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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Menos uso do crédito ao consumo

Os portugueses contraíram menos empréstimos ao consumo, em Junho, um recuo tal como já tinha acontecido em Dezembro e em Janeiro, de acordo com o Boletim Estatístico divulgado ontem pelo Banco de Portugal (BdP).

O crédito ao consumo atingiu, em Junho, 15,4 mil milhões de euros, o que representa diminuição de 14 milhões de euros face a Maio. No entanto, continuou a aumentar em relação a Junho de 2008 (+3,3%), e passou a ter um peso de 6,2% do crédito concedido, o valor mais alto de sempre.

Apesar do recuo mensal no crédito ao consumo, a totalidade dos empréstimos concedidos continuou a aumentar em Junho, quer em relação a Maio quer em relação ao mês homólogo do ano passado, à semelhança do que aconteceu com o malparado.

Mas, enquanto o crédito às famílias aumentou num ano 1,3% (totaliza agora 134,2 mil milhões de euros), já o malparado elevou--se 2,6%, denunciando uma maior dificuldade dos cidadãos para pagarem as suas prestações à banca.

A subida do crédito malparado aumentou, aliás, pelo sexto mês consecutivo, tendo atingido 3,5 mil milhões de euros, correspondendo a 2,6% do crédito concedido. Segundo o "Jornal de Negócios" online, este é o peso mais alto desde Fevereiro de 1999, significando, ainda, que o peso dos incobráveis subiu 47% nos últimos dois anos.

Mais de metade do crédito malparado diz respeito às empresas dos sectores da construção e do imobiliário, que é da ordem dos 2,3 mil milhões de euros. O total do malparado à banca é de 4,1 mil milhões.

No caso específico dos empréstimos para a compra de casa, o montante concedido elevou-se para 106,5 mil milhões, mais 541 milhões do que em Maio, mas mais 1553 milhões em relação a Junho de 2008.

Também no crédito à habitação aumentou o de cobrança duvidosa, que agora é de 1780 milhões de euros, mais 12 milhões do que em Maio.

Apesar da crise económica, os portugueses continuaram a recorrer ao banco para comprar casa, estimulados pela baixa das taxas de juro. Segundo o BdP, a taxa de juro ao crédito à habitação caiu em Junho pelo sétimos mês consecutivo, para 2,57%, que é metade do valor de Novembro.

Talvez por causa dos juros baixos, as famílias fizeram menos depósitos novos, em Junho, pelo terceiro mês consecutivo. No entanto, o acumulado do semestre, que totaliza 61,8 mil milhões, traduz um aumento de 8,7% face a igual período do ano passado.

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