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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Juros podem subir no Verão e ameaçar famílias

A subida da inflação é cada vez mais visível e essa realidade está a ameaçar a retoma económica da Zona Euro, facto que está a preocupar o Banco Central Europeu. Só em Janeiro, os preços no conjunto das economias da área euro cresceram 2,4%. Em Dezembro, já tinham aumentado 2,2%, ou seja, estão acima da meta de 2% que é encarada pelo BCE como um «nível» de estabilidade de preços.

Perante tal cenário, quais são as consequências de uma subida da taxa de referência no curto prazo? De acordo com o economista da IMF, Filipe Garcia, o aumento da taxa antes do previsto implica «uma continuação da subida da taxas Euribor em todos os prazos» e ao mesmo tempo «significa a redução do rendimento disponível para quem tem créditos à taxa indexada, que é a grande maioria. Nesse sentido, é uma ameaça à saúde financeira das famílias. Já para os aforradores é mais vantajoso, pois as taxas de depósito tendem a subir».

«O mercado acredita que a subida possa acontecer em Agosto. Não creio que seja o caso, penso que a subida, se acontecer, acontecerá só no Outono. Não espero que as taxas subam mais do que 25/50 pontos base este ano», refere à Agência Financeira.

Como é que as economias mais pobres - como Portugal - que se estão a esforçar para equilibrar as contas públicas vão conseguir lidar com mais uma subida generalizada dos preços?. «É um desafio. Notar que, apesar de tudo, estamos a falar de taxas de juro historicamente baixas. O problema é o excesso de crédito que foi contraído porque os juros (Euribor) não estão altos», conclui o economista.

Note-se que as Euribor já estão a subir desde meados de 2010. Na sessão de hoje, a especulação em torno de um aumento da taxa de juro continua a ensombrar as taxas interbancárias, levando a maturidade a 12 meses a máximos de Abril de 2009.

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