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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Mota Engil regista lucros de 14,3 milhões de euros

O volume de negócios do maior grupo de construção português cresceu 14 por cento no primeiro semestre deste ano, atingindo os 957 milhões de euros. O resultado líquido da empresa foi de 14,3 milhões de euros, excluindo o resultado não recorrente da Martifer.

O relatório de prestação de contas divulgado hoje ao mercado demonstra que a crise internacional travou um pouco a amplitude de crescimento que o grupo tem vindo a protagonizar, mas não impediu que este se continuasse a manter. O resultado líquido atribuível ao grupo atingiu 57,8 milhões de euros, e é expurgando o efeito dos resultados não recorrentes da Martifer que o líquido passa os 14,3 milhões de euros, que comparam com os 14,1 milhões de euros conseguidos em igual período do ano anterior.

O segmento da engenharia e construção continua a ser aquele que tem maior peso no mix de negócios do grupo. Este segmento mereceu um esforço de investimento de 280 milhões de euros no primeiro semestre deste ano.

Uma fatia de leão foi para a área de concessões de transportes, com o reforço da participação na Lusoponte a absorver 85 milhões de euros, e 93 milhões de euros nas concessões de auto-estradas. No seu relatório intercalar, a Mota-Engil discrimina o investimento nas concessões rodoviárias em território nacional, nomeadamente na concessão Douro Interior, e na concessão grande Lisboa, onde investiu respectivamente 33 e 23 milhões de euros.

Trata-se de duas das concessões que a Mota-Engil venceu no programa de subconcessões lançado pela Estradas de Portugal, estando o grupo liderado por Jorge Coelho ainda à espera de decisões nas polémicas subconcessões da Auto-estrada do Centro e Pinhal Interior.

A carteira de encomendas do grupo nortenho acaba por ter um das melhores desempenhos entre os indicadores agora revelados, ao verificar-se que conseguiu num semestre chegar aos 2,6 mil milhões de euros, o volume atingido durante todo o ano de 2008. “A estratégia de internacionalização, os planos de investimento público para potenciar a recuperação das economias dos diversos países nos quais o grupo se encontra a operar, bem como o alargamento do modelo de diversificação e cross-selling a alguns desses países serão as bases para que o crescimento da carteira de encomendas sustente o crescimento anunciado para 2009, mas também potencie as previsões de médio prazo divulgadas”, refere a Mota-Engil no relatório agora divulgado.

Concessões fazem crescer volume de negócios

O aumento do tráfego registado da rede rodoviária concessionada à Mota-Engil fez crescer o volume de negócios da área de Concessões de transportes para 55,8 milhões de euros, tendo o EBITDA neste segmento atingido 49,6 milhões de euros.

O nível de tráfego da concessão da Costa de Prata (entre Porto e Ovar) sofreu um incremento de seis por cento, conduzindo a um incremento no volume de negócios de 25 por cento (31,6 milhões de euros obtidos em 2009, face aos 25,3 milhões de euros obtidos em idêntico período do ano passado). Na concessão norte (que agrega as A 7 e a A11), o volume de tráfego sofreu um aumento 1,4 por cento, com o volume de negócios a crescer para os 23,4 milhões de euros. Na concessão do Grande Porto, o tráfego cresceu seis por cento e o volume de negócios atingiu 32,7 milhões de euros (uma subida de 4 por cento face aos primeiros seis meses de 2008.

À excepção da Concessão da Beira Litoral e Alta, todas as outras apresentaram crescimento no volume de negócios, face ao período homólogo, no primeiro semestre do ano. A diminuição do tráfego da Concessão da Beira Litoral e Alta em seis por cento fez cair o volume de negócios em oito milhões de euros, face ao período homólogo, fixando-se nos 61,1 milhões de euros.

Endividamento cresceu 16 por cento

O endividamento líquido total atingiu 2167 milhões de euros, dos quais 1015 milhões de euros sem recurso. Mais uma vez é a area de concessões de transportes a absorver a principal fatia, ao atingir 937 milhões de euros, e o da área de Ambiente e Serviços 78 milhões de euros.

O endividamento apresentou uma evolução crescente de 16 por cento face ao mesmo período do ano anterior ( no primeiro semestre de 2008 o endividamento total foi de 1865 milhões de euros), com o grupo a justificá-lo com o necessário acompanhamento “do crescimento ocorrido no investimento” e por estar “pressionado ao nível do fundo de maneio por uma conjuntura muito desfavorável”.

Mesmo assim, a queda das taxas de juro no mercado diluiu o impacto negativo que poderia ter nas contas este aumento do endividamento – os resultados líquidos negativos de foram de 58 milhões de euros no semestre, e que comparam com os resultados de 57 milhões verificados nos primeiros seis meses de 2008.

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