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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Futuro da firma filatélica Afinsa aponta para a liquidação

Terminou hoje o prazo para votar um plano de reestruturação. O futuro da empresa filatélica Afinsa parece cada vez mais incerto e o seu destino poderá ser a liquidação, devido à pouca a adesão dos antigos clientes a um plano de reestruturação apresentado pelos ex-gestores.

Fontes judiciais próximas ao processo confirmaram à Lusa que até hoje apenas "algumas dezenas de milhares" dos mais de 190 mil clientes afectados enviaram declarações de apoio à proposta.

Os antigos gestores da Afinsa apresentaram, em 2006, uma proposta que prevê a conversão dos credores - incluindo os antigos cliente - em accionistas da filatélica.

Apesar da baixa adesão, largas centenas de clientes da Afinsa deram, nos últimos dias, a sua concordância ao plano de viabilização, de tal forma que o Tribunal Mercantil espanhol, que conduz o processo, reforçou o número de funcionários para atender a grande afluência.

Desde Março, uma reforma legislativa em Espanha passou a permitir - nos casos com mais de 300 credores - a adesão por correio aos planos de recuperação. A Afinsa tinha 190.666 clientes, havendo por isso que somar aos votos presenciais um número elevado de votos por correio.

O resultado final da votação será conhecido apenas em meados de Setembro, mas observadores consideram que as hipótese do plano avançar são quase nulas.

Essa fraca adesão à proposta deve-se, em grande parte, ao facto das principais organizações de consumidores tanto em Portugal com em Espanha terem recomendado aos seus associados rejeitar a proposta, por não haver garantia de retorno dos investimentos.

A DECO -Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, a exemplo da sua congénere espanhola, aconselhou os 2.700 representados, lesados em 62 milhões de euros no caso Afinsa que corre há três anos nos tribunais espanhóis, a rejeitarem o único plano de viabilização da empresa aceite pelos juízes para ser apresentado aos clientes.

O plano apresentado pelos antigos administradores propõe converter os clientes em accionistas da Afinsa, com o objectivo de receberem 50 por cento do total dos seus investimentos num prazo de cinco anos, e foi defendido como sendo a melhor opção para os clientes numa recente entrevista à agência Lusa de Albertino de Figueiredo, fundador da maior filatélica do mundo.

A Afinsa necessita que mais de 50 por cento dos seus credores aceitem o plano de viabilização para garantir a sobrevivência, caso contrário, será judicialmente liquidada.

Nessa eventualidade as estimativas apontam a que os afectados pelo alegado caso de burla recebem apenas um terço dos mais de 2.443,75 milhões de euros a que ascende a dívida da Afinsa.

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