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domingo, 23 de agosto de 2009

Kendall Develops está em risco de insolvência

A Kendall Develops, veículo de investimento criado por João Rendeiro, que detém 3,3 por cento da Brisa e 5 por cento da brasileira OHL, e cujo maior accionista é a Privado Holding, poderá entrar em breve em processo de liquidação.

"Era altura do Banco Privado Português (BPP) e do Governo olharem com atenção para os veículos de investimento em acções [participados pelo banco liderado por Adão da Fonseca], porque a gestão racional desses veículos poderá criar boas condições para assegurar as garantias dadas pelo Estado, as quais poderão ser fortemente penalizadas [em caso de liquidação], afirmou à agência Lusa Jaime Antunes, administrador da Kendall Develops.

A Kendall tem um crédito concedido a descoberto (sem garantias) contraído junto do BPP, no valor de 50 milhões de euros, os quais foram dados como parte da garantia ao Estado quando este avalizou o empréstimo de 450 milhões de euros dado ao banco fundado por João Rendeiro por um sindicato bancário português e, caso o veículo seja liquidado, o BPP terá maiores dificuldades em recuperar o montante, tal como o Estado.

No momento em que se aproxima a assembleia geral da Kendall, empresa de direito espanhol, cuja primeira convocatória está agendada para 25 de Agosto e a segunda para o dia seguinte, o veículo de investimento apresenta um NAV (valor líquido dos activos) negativo de 5 milhões de euros.

De acordo com a lei espanhola, caso uma empresa registe uma situação líquida inferior a metade do seu capital social são accionadas medidas de correcção, que implicam negociações entre os seus accionistas de forma a apresentarem soluções que evitem a abertura de um processo de insolvência, que no caso será conduzido por um juiz liquidatário espanhol.

A participada do BPP está nesta situação e a administração da Kendall tem procurado reunir-se com Adão da Fonseca, porém, até agora não houve disponibilidade.

"A Kendall é uma empresa de 'private equity' [capital de risco] do universo da Privado Holding a quem a anterior administração do BPP entendeu dever conceder crédito para o investimento em acções. Esse crédito não foi pago pela Kendall ao BPP, como é público, designadamente nas contas" da Privado Holding, revelou à Lusa fonte oficial do BPP.

"A administração do BPP solicitou e aguarda que a administração da Kendall lhe apresente uma proposta para a liquidação da dívida", sublinhou a mesma fonte, justificando assim a recusa em ter nova reunião com os gestores da Kendall, depois de já ter chumbado uma proposta que estes lhe apresentaram.

À margem desta questão, a recuperação dos mercados accionistas permitiu uma forte valorização dos activos da Kendall, que no final de Junho apresentava um activo de 184,7 milhões de euros e um passivo de 216 milhões de euros, correspondentes a um NAV negativo de 31,3 milhões de euros.

Ou seja, no espaço aproximado de dois meses a empresa recuperou 26,3 milhões de euros do valor aplicado em acções nas bolsas portuguesa (Brisa) e brasileira (OHL).

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