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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Saer: «Juros que Portugal paga são insustentáveis a prazo»

Os níveis de taxas de juro que Portugal tem vindo a pagar para obter novo financiamento, público e privado, nos mercados internacionais «são insustentáveis a prazo», considera a Saer.

Na apresentação do relatório trimestral da Saer - Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco, o primeiro após o falecimento do ex-líder da Saer, Êrnani Lopes, a sociedade diz que Portugal tem de crescer a uma taxa mais rápida do que as taxas de juro, caso contrário vai precisar de recorrer a ajuda externa, escreve a Lusa.

«Os níveis de taxas de juro que vem pagando em novos financiamentos - públicos e privados - são insustentáveis a prazo. Ou o PIB começa a crescer nominalmente a uma taxa mais rápida do que as taxas de juro (o que se afigura muito problemático), aliviando o peso relativo do endividamento, ou enfrentará a qualquer momento problemas de financiamento que obrigarão o país a recorrer a ajuda externa (e, posterior e provavelmente, a uma reestruturação da dívida)», diz o relatório.

A sociedade aponta ainda que, como risco negativo, será suficiente que a Espanha ou outra economia da Zona Euro se veja obrigada a recorrer à ajuda externa para que a onda de choque atinja de imediato a economia portuguesa».

Assim, a Saer considera que a economia portuguesa está «dependente da evolução e dos compromissos que sejam encontrados para a gestão da crise da divida soberana» a nível europeu.

Soluções para a crise vão provocar perda de soberania

O relatório diz ainda que Portugal precisa de prosseguir efectivamente com as medidas de austeridade delineadas no Orçamento do Estado para 2011, mas que «tal não se apresenta suficiente», sendo para essencial que a economia volte a crescer.

«Precisamos da Europa para fazer o reajustamento, sozinhos não o vamos conseguir fazer. Enquanto este país não crescer, não resolve problemas», adianta o director da entidade, José Poças Esteves.

O responsável assegura ainda que a Europa irá avançar em torno da integração, de forma a salvar o euro, e que essa integração vai significar uma perda de soberania para os países europeus.

«Vamos perder soberania, mas pusemo-nos a jeito para perder essa soberania», afirma o novo líder da Saer, considerando, no entanto, que este «é um bom caminho para Portugal».

Poças Esteves diz mesmo que historicamente a Europa «avança» quando se vê confrontada com problemas, e que para salvar o euro, também será assim desta vez, com a Alemanha à cabeça, que terá de justificar perante os seus eleitores (em ano de eleições) nova ajuda a países «mal comportados».

Essa justificação passará pelas sanções e regras que a maior economia da Europa deverá impor aos restantes países, dando mais poder e influência a Alemanha, e alguma perda de soberania a outros países, como é o caso dos periféricos.

Recorde-se que o tema de fundo deste novo relatório da Saer é a análise do que foram os 25 anos que Portugal já completou desde a adesão à União Europeia, que a sociedade caracteriza como de «sucessos relativos em termos económicos», devido ao mau uso dos meios e capacidades que Portugal fez do que a adesão à UE proporcionou.

«Portugal cresceu durante estes 25 anos a uma média de 2,4 por cento ao ano. É uma boa taxa de crescimento. Portugal teve acesso a condições sociais ao nível das maiores economias do mundo», diz o responsável.

No entanto, frisou que - especialmente na última década - a economia portuguesa teve um crescimento reduzido e que durante esse período registou défices muito altos e com taxas de juro mais altas que o crescimento do PIB, levando a que a trajectória da dívida pública entrasse numa rota «explosiva».

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