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segunda-feira, 28 de março de 2011

Valor médio da avaliação bancária cai 2,8%

A avaliação bancária de apartamentos e moradias caiu 2,8 por cento no mês de Fevereiro em termos homólogos, mas aumentou 0,5 por cento face a Janeiro, fixando-se em 1.139 euros por metro quadrado, mostra o Instituto Nacional de Estatística (INE).

O Inquérito do Instituto Nacional de Estatística (INE) à avaliação bancária na habitação, realizada no âmbito da concessão de crédito à habitação, destaca que face ao mesmo período de 2010, o valor médio das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto caiu 3,2 por cento e 4,8 por cento respectivamente.

Os decréscimos mais acentuados verificaram-se na região de Lisboa (-3,2 por cento) e a do Norte e Centro (ambas com uma queda de 2,8 por cento), tendo as regiões autónomas dos Açores e da Madeira sido as únicas a registar uma variação positiva.

O INE refere ainda que em Fevereiro a área metropolitana de Lisboa apresentou uma redução de 0,1 por cento face a Janeiro, enquanto na do Porto se registou um aumento de 0,8 por cento.

No que diz respeito aos apartamentos, o valor médio de avaliação bancária subiu 0,3 por cento em Fevereiro, face a Janeiro, situando-se nos 1.203 euros por metros quadrados, tendo as variações em cadeia sido positivas na maioria das regiões, excepto nas de Lisboa (-0,5 por cento), do Alentejo (-0,8 por cento) e do Algarve (-0,3 por cento).

Já em termos homólogos, o valor médio de avaliação dos apartamentos desceu 3,9 por cento, destacando-se a região Norte pelo decréscimo homólogo mais intenso (-5,0 por cento) e a região autónoma dos Açores com a variação mais elevada (9,2 por cento).

Nas moradias, a avaliação bancária fixou-se nos 1.034 euros por metro quadrado, ou seja, uma subida de 0,8 por cento face a Janeiro e um aumento de 0,6 por cento face ao mesmo mês de 2010.

Restauração recua na taxa por pagamento com cartão

A ideia inicial era alterar a lei para passar a taxar o uso de cartões bancários no pagamento de refeições. Mas o presidente da Associação portuguesa de Hotelaria e Restauração (AHRESP) esclareceu esta segunda-feira que o uso dos cartões de débito e de crédito não vai ser cobrado aos clientes, embora tenha defendido taxas mais baratas para as empresas.

As declarações de Mário Pereira Gonçalves surgem depois de o secretário-geral da associação, José Manuel Esteves, ter dito à TSF que esta era uma das propostas que seria discutida nas jornadas da AHRESP, entre hoje e quarta-feira, para contornar o «custo pesadíssimo» do uso do multibanco.

O «equívoco»

O presidente da AHRESP disse à Lusa que «os empresários não querem passar estes custos para os clientes» e que se tratou de «um equívoco».

O que a associação pretende é que as taxas que lhes são cobradas «sejam iguais às de outros países. São 100% superiores às de Espanha», exemplificou, escusando-se a apontar um valor concreto, pois estes pagamentos dependem das entidades que gerem os cartões e do volume de negócios das empresas.

Mário Pereira Gonçalves considera fundamental diminuir os custos de contexto nas empresas deste sector e propõe, por exemplo, o fim da obrigatoriedade das embalagens individuais de açúcar e manteiga e a extinção das taxas de ocupação da via pública.

«Antes, havia açucareiros, agora somos obrigados a ter tudo embalado. Isso obriga-nos a pagar tudo mais caro, quando queremos é reduzir os custos de contexto».

O presidente da AHRESP defende também o fim das taxas cobradas pelas autarquias pela ocupação da via pública (esplanadas e toldos) e das taxas relativas à afixação de publicidade, além de legislação simplificada na área da higiene e saúde no trabalho.

«A segurança social obriga-nos a comunicar a admissão de cada trabalhador antes de começarem a trabalhar. Mas este é um sector com grande rotatividade, e às vezes nem sequer aparecem». «Se quiser ter tudo em ordem, um empresário hoje não faz mais nada». Daí que este responsável apela ao fim destes «custos de contexto e de tempo».

Entre as «medidas de choque» que a AHRESP quer discutir com os associados, divulgadas na página da Internet, incluem-se ainda a suspensão da certificação energética e a medição da qualidade do ar, paridade do IVA com Espanha, combate à evasão e fraude fiscal, geradoras de concorrência desleal, tarifário elétrico especial na baixa tensão, eliminação das instalações sanitárias públicas e aumento dos preços de venda.

A cobrança aos clientes das taxas dos pagamentos efectuados com meios eletrónicos (cartões de crédito e de débito) estava também incluída nas medidas a debater com os empresários da hotelaria e restauração para minimizar os custos de contexto.

Bruxelas quer acabar com carros a gasolina até 2050

A Comissão Europeia propôs esta segunda-feira acabar até 2050 com os veículos convencionais a gasolina e a gasóleo nas cidades. O objectivo é tornar o sector dos transportes mais competitivo e menos poluente.

«Podemos acabar com a dependência do petróleo sem sacrificar a eficiência e comprometer a mobilidade», disse o comissário europeu dos Transportes, Siim Kallas, citado pela Lusa, ao apresentar uma nova estratégia da CE para 2050.

Bruxelas marcou ainda como objectivo para as próximas quatro décadas reduzir em 40 por cento as emissões do transporte marítimo, conseguir em 40 por cento do combustível usado na aviação tenhas níveis baixos de dióxido de carbono assim como conseguir que metade das viagens de media distancia passem a ser feitas por transporte ferroviário em vez do rodoviário.

A Comissão Europeia recomendou assim os Estados membros a encontrar 1.500 milhões de euros para investir até 2050 para financiar a infra-estruturas de transportes e veículos do futuro.

«É um documento com visão. Não tem força de lei», reconheceu Siim Kallas adiantando, contudo que «será seguido por acções».

A área dos Transportes é o pesadelo do comissário para o Clima, Connie Hedegaard, porque as emissões de CO2 provenientes deste sector estão a subir de forma consistente (23,6 por cento em 2008).

França, Itália, Espanha e Alemanha representam 76 por cento das emissões dos transportes na UE.

Líbia, Japão e dívida europeia enervam petróleo

Os preços do petróleo estão em queda nos mercados internacionais neste arranque de semana, com os conflitos na Líbia, a crise nuclear no Japão e a falta de soluções em torno da dívida europeia a deprimirem os investidores.

Em Londres, o Brent está a ser penalizado pelo nervosismo que paira sobre a Europa, com a crise da dívida ainda por resolver, recuando 0,5% para os 115,01 dólares por barril. Embora preocupe os mercados, este problema de solução adiada está a ser ofuscado pelos conflitos na Líbia e no Médio Oriente.

Em Nova Iorque, cresce a especulação de que o Japão vai atrasar a reconstrução do país por causa da crise nuclear.

Para além disso, os investidores acusam nervosismo quanto à crise da dívida europeia e também em relação à instabilidade na Líbia. Cada barril de crude está a desvalorizar 0,63%, valendo a esta hora 104,71 dólares.

Euro acima dos 1,40 dólares

A valorização do euro está esta manhã bastante tímida, com a perda de confiança depois da derrota da coligação liderada por Angela Merkel nas eleições regionais da Alemanha.

A maior economia europeia tem sempre muita influência nas negociações da moeda única e esta derrota eleitoral faz temer sobre as perspectivas políticas para o país. Ainda assim, o euro avança uns ligeiros 0,16% para os 1,4068 dólares.

Nota ainda para o iene: a moeda japonesa está a recuar face à maioria das moedas, uma vez que os sinais de uma recuperação economia à escala global estão a ganhar força - nos EUA há, por exemplo, a previsão de que os gastos dos consumidores tenham aumentado - e acabam por impulsionar o apetite dos investidores por outros activos de maior rendimento.

Pesos pesados ditam fecho negativo da bolsa

A bolsa de Lisboa encerrou esta segunda-feira em queda. O PSI20 caiu 0,31% para 7.829,60 pontos, com os pesos pesados em baixa e a pressionar a praça.

A banca esteve entre as maiores descidas, penalizada pelos sucessivos recordes dos juros da dívida pública que, no prazo a cinco anos, estão já acima dos 8,8%. O BPI foi o que liderou as descidas, recuando 2,23% para 1,27 euros, mas o BCP também perdeu 1,46% para 61 cêntimos e o Banif deslizou 0,83% para 84 cêntimos. Só o BES escapou, subindo 0,59% para 3,09 euros.

Os três maiores bancos do PSI20 foram ainda alvo de um corte de rating esta manhã, pela agência S&P, que tinha já reduzido a avaliação da dívida da República na passada semana. A agência não afasta a possibilidade de proceder a novo corte, ainda esta semana.

No vermelho fecharam ainda as acções da Jerónimo Martins, que caíram 1,83% para 11,29 euros.

Nas telecomunicações, também predominou o pessimismo, apesar de o sector na Europa ter andado animado. O Goldman Sachs elevou a recomendação das acções da Nokia para comprar, o que teve reflexo nos títulos das comunicações. No entanto, em Portugal, os principais títulos não acompanharam o optimismo: a PT caiu 0,73% para 8,18 euros e a Sonaecom desceu 0,47% para 1,47 euros. Só a Zon avançou 1,58% para 3,66 euros.

Na energia, as empresas de maior peso também cederam terreno: a EDP caiu 0,26% para 2,73 euros e a Galp recuou 0,33% para 15,15 euros. A EDP Renováveis é que continua a beneficiar da preferência dos investidores pelas energias limpas, depois do acidente na central nuclear japonesa de Fukushima: as suas acções cresceram 2,98% para 5,18 euros.

No resto da Europa, nota negativa também para a praça alemã, onde o DAX caiu 0,11%. No entanto, a maioria das praças decidiu-se antes pelo verde: o FTSE inglês aumentou 0,06%, o MIB italiano 0,11%, o CAC francês 0,12% e o IBEX espanhol 0,38%.

Do outro lado do Atlântico, os mercados norte-americanos estrearam-se no verde, graças ao crescimento acima do esperado dos gastos dos consumidores em Fevereiro. O Nasdaq sobe 0,18% e o Dow Jones 0,23%.

Dívida pública: negociação dispara 150%

A negociação de dívida pública disparou em Fevereiro. De acordo com dados da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o valor das ordens sobre títulos da dívida pública cresceu 149% em Fevereiro para 1,8 mil milhões de euros. Mais de dois terços do montante negociado dizem respeito a ordens de residentes.

A subida do valor contraria a tendência registada pelo número de ordens, que até recuou 8%.

Apesar do forte crescimento, os títulos de dívida pública continuam a representar apenas 23% do valor total das ordens sobre instrumentos financeiros e apenas 0,2% do número de ordens.

PSI20 fechou a perder 0,31% para 7.829,60 pontos

O índice PSI20 encerrou a sessão desta segunda-feira a perder 0,31 por cento para 7.829,60 pontos, com o BPI, o BCP e a Portugal Telecom (PT) a pressionarem.

Na Europa, a tendência foi maioritariamente de ganhos. Só Lisboa e Frankfurt contrariaram.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Meo: clientes podem ter 17 canais de televisão no PC

Os clientes do MEO, serviço de televisão por subscrição da PT, têm, a partir desta sexta-feira, acesso a 17 canais em directo no computador, incluindo a RTP, SIC e TVI, informou a empresa.

«A pensar no segmento jovem vamos levar a experiência que damos na televisão ao PC. Os nossos clientes, sobretudo do segmento dos 15 aos 24 anos, vão poder, nas suas casas, usar no seu PC não só o video-on-demand mas também 17 canais de televisão», disse o presidente executivo da PT, Zeinal Bava, na apresentação do novo serviço.

Bava adiantou que esta «é uma experiência que se quer cada vez mais multi-ecran», lembrando que o Meo tinha, no final do ano passado, uma quota de mercado de 30%, mais de 830 mil clientes.

«O Meo já atingiu massa crítica o que nos permite ser ainda mais audazes», frisou citado pela Lusa.

A operadora salientou também que o Meo «é mais do que televisão, é música e jogos e cada vez mais multi-plataforma».

Em comunicado, o Meo acrescenta que a disponibilização de canais de televisão no computador «vem complementar a oferta de conteúdos e aplicações multi-plataforma, adaptadas a uma utilização no telemóvel, computador e televisão, permitindo uma experiência uniforme qualquer que seja o equipamento que se está a utilizar».

Para aceder aos canais (RTP1, RTP2, SIC, TVI, RVI24, ETV, Disney, Panda, Hollywood, Benfica TV, Fuel TV, Trace TV, Food Network, The Poker Channel, Odisseia, História, Travel Channel, Trailers Meo VideoClube) é necessário ter uma ligação de banda larga à Internet.

O Meo online está disponível de forma gratuita até 30 de Abril, para todos os clientes Meo ADSL, Fibra e Satélite.

É hoje que o iPad 2 chega a Portugal

Chegou a hora de os fãs da tecnologia da Apple correrem às lojas: o novo tablets iPad 2 começa a ser vendido esta sexta-feira em Portugal nos revendedores autorizados e apenas duas semanas depois de ter sido colocado à venda nos EUA.

O dispositivo também já pode ser adquirido na Internet, através da página portuguesa da empresa de Steve Jobs.

Portugal é, de resto, um dos 25 países que hoje podem conhecer de perto o tablet que já esgotou em território norte-americano.

O novo dispositivo é dotado de duas câmaras, tem um novo processador e é mais leve do que a primeira versão. Através dele poderá aceder, tal como na primeira versão, à aplicação da TVI24 que está, de resto, no primeiro lugar do top português na categoria «News».

Como habitual, a Apple não aposta em significativas operações de marketing e publicidade para mostrar o produto, que por si só já gera atenção mediática e interesse dos curiosos suficiente, nota a Lusa.

O mercado dos tablets, de que o iPad é líder, tem vindo a crescer: Samsung, Motorola, Blackberry, LG e HTC são algumas das marcas que em breve colocarão no mercado diversos aparelhos do género.

Os tablets são dispositivos semelhantes a um pequenos computadores de ecrã táctil que permitem ter uma experiência de leitura de jornais, revistas ou livros próxima da leitura em papel, com a vantagem de se poder aceder a conteúdos multimédia.

Leilão de carros clássicos: de 2 a 60 mil euros

Está a chegar a 7ª Edição do Salão Motorclássico na Feira Internacional de Lisboa (FIL), nos próximos dias 8, 9 e 10 de Abril. Este ano o Salão tem uma novidade: o I Leilão de Veículos Clássicos & Automobília.

«Enquadrado no maior evento de automóveis clássicos, este é o primeiro leilão do género que se realiza em Portugal», refere a organização em comunicado.

O leilão, organizado em parceria com a leiloeira Aqueduto, decorre no dia 9 de Abril, a partir das 17 horas e reúne 289 produtos de automobília.

As peças a leilão têm origem em coleccionadores privados, e «há peças para todos os preços e gostos». Salvador Patrício Gouveia, da organização, afirma que «este leilão é uma excelente oportunidade de negócio tanto para coleccionadores, como para investidores».

Adianta ainda que «alguns produtos podem atingir uma valorização de 15% ao ano. Comprar um automóvel clássico é hoje um investimento seguro. Não só não se desvalorizam, como mesmo valorizando a um ritmo mais lento, a mais-valia no momento da venda é sempre superior à maioria dos investimentos financeiros».

A organização destaca alguns dos lotes que vão a leilão:

Automóveis Clássicos:
Renault Modelo 6 CV Torpedo, de 1927. Preço base: 12.000€
Morris Modelo Mini Cooper MKII, de 1969. Preço base: 6.500€
Porshe GT3 RS MKi MY 2033. Preço Base: 60.000€
BMW 2000, de 1968. Preço Base: 2.000€
BMW Modelo 3.16 de 1981. Preço Base: 3.500€
MG Midget, 1275 MK3, de 1971. Preço Base: 6.000€
Volkswagen 1303S, de 1972. Preço Base: 2.800€

Peças de automobília:
Bicicleta Ucal dos anos 80. Preço Base 80€
Placas de esmalte desde 30€
Par de Faróis desde 50€
Bomba de Gasóleo desde 180€
Volantes desde 50€
Carburadores desde 100€
Fatos de competição e botas desde 50€

Cimeira: Portugal promete ser fiel a compromissos

O primeiro-ministro demissionário, José Sócrates, prometeu esta quinta-feira na cimeira europeia em Bruxelas que o país «saberá estar à altura das suas responsabilidades e cumprirá os seus compromissos com a Europa», avança a Lusa, que cita fonte diplomática.

Sócrates reiterou a mensagem tantas vezes transmitida aos parceiros europeus, de que Portugal não precisa de ajuda internacional, tendo recebido em troca palavras de apoio do «amigo» primeiro-ministro espanhol, José Luiz Zapatero e de do Presidente francês, Nicolas Sarkozy.

O ainda chefe do Governo foi aplaudido pelos parceiros europeus, um gesto habitual quando um dos membros do Conselho Europeu está de saída do cargo.

No final do primeiro dia de cimeira, os líderes europeus chegaram a acordo para um pacote alargado de medidas económicas, e o aumento do fundo de estabilização financeira (FEEF), que só terá conclusões em Junho, e o aumento da capacidade do mecanismo europeu de estabilidade.

Mas desta cimeira saem também avisos a Portugal, de que a queda do Governo não pode mudar o rumo da consolidação orçamental.

Vários responsáveis desdobraram-se em declarações para que isso fique bem claro aos partidos da oposição em Portugal.

A chanceler alemã, Ângela Merkel, que disse esta manhã estargrata a José Sócrates, reiterou que os compromissos assumidos devem ser mantidos. Numa reunião com o líder do PSD, Passos Coelho, a alemã deixou ainda claro que «lamenta» o chumbo do PEC 4 no Parlamento. Também para o social-democrata foi outro recado deixado por Nicolas Sarkozy: o francês afirmou que «os partidos da oposição em Portugal não podem pensar que as condições de austeridade defendias por Bruxelas vão ser alteradas».

Também o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, e do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, e ainda da Comissão Europeia, Durão Barroso, disseram que o fundamental é manter as metas de consolidação orçamental.

Habitação: juro implícito sobe há 8 meses consecutivos

A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito à habitação voltou a aumentar em Fevereiro pelo oitavo mês consecutivo, tendo crescido 0,043 pontos percentuais face a Janeiro para se situar nos 2,144 por cento.

Ainda assim, este aumento é menor do que o verificado entre Dezembro e Janeiro, quando o crescimento foi de 0,056 pontos percentuais.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), desde Junho de 2010, quando se verificou o valor mínimo da sua série, a taxa de juro dos contratos de crédito à habitação já cresceu 0,341 pontos percentuais.

O valor da prestação média vencida em Fevereiro fixou-se nos 262 euros, numa subida de um euro face a Janeiro.

Taxas aumentam em todos os períodos

As taxas de juro aumentaram em Fevereiro para todos os períodos, «embora de menor intensidade que os verificados em Janeiro», afirmou o INE.

Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro subiu em Fevereiro 0,113 pontos percentuais face a Janeiro para 3,073 por cento.

«Comparativamente a Março de 2010, mês em que se atingiu a taxa mínima da série, o aumento acumulado foi de 1,055 pontos percentuais», segundo o INE.

Nestes contratos, o valor da prestação média vencida aumentou sete euros face ao mês anterior, situando-se nos 352 euros.

Nos contratos celebrados nos últimos seis meses o aumento da taxa de juro implícita mensal foi de 0,140 pontos percentuais, com a prestação média a situar-se nos 342 euros, e 0,101 pontos percentuais nos contratos celebrados nos últimos 12 meses, fixando-se a prestação neste caso em 329 euros.

O valor médio em dívida para os contratos em vigor situou-se nos 56.946 euros em Fevereiro, mais 48 euros que em Janeiro.

Por destino de financiamento, os valores médios de dívida nos contratos de aquisição de habitação aumentaram 44 euros 30 euros no caso da construção de habitação.

Merkel pressiona oposição a confirmar metas de défice

A chanceler alemã pressionou esta sexta-feira de manhã o Governo e a oposição portugueses a clarificarem o seu compromisso com as metas orçamentais já estabelecidas com Bruxelas.

À saída do Conselho Europeu, Ângela Merkel considerou que o compromisso de Portugal com as metas orçamentais é essencial para acalmar os mercados financeiros.

Um recado deixado no mesmo dia em que as taxas de juro das obrigações do Tesouro português atingiram novos máximos. Nos prazos acima de 5 anos ultrapassaram a barreira dos 8%.

A líder do Governo alemão considerou ainda que as condições políticas para assegurar o euro estão agora concluídas, e que apenas os detalhes técnicos ficaram para definir no final de Junho.

Para Merkel, só o tempo dirá se as medidas tomadas serão suficientes para combater a crise da dívida pública na moeda única.

Para já, é apenas certo que o mecanismo europeu de estabilidade (MEE), que vai substituir o actual fundo europeu de estabilização financeira (FEEF) a partir de meados de 2013, vai ter um rating de AAA.

Petrolíferas: «se baixarmos preços, temos prejuízo»

As petrolíferas dizem que não é possível baixar o preço dos combustíveis sete ou oito cêntimos, como tem defendido o ex-presidente da Autoridade da Concorrência (AdC), Abel Mateus. «Uma redução média daquela ordem de grandeza acarretaria com certeza prejuízos, tanto para as empresas distribuidoras como para os retalhistas», avisa.

Numa carta aberta ao professor, a que a Agência Financeirateve acesso, a Associação Portuguesa das Empresas Petrolíferas (Apetro) questiona a «sustentação» da análise de Abel Mateus, e lembra que a margem bruta (calculada pela diferença entre o preço médio antes de impostos e a cotação de referência do produto refinado) ronda os 12 a 14 cêntimos por litro.

«A maior parte deste valor é utilizado para cobrir os custos de armazenagem, distribuição e comercialização, incluindo as promoções e descontos, sobrando uma pequeníssima quantia para gerar o lucro que qualquer actividade tem que ter para poder sobreviver, investir e remunerar os seus accionistas».

Se não há mais terminais é porque são muito caros

A associação refuta também o argumento do antigo regulador, que defende construção de novos terminais e que a armazenagem e os oleodutos não estejam nas mãos das gasolineiras. «Não existem actualmente em Portugal quaisquer barreiras administrativas à construção e exploração de novos terminais. O recente terminal de Aveiro, que não é detido por nenhuma das nossas Associadas, é um exemplo dessa realidade», refere a Apetro.

Para as petrolíferas, «se outros ainda não foram construídos, isso dever-se-á exclusivamente à falta de investidores e de viabilidade económica de eventuais novos projectos».

Mais importadores implicaria um aumento do custo

Para além disso, frisa, «também não existem quaisquer barreiras à importação directa de combustíveis refinados».

Mais: «Se se entregasse esta actividade a uma entidade autónoma, isso implicaria mais um elo na cadeia de valor com a consequente necessidade de assegurar uma remuneração certa do negócio (¿) traduzindo-se muito provavelmente num aumento do custo final».

De qualquer modo, ressalva, esta parcela de custo, segundo dados publicados pela AdC, tem um valor total na ordem dos 2c/l, pelo que não se vislumbra de onde poderiam vir os tais benefícios.

Se portugueses querem serviços têm de pagar por eles

A Apetro pronuncia-se ainda sobre o licenciamento de novas gasolineiras. «Concordamos com a ideia de facilitar o licenciamento de novos postos de abastecimento embora não nos pareça que haja falta de postos. Contudo, isso deve ser feito de uma forma equitativa, de modo a que as mesmas regras se apliquem a todos, sem que se crie um favorecimento especial a um determinado tipo de operador em detrimento de outros, como vem acontecendo ultimamente, em clara distorção das regras de sã concorrência».

Para a Apetro, as gasolineiras das marcas de referência são prejudicadas face às de marca branca, como são conhecidas as bombas agregadas às grandes superfícies comerciais. «Muitas vezes essas empresas aproveitam terrenos de parques de estacionamento, que são mais baratos, para construir o posto de abastecimento. As empresas tradicionais não podem fazer isso. O facto de pagarem mais pelo terreno tem implicações nos custos e também tem de se reflectir nos preços», explica fonte da associação à AF.

«Porque é que não há bombas de marcas brancas nas auto-estradas? Porque os terrenos são mais caros, é preciso um conjunto de serviços agregados, área de lazer, restauração, instalações sanitárias, etc. Tudo isso contribui para a estrutura de custos. Até os salários são diferentes. Pensem nos funcionários desses postos, que todos os dias têm de se deslocar pela auto-estrada para chegar ao local de trabalho e para voltar para casa. Tem despesas acrescidas que é preciso ter em conta», sublinha, concluindo que «se as pessoas querem serviços com qualidade, têm de pagar por eles».

Juros da dívida acima de 8% em quase todos prazos

Uma crise total - nos campos económico, financeiro, político e social - com repercussões nos mercados da dívida. Os juros a 10 anos acabam de bater um novo máximo histórico, nos 8,061%, rapidamente ultrapassado pelos 8,069% e 8,075% verificados minutos depois. E a escalada continua: estas Obrigações do Tesouro já vão nos 8,257%, patamar alcançado 8h52.

Sessão de recordes também nos juros a cinco anos que atingiram às 08h33 os 8,518% e já voltaram a renovar máximos, nos 8,583%, às 08h59 e nos 8,597% às 9h07.

Estamos a falar dos valor mais altos neste prazos desde a entrada de Portugal no euro, atingidos durante uma sessão, o que reflecte o descrédito crescente dos mercados em relação à capacidade de o país levar a cabo os seus compromissos.

E isso reflecte-se na subida imparável do spread, ou seja, da diferença entre o que os investidores exigem para adquirir dívida portuguesa em detrimento da alemã, que é a que serve de referência. Esse indicador já vai nos 480,8 pontos base, numa escalada imparável desde segunda-feira, dia em que estava nos 430.

Têm sido os juros a cinco anos a bater recordes sucessivos nas últimas sessões, mas a crise política em Portugal está a ter efeitos na escalada dos vários prazos.

Acima dos 8% estão também os juros a quatro (8,113%), seis(8,181%), sete (8,249%), oito (8,199%) e nove (8,101%).

E depois, esta é uma sexta-feira de ressaca, com o corte derating que Portugal sofreu por parte da Fitch e da Standard & Poor`s: um revés de dois níveis em cada uma das avaliações, sendo que, no segundo caso, Portugal está cada vez mais perto do pior nível de todos - o lixo.

O nervosismo cresce, cresce e Portugal está cada vez mais perto do dia D: o dia em que terá de pedir ajuda externa. De Bruxelas, as pressões são cada vez maiores.

Euro estável à espera das conclusões da cimeira

A cotação da moeda única europeia face ao dólar está a esta hora estável face à sessão de quinta-feira, negociando nos 1,4166 dólares. Os investidores aguardam pelas conclusões dacimeira europeia para arriscar mais.

Certo é que esta sexta-feira o euro já caiu de um nível bem próximo do valor mais elevado em mais de um ano em relação ao dólar.

Entretanto, a cautela impera e a conjuntura não é de grande ânimo, uma vez que Portugal reitera a sua oposição à ajuda financeira. Os mercados continuam sem confiar no país. Ainda ontem, a Fitch e a Standard & Poor`s cortaram o rating da dívida nacional em dois níveis cada um.

E os juros da dívida soberana portuguesa estão já acima dos 8% em quase todos os prazos. É uma escalada que bate sucessivos recordes.

PSI20 fecha a perder 0,18% para os 7.854,18 pontos

A bolsa de Lisboa fechou a sessão desta sexta-feira a perder 0,18% para os 7.854,18 pontos, a contrariar a tendência das restantes praças mundiais.

A pressionar a bolsa ficaram as acções da banca, com o BCP a perder 1,91% e a liderar as quedas do PSI20.

Do lado oposto, Sonaecom e Jerónimo Martins avançaram mais de 1%, Sonae Indústria liderou ao subir 2,10%.

De resto, an Europa o dia foi de ganhos, com Londres em primeiro lugar ao subir 0,49%. No EUA tudo no verde, impulsionado pelos bons dados económicos revelados hoje: Nasda avança 2,02% e Dow Jones sobe 0,71%.

Petróleo: Líbia contribui para subida dos preços

Os preços do petróleo continuam a subir nos mercados internacionais, ainda com a Líbia a influenciar as negociações.

Os receios de que a instabilidade sentida no Médio Oriente e Norte de África interrompa com maior intensidade o fornecimento da matéria-prima estão na base do nervosismo que faz mexer as cotações. Os cortes na produção e fornecimento do «ouro negro» reduzem a oferta, logo, os preços sobem.

Neste momento, o Brent do Mar do Norte, que serve de referência às importações portuguesas está a subir 0,09 por cento para 115,82 dólares.

Em Nova Iorque, o crude está a somar 0,15, com cada barril a valer 105,71 dólares.

Por um fio: Estado só tem dinheiro até Abril

O quadro é negro e os recordes sucessivos nos juros da dívida soberana nacional são um reflexo disso mesmo. Precisamente por causa dos empréstimos que o país contrai para pagar dívida (ou seja, outros empréstimos), o Estado está a ficar sem dinheiro. O mealheiro fica vazio em Abril.

Como escreve o «Correio da Manhã», o dinheiro «acaba» mesmo no mês que vem, já que no dia 15 de Abril vence um empréstimo de 4,4 mil milhões de euros de Obrigações do Tesouro a 10 anos - capital e juros incluídos. E faltam dois mil milhões de euros aos cofres do Estado para honrar este compromisso.

Mas o pior ainda está para vir. Se em Abril o dinheiro acaba, Junho é o mês fatal. No dia 15 desse mês, o país precisa de pagar mais 4,9 mil milhões e 254 milhões de euros em juros, segundo a Bloomberg, por causa do empréstimo cujo prazo de reembolso termina nesse dia.

Depois, há outras despesas que o Estado soma: mais de dois mil milhões de euros em salários dos funcionários públicos e subsídios de férias; e outro montante para saldar empréstimos de duas empresas públicas - são precisos 300 milhões para a Refer e 75 milhões para CP.

Portugal está à beira do colapso? As necessidades de financiamento de Portugal até ao final do ano são ainda maiores e é preciso arranjar dinheiro para pagar os empréstimos contraídos. E o país está a ficar sem dinheiro e logo na altura em que o Governo se demite.

A ajuda que a União Europeia poderá dar às contas públicas, no caso de o resgate acontecer, será à volta de 75 milhões de euros, segundo o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Passos admite subir impostos sobre consumo, incluindo IVA

O líder do PSD pronunciou-se finalmente sobre uma possível subida de impostos, se o seu partido vier a formar Governo. Passos Coelho diz que, numa altura em que se desconhece a verdadeira situação das contas do país, não pode afastar uma mexida nos impostos. Mas a aumentar algum imposto, garante, será apenas os que incidem sobre o consumo e não sobre o rendimento.

Ou seja, está afastado um aumento de IRS ou IRC, mas fica em aberto um aumento da taxa de IVA ou de impostos especiais sobre o consumo, como o do tabaco, álcool ou produtos petrolíferos (combustíveis).

Em declarações aos jornalistas, o líder social-democrata diz que o único compromisso que pode assumir nesta altura com os portugueses é que não tomará medidas que afectem as pensões e reformas mais degradadas, quer através de aumento de impostos quer de corte de rendimentos.

Já esta quinta-feira de manhã o secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, admitiu a possibilidade de aumentar a taxa normal de IVA, que se encontra actualmente em 23%, para 24 ou 25%, caso o seu partido chegue ao poder. A possibilidade foi avançada pelo jornal «Correio da Manhã» e o secretário-geral, questionado pela «TSF» não afastou este cenário e defendeu que o futuro político do país tem que passar por eleições antecipadas. «Está tudo em aberto», afirmou.

A subida do IVA pode assim constar dos compromissosassumidos pelo líder social-democrata, esta quinta-feira de manhã em Bruxelas, onde esteve com Ângela Merkel e onde terá assumido outro compromisso, o de não cortar salários nem pensões.

O líder da bancada parlamentar do PS, critica o que o PSD vem agora admitir. Francisco Assis diz que aumentar o IVA é uma«solução injusta», porque é um aumento indiscriminado sobre todos os portugueses, quaisquer que sejam os seus recursos económicos e sociais. Já o CDS-PP, demarca-se desta medida.

Entretanto o conselheiro nacional do partido, o economista Nogueira Leite, pediu já ao PSD que mostre o que vai fazer diferente
do PS, um apelo para que os laranjas não caiam na tentação de seguir o mesmo caminho dos socialistas.

Euribor voltam a bater máximos de 2009

É mais uma escala das taxas euribor. As taxas a três e a seis meses voltaram esta quinta-feira a bater máximos de 2009.

A Euribor a três meses volta a crescer 0,006 pontos, desta vez para 1,197%. É o valor mais alto desde o final de Junho de 2009, segundo o fixing diário da Federação Europeia de Bancos.

A maturidade a seis meses, o principal indexante do crédito à habitação em Portugal, sobe 0,005 pontos para 1,506%, também o valor mais alto, mas desde Maio de 2009.

Já a Euribor a 12 meses avança 0,004 pontos para 1,953%.

As taxas Euribor iniciaram uma tendência de subida desde que o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, admitiu que a instituição pode subir a taxa de referência, em 1% há 22 meses, já em Abril.

Juros recorde nos 8,5% com crise política ao rubro

É uma reacção esperada por parte dos mercados, tal como aOCDE já tinha antecipado. Os juros da dívida dispararam para um novo recorde a cinco anos, às 7h40, nos 8,363%. E já acentuaram a escalada: o novo máximo é de 8,401%, alcançado às 8h22. Recorde atrás de recorde, os juros subiram para os 8,422% às 08h28 e para os 8,444% às 8h38. Minutos depois, chegou a vez dos 8,445%, dos 8,455%, dos 8,465%, 8,47% e 8,509% - sucessivos valores máximos desde a entrada de Portugal no euro. O nervosismo e o stress estão instalados depois do chumbo do PEC 4 e da demissão consequente do primeiro-ministro.

Também as Obrigações do Tesouro a 10 anos estão em níveis perigosos. Hoje já chegaram aos 7,977%, negociando agora nos 7,943%.

A escalada é generalizada mesmo nos prazos mais curtos. Os juros a dois anos negoceiam nos 7,05%, a três anos nos 7,71% e a quatro anos nos 7,88%, por exemplo.

O spread, ou seja, a diferença entre o que os investidores cobram para adquirir títulos de dívida nacionais a 10 anos, em detrimento dos alemães, (que são, de resto, os que servem de referência) está imparável, nos 471,6%. Este indicador não tem parado de subir desde o início desta semana, uma semana que se sabia decisiva para o rumo de Portugal.

Na Irlanda e na Grécia, países que já foram socorridos, os juros continuam em níveis máximos. No primeiro caso, negoceiam nos 10,13% e no segundo nos 12,65%.

Com a crise política, económica e social ao rubro, o primeiro-ministro chega esta sexta-feira a Bruxelas para uma cimeira europeia importante já demissionário, embora o Presidente da República só aceite formalmente o pedido depois desta reunião entre os líderes europeus.

Se inicialmente se esperavam soluções decisivas desta cimeira europeia, soube-se ontem que os líderes da União Europeia estão preparados para adiar a decisão sobre o fortalecimento do fundo de resgate europeu para depois da do encontro, penalizando ainda mais a confiança dos mercados e prolongando a crise do euro. Os efeitos já se estão a fazer sentir. Os mercados não tréguas a Portugal. O descrédito é cada vez maior.

Bruxelas distancia Espanha de Portugal, mas...

O vice-presidente da Comissão Europeia distancia Espanha da situação em Portugal, considerando que os mercados já estão a olhar para os dois países de forma diferente.

«Qualquer pessoa que olhe para os mercados financeiros vê, há algum tempo, que a evolução dos índices» de Espanha «está claramente separada» da de outros países, como Portugal, Irlanda ou a Grécia, disse esta quinta-feira Joaquin Almunia, citado pela Lusa.

Por isso manifestou-se convicto que Espanha será «capaz de vencer» as tentativas de especulação dos mercados, graças a reformas «necessárias» que levou a cabo. Almunia não descarta eventuais efeitos especulativos da situação portuguesa nos mercados da dívida, mas afirma que Espanha poderá responder; se fizer os deveres, «pode fazer perder muito dinheiro aos especuladores» nos mercados. «Espero que assim aconteça».

Sobre a demissão de Sócrates, Almunia salientou a governação «com coragem» e disse que o «entristece»: «O Governo de Sócrates caiu com muita dignidade».

A pressão sobre a dívida de Espanha

Também aos analistas consideram que o efeito de contágio da crise portuguesa na dívida espanhola deverá ser reduzido.

Alguns admitem que poderá haver um efeito «a curto prazo», mas destacam as diferenças das situações nos dois países, com Espanha a registar quedas nos juros da sua dívida apesar da descida de rating e da situação portuguesa.

José Luis Martinez Campuzano, responsável de estratégia da Citi, considera, por exemplo, que o efeito em Espanha será reduzido, notando que «Portugal não tem um problema de solvência, mas um problema económico¿»que pode ser resolvido a médio prazo. «No pior dos casos haverá um aumento de tensão que, em parte, já está contemplado nos preços», refere, citado pela imprensa espanhola.

«Uma segunda leitura seria precisamente que a possível ajuda assegura que o país evitaria o cenário de insolvência a médio prazo», sublinha, considerando imprescindível que Espanha continue a fazer o seu trabalho.

Apesar da relativa confiança, os analistas recordam a exposição financeira e económica de Espanha a Portugal. Os últimos dados do Banco Internacional de Pagamentos referem que a exposição à divida publica e privada portuguesa ronda os 71 mil milhões de euros.

Além disso há 1.400 empresas com investimentos estáveis em Portugal «onde são responsáveis por cerca de 9 por cento do PIB» do país, com o Santander, por exemplo, a ter na sua filial portuguesa activos no valor de 38 mil milhões de euros.

«Apesar dessa forte presença, não se alastrou o medo nos mercados. A situação económica lusa é má agora, mas é um país solvente a médio e longo prazo», escreve o «El Mundo».

«Crise em Portugal é política»

Certo é que em Espanha o cenário não é por agora muito positivo. Embora a ministra da Economia espanhola tenha dito hoje que a crise em Portugal é «neste momento política» e que é preciso esperar «para ver quais serão as eventuais consequências» económicas», a verdade é que o risco da dívida espanhola subiu hoje sete pontos base para os 200, com o diferencial entre os títulos espanhóis e alemães consolida assim o ligeiro aumento que já tinha experimentado na quarta-feira, com o rendimento dos títulos a 10 anos a aumentar de 5,173 para 5,2 por cento.

Para além disso, a agência de notação Moody`s baixou orating em um ou dois níveis a 30 bancos e caixas espanholas, embora tenha mantido a nota das três maiores entidades financeiras do país: BBVA, Santander e La Caixa. Tudo por causa da maior pressão financeira sobre a dívida soberana espanhola e sobre muitos bancos «débeis».

Regras do Eurostat fazem disparar dívida pública

Antes não entravam nos cálculos do défice e da dívida. Mas segundo as regras definidas pelo Eurostat, o Instituto Nacional de Estatística vai incluir o passivo de empresas públicas, como as dos transportes, o que irá elevado o nível da dívida nacional.

O «Público» avança na sua edição desta quinta-feira que a partir de 2010, e nos anos seguintes, o valor da dívida pública oficial vai aumentar exponencialmente. Mesmo face aos números já avançados pelo Governo. A explicação é fácil: a dívida das empresas públicas há anos que é desorçamentada e não entra na contabilização pública do dinheiro gasto.

Agora a dívida pública sofre um agravamento, e que segundo Bruxelas a deverá colocar já acima dos 90% do PIB.

Segundo o «Público», neste novo cálculo estarão integradas algumas empresas públicas, sendo a Refer, uma delas, mas fonte do INE não quis confirmar a lista das entidades que vai passar para a coluna do «deve» nas contas do Estado.

O jornal fez as contas e só a inclusão da Refer, que gere a infra-estrutura ferroviária, vai colocar a dívida pública acima dos 90% do PIB já este ano. O passivo da empresa ascende a 6031,4 milhões de euros, o que equivale a cerca de 3,5% do PIB. Na proposta do PEC do Governo, estimava-se que a dívida pública seria de 82,4% em 2010 e 89,9% em 2011: contas feitas, incluindo só a Refer, chegaríamos aos 91,4%. Mas o valor pode ser ainda mais elevado, sublinha o artigo do «Público»: basta incluir os metros de Lisboa e do Porto.

Dívida por um lado e défice por outro. Os défices também serão afectados: ontem o «Diário Económico» noticiou que as imparidades do BPN, que ascendem a 1,1% do PIB, e o buraco de empresas públicas de transportes terão de ser incluídas, o que fará disparar o nível do défice para valores superiores a 8%.

Em reacção a esta alteração imposta pelo Eurostat, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, admitiu que por as empresas públicas de transportes deverão ser incluídas no perímetro das administrações públicas, o que faz subir os gastos do Estado.

Bruxelas está a trabalhar com o INE para corrigir estes erros na contabilização do sector dos transportes, obrigando a que, tanto para Portugal como para outros estados, sigam regras de contabilidade idênticas, e que obrigará que a incluam as imparidades financeiras nas suas contas.

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