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domingo, 16 de agosto de 2009

Governos correm atrás das renováveis para criar "empregos verdes" e combater a crise

As energias renováveis cruzam-se cada vez mais com a política e os negócios. Com uma crise sem fim à vista e o desemprego a subir, parecem ser a única área a dar razões para optimismo no investimento e na criação de trabalho para os próximos anos.

Há alguns meses, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) veio confirmar esta tendência, ao anunciar que, até 2030, deverão ser criados 20 milhões de novos "empregos verdes" e investidos 437 mil milhões de euros, a nível mundial.

Agora, acabam de ser divulgadas em Espanha projecções que indicam que, no prazo de 21 anos, o país poderá criar 600 mil novos postos de trabalho, com um contributo adicional para o Produto Interno Bruto (PIB) de 296 mil milhões de euros, se se mantiver a aposta nas energias renováveis. Isto para além de poupanças de 350 mil milhões de euros na importação de energia e da redução da dependência energética face ao exterior, passando de 80 para 60 por cento.

Estima-se que, em 2007, deste universo de emprego previsto, já tivessem sido gerados 189 mil postos directos e indirectos, dos quais 37.730 no sector da energia eólica, logo a seguir aos 38 mil da Alemanha, que continua a ser o líder europeu, de acordo com a Associação Empresarial Eólica de Espanha, o Instituto Sindical do Trabalho, do Ambiente e Saúde, e da Associação Europeia da Energia Eólica. Os números ouvidos nos últimos dias, vindos de Berlim, são ainda de maior fôlego e até já causaram divisões dentro do governo de coligação de Angela Merkel. Apontam para a criação de dois milhões de "empregos verdes" até 2020.

O sector das "tecnologias verdes" já ocupa hoje um milhão de trabalhadores na Alemanha. Destes, 300 mil estão nas energias renováveis, onde foram criados 120 mil novos postos de trabalho nos últimos quatro anos. O social-democrata Sigmar Gabriel, ministro alemão do Ambiente, é um forte defensor desta nova vaga "verde", apoiando a campanha do seu colega de partido Frank-Walter Steinmeier, ministro dos Negócios Estrangeiros e a correr para chanceler.

Portugal aguarda previsões

Face aos dois milhões de novos empregos que se anunciam, programas de educação ambiental, subsidiação para a "educação verde" e para a investigação em carvão limpo, intenções de travagem da moratória nuclear e o financiamento de novas redes de energia, a CDU de Angela Merkel responde com críticas. Avisa que estão a ser criadas "expectativas irrealistas", sobretudo depois de o IMK ter dito que as referidas metas, no actual contexto de crise, precisam de um forte empenhamento político e de um aumento da despesa pública.

A esgrima política em torno destes números surge quando as previsões indicam que, nos próximos 18 meses, cerca de 1,8 milhões de alemães vão ficar sem emprego, segundo a OCDE. Em Espanha, a taxa de desemprego já atingiu 18,1 por cento, o que faz com que dois em cada três desempregados na UE sejam espanhóis.

Se em países como a Alemanha e a Espanha foram agora conhecidas previsões para 2020 e 2030, o mesmo ainda não acontece para Portugal, cujas projecções vão até 2015, data até à qual está programada a parte mais significativa dos investimentos em parques eólicos e em barragens. A Associação Portuguesa para as Energias Renováveis (APREN) promete, entretanto, para Setembro novos dados com base num estudo que está ainda em curso. Para já, estima-se que, entre 2007 e 2015, 22.900 dos novos postos de trabalho se vão ficar a dever às energias hídrica e eólica, segundo cálculos da própria indústria, e que será esta última fileira a produzir a maior fatia de emprego (cerca de 20 mil). Em termos de investimento, são esperados 15,5 mil milhões de euros neste período.

De acordo com o INE, Portugal tem cerca de 42 mil "empregos verdes" (que abrangem outras áreas, como a água e a reciclagem de lixo), representando cerca de 3,3 por cento do PIB. A Comissão Europeia estima que a UE conta com 1,4 milhões dos 2,3 milhões de trabalhadores no sector das renováveis a nível mundial.

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