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sábado, 1 de agosto de 2009

Nunca se pagou tão pouco pelo empréstimo à habitação

As famílias continuam a receber boas notícias à medida que os empréstimos à habitação indexados à Euribor vão sendo revistos. O mesmo se passa com os empréstimos das empresas associados a estas taxas, que estão em queda há 10 meses consecutivos, atingindo actualmente mínimos históricos, ou seja, nunca estiveram tão baixas desde a sua criação, em Janeiro de 1999.

Para os empréstimos antigos, e desde que o contrato não tenha sofrido alterações, designadamente ao nível do spread (margem do banco), nunca a prestação foi tão baixa. Face ao valor máximo atingido em Setembro e Outubro do ano passado, a Euribor a três meses já caiu 80,9 por cento, com a média de Julho a quebrar a barreira de um por cento, para os 0,975 por cento. Um pouco menor é a queda do prazo de seis meses, que é de 76,1 por cento, para 1,213 por cento. A Euribor a 12 meses atingiu em Julho a média de 1,412 por cento.

Estas médias vão servir de base para todas as revisões que ocorram no mês de Agosto, mas a primeira prestação com base nestes valores só acorrerá em Setembro.

Um empréstimo de 150 mil euros, a 30 anos, indexado à Euribor a seis meses e com um spread de 0,7 por cento, com revisão em Agosto vai pagar em Setembro uma prestação de capital e juros de 547,93 euros. Desde a última revisão de Fevereiro pagava 651,90 euros. A diferença é maior face aos 818,85 euros pagos de Setembro do ano passado a Fevereiro do corrente ano.

As taxas de juro estão a descer desde 10 de Outubro do ano passado, em grande parte devido à acção do Banco Central Europeu (BCE), que não só desceu de forma vertiginosa o preço do dinheiro dos empréstimos que faz aos bancos, colocando a sua taxa directora em 1 por cento, como tomou um conjunto de outras medidas, como a de permitir o acesso de bancos mais pequenos aos seus financiamentos. Ao injectar muito dinheiro no sistema, o BCE não só permitiu que o sistema financeiro não entrasse em ruptura, com permitiu reactivar, embora ainda a um nível modesto, o mercado interbancário, onde os bancos emprestam dinheiro entre si e onde se fixam diariamente as taxas Euribor.

A descida das taxas de juro está a chegar a todos os consumidores e empresas?

Não. A descida é imediata para quem tem contratos antigos, mas os consumidores e empresas que estão a pedir empréstimos têm dificuldades na sua obtenção e pagam taxas mais elevadas. O preço mais elevado decorre do aumento dos spreads, quer para os particulares e incluindo habitação, quer para as empresas. O inquérito realizado pelo Banco Central Europeu junto de 118 bancos europeus revela que a larga maioria das instituições continua a restringir a concessão de crédito. Os cinco bancos portugueses que fazem parte do painel de inquiridos admite mesmo continuar a apertar os critérios de concessão de novos empréstimos.

Neste momento, o aperto de condições de concessão de crédito decorre essencialmente do receio face à conjuntura económica, em especial ao risco de incumprimento.

A existência de alguma liquidez, por maior facilidade de financiamento e por aumento da taxa de poupança, é uma das explicações para que os bancos estejam a realizar empréstimos entre si a um preço inferior ao da taxa de referência do BCE, que é de 1 por cento. A Euribor a três meses já se fixou ontem nos 0,893 por cento e mantém tendência de descida.

A descida da Euribor é negativa para quem tem poupanças aplicadas em produtos indexados a essa taxa, caso dos Certificados de Aforro, ou em depósitos a prazo, que seguem de muito perto as taxas de mercado. Os Certificados de Aforro estão no valor mais baixo de sempre. Em Julho a taxa foi de 1,291 por cento e deverá encostar a um por cento em Agosto.

Nos depósitos, as taxas são igualmente desinteressantes, verificando-se uma tendência para remunerar melhor os depósitos do curto prazo, o que subverte a tradição. As melhores ofertas são disponibilizadas nos serviços online e na captação de novos clientes.

A crise financeira gerou uma fuga em massa dos fundos de investimentos, especialmente dos que tinham mais exposição ao risco, e o regresso dos investidores a estes produtos ainda não é visível.

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