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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Prestações da casa voltam a descer nos empréstimos com revisão em Setembro

No espaço de um ano, a média mensal da Euribor a seis meses, o prazo mais utilizado nos empréstimos à habitação em Portugal, caiu 78,3 por cento, passando de 5,160 por cento (agosto de 2008) para os actuais 1,117 (valor calculado sem a sessão de hoje).

A queda das taxas de mercado para o nível mais baixo de sempre continua a reflectir-se positivamente nos encargos das famílias e empresas com empréstimos indexados a estas taxas, embora a uma escala menor que nos meses anteriores.

Os contratos com revisão a ocorrer em Setembro, que são feitas com as médias de Agosto, e cuja primeira prestação cairá na conta em Outubro, vão ter uma redução menos significativa que na última revisão, há seis meses atrás, onde a diferença das taxas era mais acentuada. Um empréstimo de 150 mil euros, indexado à Euribor a seis meses, com um spread (margem do banco) de 0,7 por cento, vai começar a pagar uma prestação mensal de 540,80 euros. Neste empréstimo, feito por um prazo de 30 anos, existe uma redução de 70,29 euros face à prestação que resultou da última revisão, realizada em Março, que era de 611,09 euros. Em Setembro do ano passado, perto do pico das taxas de juro, o mesmo empréstimo correspondia a uma prestação de 885,87 euros. Ou seja, no espaço de um ano, o custo do dinheiro do empréstimo caiu 274,78 euros, uma redução de quase 40 por cento em 12 meses.

A descida das taxas é comum aos outros prazos. Apenas a uma sessão do fecho do mês, a média da Euribor a três meses está agora nos 0,862 por cento. Esta taxa está cada vez mais longe da principal taxa directora do BCE (utilizada nos empréstimos de dinheiro aos bancos), que é actualmente de um por cento.

Face ao valor de Agosto do ano passado, a média mensal da Euribor a três meses já desceu 82,6 por cento. A média da Euribor a 12 meses, utilizada principalmente nos empréstimos à habitação em Espanha, deverá ficar perto de 1,336 por cento, bem longe dos 5,323 por cento de há um ano atrás.

Embora a um rimo mais lento, as taxas de juro do mercado interbancário - calculadas a partir de um conjunto de operações de empréstimo que um conjunto alargado de bancos está disponível a conceder entre si -, deverão continuar a descer durante mais algum tempo. Os sinais de recuperação da economia mundial e da zona euro em particular, são ténues, o que obriga os Estados e os bancos centrais a manter os planos de estímulos às economias e de apoio à liquidez dos sistemas financeiros, tornando, para já, muito improvável uma subida de taxas de juro.

Juros baixos, spreads altos

A queda das taxas de juro é positiva para quem já tem empréstimos, mas também para quem está, actualmente, a endividar-se. Contudo, a vida não está facilitada para quem decide pedir dinheiro neste momento. É que uma parte da descida das taxas de juro é anulada pela aplicação, por parte dos bancos, de spreads ou margens bancárias mais elevadas.

A subida dos spreads, que na prática reflectem o risco de não cumprimento do empréstimo, está a acontecer em relação aos particulares e às empresas, pela conjuntura económica de recessão, que se traduz em menos consumo e mais falências e desemprego.

Para além de margens mais altas, os bancos estão muito mais restritivos na concessão de empréstimos a empresas e famílias, fixando exigência de garantias e de fiadores, entre outras, que num passado recente tinham praticamente abandonado.

No crédito à habitação, que antes da crise financeira que eclodiu no Verão do ano passado era objecto de forte concorrência entre os bancos, os spreads mínimos e máximos mais do que duplicaram, a que se juntam ainda outras restrições, como prazos mais curtos e uma relação de garantia versus financiamento maior, o que impede o acesso a empréstimos por parte das famílias com rendimentos mais modestos ou sem fundos para assegurar o pagamento imediato de parte do valor do imóvel.

A queda das taxas de juro é negativa para quem tem depósitos ou certificados de aforro, dada a indexação que existe entre a rendibilidade desses produtos e as taxas do mercado interbancário.

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