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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Descrédito permanece: juros da dívida nos 7,3%

A escalada dos juros da dívida pública portuguesa a dez anos tem sido imparável. Nesta manhã de sexta-feira o cenário aliviou em relação ao recorde de 7,64% alcançado na última sessão, mas os mercados continuam a acusar nervosismo, com os juros nos 7,313%. 

O BCE conseguiu que os juros descessem para esse patamar ainda ontem, ao comprar títulos de dívida nacionais, mas como hoje ainda não baixaram mais, dão um sinal de que os mercados não estão a dar assim tantas tréguas a Portugal.

Em pouco mais de uma semana os juros passaram do patamar dos 6,8% para os 7,5%, um sinal de que os mercados financeiros acreditam cada vez menos que o país vá cumprir os seus compromissos. Para travar esta subida, o BCE comprou ontem títulos de dívida nacional.

Apesar de os dados da execução orçamental relativos a Janeiro terem sido positivos, o país vive um período de turbulência agravada agora com o anúncio da moção de censura do Bloco de Esquerda ao Governo - já com data marcada para Março. 

Nem mesmo o facto de o Presidente alemão ter vindo ontem dizer, durante uma visita a Portugal, que o país consegue sair da crise sem recorrer à ajuda do FMI veio acalmar os investidores. 

O spread, ou seja, a diferença entre aquilo que os investidores cobram para comprar Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos, em detrimento das alemãs (que, de resto, servem de referência), está nos 403,7 pontos base, embora esteja a diminuir face à escalada até aos 436,6 pontos verificada ontem. 

Culpa é da lentidão da Europa

A imprensa espanhola escreve esta sexta-feira que a escalada dos juros se fica a dever à «lentidão» da UE em tomar decisões sobre temas como o reforço do fundo de resgate, o que está a «golpear» Portugal, e faz alastrar com o nervosismo à vizinha Espanha.

O assunto merece hoje referências na imprensa económica e generalista, chegando mesmo a abrir os cadernos de economia em jornais como o «El Pais», ou a merecer bastante destaque em jornais como «El Mundo» e «ABC», escreve a Lusa.

«As indecisões da UE para tomar medidas contra a crise que tão dolorosas foram para a Grécia há um ano, estão agora a provocar sérios problemas em Portugal», diz o «El País».

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