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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

EPAL passou a emitir facturas de dois em dois meses

Menos de três anos após a entrada em vigor da Lei dos Serviços Públicos Essenciais - que em 2008 determinou que as empresas de serviço público deveriam emitir facturas mensalmente - a EPAL voltou a emitir facturas relativas ao abastecimento de água apenas de dois em dois meses. A empresa, que serve 350.000 clientes em Lisboa, enviou agora uma carta com essa informação, mantendo porém a opção de escolha para quem preferir manter-se no regime actual. 

O objectivo desta alteração será retirar 1,5 milhões de euros aos custos anuais de operação da empresa, através de poupanças com os gastos no consumo de papel, nas expedições de correio e noutras despesas ligadas à facturação do fornecimento de água, refere o director de clientes da EPAL nas cartas que foram enviadas no final de Janeiro. Contas feitas, irá equivaler, por exemplo, a menos 20 toneladas de papel por ano. 

A EPAL - que em Janeiro esteve envolta em polémica devido à intenção de aumentar os salários de 40 trabalhadores - justifica essa alteração com o plano traçado para responder às orientações das Finanças, que têm como meta um corte de 15 por cento nos custos operacionais do sector empresarial do Estado em 2011.

A nova medida, em vigor desde Janeiro, irá reflectir-se num aumento dos valores que constam das facturas - uma vez que estas passam a abarcar dois meses - e deverá abranger 99,5% dos 350 mil clientes. De fora ficam apenas consumidores que gastam mais de 130 metros cúbicos de água por mês, indicou ao PÚBLICO o porta-voz da EPAL, José Manuel Zenha. Mesmo quem recebe as facturas exclusivamente por email, e por isso não representa poupanças de papel - cerca de 35 mil clientes -, será também incluído. 

Adiar manutenções
Esta alteração é apenas uma das medidas definidas para 2011, prevendo-se que represente metade dos três milhões de euros que a EPAL tenciona poupar em fornecimentos e serviços externos. Outra das acções com maior impacto nos clientes será "a racionalização das actividades de leitura e substituição de contadores", mas a empresa tenciona também adiar trabalhos na área da manutenção, nos sistemas de informação e também em acções de imagem e comunicação.

A medida que irá ter mais impacto para a empresa serão, no entanto, os cortes nos custos de pessoal. A meta estabelecida para 2011 é poupar sete milhões de euros nas despesas com trabalhadores, indicou também o porta-voz da EPAL. No total, a empresa pretende diminuir as despesas em 15 por cento, em relação ao ano de 2009. Face às orientações do Governo, os cortes no orçamento para este ano também se vão fazer sentir: irão ser menos 12,2 milhões de euros face às despesas que estavam previstas, dos quais mais de metade (6,7 milhões) dizem respeito aos contratos com fornecimentos e serviços externos e os 5,5 milhões restantes afectam os custos com pessoal.

As restrições decididas para o sector público já obrigaram a EPAL a recuar naquilo que tinha decidido quanto aos salários para 2011. No final de Janeiro, a empresa recuou nos aumentos de 5% definidos para cerca de 40 trabalhadores, após a ministra do Ambiente ter lembrado que os cortes salariais estabelecidos para a administração pública têm também de se aplicar nas mais de 90 empresas do Estado.

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