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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Economista: «A Irlanda deve sair do euro»

É certo que o Governo da Irlanda «evitou o desastre imediato» ao conseguir aprovar o Orçamento mais severo de sempre. No entanto, «uma opção mais radical deveria ser seriamente considerada: deixar o euro». É esta a opinião da economista da Economist Intelligence Unit, Megan Greene, expressada num artigo de opinião publicado no «Financial Times».

É que impõe-se agora «decidir o que fazer a seguir» e esta economista defende que a meta de 6 milhões de euros que o Governo de Dublin espera poupar só com os cortes feitos no Orçamento do próximo ano não chegam para colocar a economia «novamente no caminho certo».

Se «o incumprimento da dívida soberana, a recapitalização massiva dos bancos e a forte queda nos salários são dadas como razões para os países da área periférica do euro não saírem da união monetária», no caso da Irlanda, «estas três situações vão acontecer de qualquer maneira».

«Se Irlanda sair, poderá crescer mais»

Megan Greene diz que a reestruturação da dívida parece inevitável em 2013 e que o empréstimo da União Europeia e do FMI serve apenas para lhe dar mais tempo, mas não resolve o problema.

Por outro lado, «já que é incapaz de desvalorizar a sua moeda, deve sofrer uma desvalorização interna para recuperar a competitividade, reduzindo os salários e os preços».

Segundo considerou, «tudo isto é pessimista, mas também existe um cenário optimista: se a Irlanda sair do euro, pode passar a ter perspectivas de crescimento razoavelmente boas». Até porque, admitiu, o país «tem uma força de trabalho altamente qualificada», pelo que as exportações sairiam reforçadas se a moeda fosse desvalorizada.

Mas «é claro que abandonar o euro não seria um processo fácil», com os mercados a barrarem o acesso ao financiamento no curto prazo, mas depois acabariam por reconhecer que o país «bateu no fundo» e afinal até encontrou «rapidamente um caminho em direcção ao crescimento sustentável».

Ainda assim, Megan Greene reconhece que a Irlanda já implementou «há muito» muitas das reformas estruturais que só agora a Grécia e Portugal começam a implementar.

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