamente como FMI, para a Grécia ou para a Irlanda, sobretudo por causa da imagem negativa que comportaria para o país.

Segundo outro diplomata, Teixeira dos Santos voltou ontem a ser fortemente pressionado para um novo aperto das medidas de consolidação orçamental de modo a convencer os mercados sobre a sua determinação na matéria, ou, em alternativa, a recorrer ao EFSF para acalmar os mercados.

Apesar de rejeitar um plano formal de assistência, Lisboa não fecha em contrapartida a porta a um eventual recurso ao fundo de forma pontual e com menos condições.

Não é ainda claro de que forma os Dezassete esperam conseguir aumentar a capacidade de financiamento do EFSF. Antes da reunião de ontem, aliás, os seis países do euro que beneficiam de um Triplo A reuniram-se para se concertarem sobre as condições que exigirão aos outros pelo esforço acrescido que terão de fazer para garantir que os empréstimos do EFSF poderão chegar mesmo aos 440 mil milhões de euros sem perderem a notação financeira máxima.

A Irlanda pressiona por seu lado para a redução da penalização de 3 pontos percentuais com que a taxa de juro para a ajuda do EFSF é majorada para desencorajar a sua activação.

Metade dos portugueses diz que o país está pior do que antes do 25 de Abril

Estas são algumas das conclusões do estudo “As escolhas dos Portugueses e o Projecto Farol”, resultantes de um inquérito a 1002 pessoas realizado pela consultora Gfk.

Para 46 por cento dos inquiridos, o actual cenário económico e social é considerado pior, ou muito pior, quando comparado com a vida há 40 anos, antes do 25 de Abril. Se a comparação for feita com um período mais recente, as perspectivas são ainda mais desanimadoras. Mais de metade dos portugueses (58 por cento) vê a vida actual como pior ou muito pior face há 25 anos, antes da entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia (CEE).

Para 81 por cento dos portugueses, o principal problema nacional é o desemprego, seguindo-se o sistema de saúde e o endividamento das famílias, que reúnem o consenso de 26 por cento dos inquiridos. A esmagadora maioria (78 por cento) acredita que o país está a caminhar na direcção errada e mais de metade (53 por cento) considera que a situação económica e social do país será pior ou muito pior no prazo de dez anos.

O inquérito revela ainda que há uma grande desconfiança por parte dos portugueses no sistema político. Cerca de 90 por cento dos inquiridos dizem desconfiar ou confiar muito pouco na classe política e nos Governos, 89 por cento nos partidos políticos e 84 por cento na Assembleia da República. Os tribunais, os sindicatos e a administração pública reúnem também elevados níveis de desconfiança.

Em aparente contradição com esta desconfiança generalizada no sistema político está a convicção expressa pela maioria (74 por cento) de que o Estado deve contribuir sempre para a competitividade e o desenvolvimento de Portugal. Só depois vêm as empresas privadas e pública, os media ou a sociedade em geral. Além disso, 64 por cento dos portugueses considera o modo mais eficaz de influenciar a sociedade é votar nas eleições, o que parece contrariar a fraca confiança na classe política.

Parece ainda haver pouca propensão ao risco por parte dos portugueses, já que mais de metade (54 por cento) diz que não estaria disposto a lançar um negócio próprio.

Resultados revelam pessimismo

O presidente do grupo Sonae, Belmiro de Azevedo, admitiu hoje não ver “um caminho fácil para melhorar os indicadores deste estudo”, que surpreendeu em alguns aspectos os promotores do Projecto Farol. Este projecto pretende traçar um guia para o desenvolvimento do país até 2020 e tem como promotores Belmiro de Azevedo, Daniel Proença de Carvalho, Jorge Marrão, António Pinho Cardão, José Maria Brandão e Manuel Alves Monteiro

Para José Maria Brandão de Brito, os resultados do estudo mostram que os portugueses “estão particularmente deprimidos e pessimistas”. “Foram três anos de crise que marcaram muito”, considera, acrescentando que o facto de a situação actual estar muito marcada pelo desemprego contribui para um posicionamento face ao futuro bastante negativo.

Jorge Marrão considera mesmo que a sociedade portuguesa está mal informada sobre o grau de desenvolvimento do país. “Obviamente que Portugal está melhor hoje do que há 40 anos”, conclui. António Pinho Cardão acrescenta ainda que o estudo mostra que os portugueses percepcionam a política e os políticos como não tendo a mínima credibilidade, mas também revela “um país conservador, com enorme aversão ao risco e sempre pronto a recorrer ao auxílio do Estado”.

Combustíveis voltam a subir e preço da gasolina bate novo máximo histórico

Segundo adiantou à agência Lusa fonte da Galp, a petrolífera actualizou os preços na noite de domingo para segunda-feira, aumentando a gasolina em 2 cêntimos e o gasóleo em três cêntimos.
Nos postos da Galp, um litro de gasolina custa agora 1,533 euros, enquanto o gasóleo vale 1,348 euros o litro.

De acordo com a fonte, na base quer desta, quer das últimas actualizações de preços feitos pela empresa estão “alterações nas cotações do gasóleo e da gasolina no norte da Europa, que têm estado a disparar desde há várias semanas”.
Adicionalmente, disse, “o dólar [ao qual está indexado o preço do barril de petróleo] também se tem valorizado muito em relação ao euro, por causa das questões da dívida soberana” de vários países europeus.

Nos postos da Cepsa, desde as 00:00 de hoje que a gasolina 95 sem chumbo ficou mais cara 1 cêntimo, para 1,533 euros o litro, e o gasóleo custa mais 0,9 cêntimos, fixando-se nos 1,348 euros o litro.
A Lusa contactou a BP para obter informação sobre aumentos nos postos de abastecimento, mas até ao momento não foi possível obter resposta.

Com esta nova subida, o preço da gasolina bateu o valor médio mais alto de sempre: 1,523 euros, atingidos na semana de 18 de Julho de 2008, numa altura em que o preço do petróleo atingiu máximos históricos, acima dos 147 dólares por barril.
Os dados mais recentes da Comissão Europeia apontam Portugal como tendo o gasóleo mais caro da Europa, a seguir à Grécia e à Finlândia, enquanto o mais barato é da Irlanda, Áustria e Reino Unido.
Depois de impostos o cenário muda: o gasóleo português quando chega ao público é o 8.º mais caro da UE-27. Com impostos o gasóleo mais caro é do Reino Unido, seguido da Suécia e, depois, da Grécia.



Uma análise feita pela Lusa concluiu que preços da gasolina sem chumbo 95 subiram em média todas as semanas desde Setembro à excepção de quatro vezes, apesar de se terem registado sete quedas de preço deste produto refinado nos mercados internacionais.
As petrolíferas referem que estes preços na bomba acompanham a média semanal de preços dos produtos refinados nos mercados internacionais.

Apple cai mais de quatro por cento em Nova Iorque, mas recupera na Europa

O impacto da saúde de Jobs, de 55 anos, nos mercados de capitais não se fez esperar. O efeito só hoje se fez sentir em Nova Iorque, porque ontem foi feriado bolsista, pela celebração do Dia de Martin Luther King. Cada acção valia a seguir à abertura de Wall Street 333,18 dólares (cerca de 248 euros).

A queda, que na abertura tocou os seis por cento, mas tem vindo a aligeirar, é acompanhada pela banca. O Citigroup perdia 4,94 por cento (valendo cada acção 4,92 dólares (3,67 euros), enquanto os dois principais índices de Nova Iorque seguem sem tendência definida: o índice industrial Dow Jones a ganhar 0,25 por cento e o tecnológico Nasdaq a perder 0,02 por cento.

Nas praças europeias, no entanto, as acções estavam a ganhar quarto por cento, a recuperar de perdas que ontem chegaram a ser superiores a seis por cento. A queda na abertura de Wall Street é, ainda assim, inferior às registadas ontem na Europa, como foi o caso de Frankfurt, onde caiu 7,5 por cento, ficando a valer 242 euros por acção.

Steve Jobs anunciou aos trabalhadores, por email, que vai ausentar-se de novo da empresa. Estará de baixa médica por tempo indeterminado, um ano e meio depois de ter regressado ao trabalho a recuperar de um transplante de fígado. Jobs deixa, pela terceira vez em seis anos e meio, a direcção interina da empresa tecnológica mais valiosa do mundo ao responsável de operações, Tim Cook.

Na carta não especifica a causa médica que o leva a afastar-se, mas garante que continuará como CEO e a acompanhar "as grandes decisões estratégicas" da Apple, cujas acções subiram 62 por cento nos últimos 12 meses.

Tim Cook já segurou rédeas da Apple duas vezes

A primeira vez que o CEO ficou gravemente doente, a Apple foi alvo de críticas por não ter prestado informações mais cedo e por ter perdido a oportunidade de transferir a "responsabilidade de dia para dia para outro executivo" atempadamente, como comentou agora à agência Bloomberg Michael Obuchowski, director do departamento de investimentos do First Empire Asset Management, em Nova Iorque.

O cancro no pâncreas tinha sido detectado em 2003 e, enquanto Jobs seguia uma alimentação especial que evitasse ser operado, a empresa optou por não revelar aos investidores o que se passava com o CEO. Quando foi operado, Tim Cook assumiu o comando da empresa e voltaria a fazê-lo em 2009, durante seis meses, enquanto Jobs recuperava de um transplante de fígado.

Durante esse tempo, as acções da Apple subiram 66 por cento e a saída temporária de Steve Jobs mostrou, afinal, que a empresa consegue sobreviver sem a permanência do líder dos seus últimos 14 anos. O próprio desempenho de Cook valeu-lhe uma compensação de 59,1 milhões de euros (44,4 milhões de euros).

Mas as atenções continuaram viradas para Jobs: a cada aparição pública, a sua saúde é alvo de especulações e de comentários sobre até quando será CEO da Apple. Em Setembro de 2009, recomeçaria ainda a part-time e, desde então, não falhou a apresentação de novos produtos da Apple. A última foi em Outubro.

Foi a China que comprou 1,1 mil milhões de dívida a Portugal

A agência de notícias Dow Jones noticiou hoje que foi com a China que Portugal efectuou a colocação privada de dívida, no valor de 1,1 mil milhões de euros, numa operação realizada no final da sexta-feira.

A realização desta operação tinha sido confirmada de forma oficial pelo Ministério das Finanças na sexta-feira, mas contudo não tinha sido revelada a contraparte.

Hoje, a agência de notícias norte-americana, que cita uma fonte não identificada, adianta que foi a China a comprar dívida a Portugal. O preço que Portugal pagou continua a ser desconhecido.

A expectativa já apontava contudo que tivesse sido a China a comprar dívida a Portugal, que este país asiático foi um dos que se mostrou disponível a ajudar Portugal com medidas concretas, no âmbito da crise de dívida soberana.

O Correio da Manhã noticiou ontem que teria sido a China a comprar esta dívida, revelando que os governantes chineses proibiram a divulgação oficial de qualquer pormenor sobre a transacção (sob pena de o negócio não se realizar), em particular qualquer referência à taxa de juro negociada com o governo português.

Analistas contactados pela Dow Jones salientam que esta emissão vai aliviar pressões sobre Portugal, que tem este ano que se financiar em 46,028 mil milhões de euros.

Na conferência de imprensa que se seguiu ao leilão de dívida pública realizado hoje, o ministro das Finanças garantiu que o Governo vai voltar a realizar vendas directas de dívida soberana.

"Continuaremos a realizar estas operações", afirmou Teixeira dos Santos, sem revelar, no entanto, quem são as respectivas contrapartes.

O responsável da pasta das Finanças sublinhou apenas que a estratégia seguida pelo Governo tem como objectivo "diversificar a base de investidores".

O ministro das Finanças afirmou que o sucesso do leilão tem "claramente uma implicação" e que passa por "reforçar a confiança na estratégia" que tem sido seguida e que "visa diversificar base de investidores da dívida pública portuguesa"

Portas apela à mobilização contra "confisco" do Código Contributivo

"Temos de fazer uma opção sobre como tratamos as pessoas que trabalham e as pessoas que dão trabalho aos outros. Ou as estimulamos ou as penalizamos... Trinta por cento de contribuições, num salário baixo, é um confisco. É muita contribuição para pouco salário, muito imposto em pouco rendimento", disse, após ter aderido à petição pública na internet "código contributivo, nem obrigado!". Na Biblioteca Municipal de Sintra, Portas alertou para o efeito dos aumentos das contribuições sociais no atual cenário de "recessão" e de "600 mil desempregados" da economia portuguesa, exemplificando que "um produtor ou comerciante também vê dizimada a pequena margem que tem, por pequena que seja, porque o Estado o expropria e apropria-se".

"Um jovem que esteja a recibo verde e que ganhe pouco mais de mil euros, pagava 159 euros para a Segurança Social. De repente, este mês vai pagar 237 euros e para o ano 296 euros. Cerca de 30 por cento do salário em contribuições sociais, sem falar dos impostos, significa o contrário do que o País deve fazer porque as pessoas praticamente têm de pagar para trabalhar", continuou.

O líder democrata-cristão, frisando que o CDS-PP foi o único partido com assento parlamentar a votar contra as novas medidas, apelou a "uma onda que obrigue a Assembleia da República a abrir os olhos e rever este aumento de contribuições especialmente brutal para os jovens".

O documento "código contributivo, nem obrigado!" pode ser consultado no sítio da Internet "peticaopublica.com", contando para já com quase 100 signatários.

Castro Jerónimo - Search Engine