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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Estoril-Sol prepara despedimentos e corte de despesas

O Casino do Estoril é o maior da Europa, mas isso não quer dizer que fique imune à conjuntura económica. Apesar de já ter vindo a desenvolver estratégias de redução de custos, a administração da Estoril-Sol garante que, face ao cenário de crise, será inevitável implementar mais medidas para cortar as despesas em 7,5 milhões de euros, o que inclui a hipótese de despedimentos.

As receitas dos casinos explorados pela empresa (Lisboa e Estoril, detendo o grupo ainda o da Póvoa de Varzim) têm vindo a cair, tal como sucedeu nas restantes empresas do sector. No primeiro semestre deste ano, os proveitos dos três casinos foram de 114,9 milhões de euros, menos 8,9 por cento do que em idêntico período de 2008 (ver caixa).

Em declarações por escrito ao PÚBLICO, o presidente da Estoril-Sol, Mário Assis Ferreira, que gere os casinos do grupo, afirmou que, “em acréscimo ao corte de custos operacionais de 13,8 milhões de euros, já concretizados e em execução orçamental em 2009, teremos que cortar mais 7,5 milhões às despesas no orçamento para 2010”. De acordo com o mesmo responsável, perto de metade do montante em causa será obtido “através de um acrescido esforço de optimização dos custos operacionais e de novas soluções organizacionais”. As verbas restantes (cerca de 55 por cento) “terão, infelizmente, que ser alcançados através da racionalização de recursos humanos e eventual extinção de postos de trabalho”, sublinhou o gestor. O Casino do Estoril será o mais afectado.

Para enfrentar a crise, diz o gestor, é necessário encontrar um novo modelo de negócio, o que, por vez, implica mudanças na empresa, conduzindo a “uma profunda alteração na estrutura orgânica”. O que significa “não apenas a extinção de postos de trabalho que já hoje se evidenciam como excedentários” como “a equilibrada racionalização no esforço exigível em todos os sectores”. Não foi possível, no entanto, apurar o número de postos de trabalho que poderão ser atingidos. Mário Assis Ferreira garante apenas que a empresa vai tentar “reduzir os cortes em recursos humanos até ao limite do que for estritamente indispensável para alcançar os objectivos de economia de custos que a crise impôs”. No final de 2008, trabalhavam 616 pessoas no Casino do Estoril, mais do dobro dos trabalhadores do Casino de Lisboa.

A empresa quer também terminar com a carga horária de cinco horas e meia de trabalho que engloba cerca de 20 por cento dos empregados do Casino do Estoril. Classificando esta realidade como uma “gigante anomalia” que deriva de “alegados direitos adquiridos”, a administração quer levar avante o acordo de empresa onde está estipulado que, para as categorias profissionais em causa, o horário é de sete horas de trabalho. “A normalização de horários e a equidade da sua distribuição entre as várias categorias profissionais dos quadros do Casino do Estoril é, mais do que uma necessidade de racionalização organizacional, um pressuposto de justiça relativa”, afirmou Mário Assis Ferreira, acentuando que esta é “uma iniciativa prioritária da administração”. O gestor acrescenta que “a exigência do seu cumprimento decorre do acordo de empresa firmado há três anos (cuja denúncia decorreu da sua violação) pelo que constitui condição sine qua non para a eventual celebração de um novo acordo”.



Prejuízos em 2008



Apesar de o grupo, maioritariamente detido por Stanley Ho, já ter vindo a implementar uma estratégia de cortes de custos nos últimos anos, Mário Assis Ferreira garante que a sustentabilidade do negócio “pressuporia o crescimento ou, no mínimo, a estabilidade de proveitos, o que é incompatível com o actual quadro de significativa quebra de receitas e a manutenção do esmagador peso tributário”.

Recentemente, segundo Assis Ferreira, a empresa congelou os pacotes remuneratórios dos gestores de topo e alargou os prazos da renovação da frota automóvel, seguindo-se depois várias outras medidas operacionais. Isto fez com que houvesse uma redução de custos de 13,5 milhões de euros no orçamento para 2009, dos quais 10,5 milhões dizem respeito ao Casino do Estoril. Em 2008, segundo o relatório e contas da empresa, a entidade que gere os casinos teve um prejuízo de 7,6 milhões de euros, valor que reflecte não só a descida de receitas como o montante envolvido em diversas rescisões por mútuo acordo já levadas a cabo.

A empresa afirma que tem sido penalizada pela crise, não só a actual como a crise “estrutural que, desde 2002, se vem a evidenciar na economia portuguesa e a afectar o sector”, bem como pela elevada carga fiscal (62 por cento sobre as receitas brutas, sendo o único grupo do sector tributado à taxa máxima) e pela Internet. Sobre este último aspecto, Mário Assis Ferreira destacada que os jogos on-line são “uma via clandestina e fiscalmente parasitária de concorrência desleal aos casinos físicos”.

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