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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Pior fase da recessão terá ficado para trás

A economia portuguesa continua mergulhada na que promete ser a mais violenta recessão dos últimos 60 anos. Mas a fase mais agressiva do ciclo recessivo já terá ficado para trás, ainda que seja prematuro falar de estabilização e, menos ainda, de regresso do crescimento económico.

É para esta conclusão que deverão apontar os primeiros números relativos ao andamento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, que serão esta manhã divulgados pelo INE.

“Estamos à espera ainda de uma contracção da actividade económica em cadeia, mas mais suave do que as registadas nos trimestres anteriores”, diz Ana Paula Carvalho.

Na expectativa da economista do BPI, é provável que comecem a surgir os “primeiros sinais de estabilização” que passarão a ser mais consistentes ao longo do segundo semestre. Ainda assim, a economista diz esperar um novo recuo em cadeia – e o quarto consecutivo – em torno de 1,2%, e uma variação homóloga do PIB de -5%, antecipando, para o conjunto do ano, uma retracção de 3,8%. As projecções do BPI estão entre as mais pessimistas, mas o Barclays Capital ainda espera números mais sombrios: -1,4% em cadeia e -5,3% em termos homólogos.

Já a Universidade Católica antecipa um recuo de 0,4% e de 4,2% em cadeia e homólogo, respectivamente. Dois outros analistas, estes consultados pela agência Lusa, apontam igualmente para contracções em cadeia em torno dos mesmos 0,3% que sustentavam as previsões económicas para Portugal divulgadas pela Comissão Europeia em Maio.

Rui Constantino, economista-chefe do Santander Totta diz que “o consumo privado e as exportações terão recuperado marginalmente face ao primeiro trimestre de 2009, mas o investimento terá continuado a contrair”.

Rui Serra, do departamento de estudos do Montepio Geral, por sua vez, diz ter mantido a anterior previsão de Maio, de uma contracção média anual de 3,6% para 2009. “Esta é uma previsão que é ligeiramente mais pessimista do que a recentemente avançada pelo Banco de Portugal (-3,5%), mas que se distancia consideravelmente da avançada por exemplo pela OCDE (-4,%)”, precisa.

À espera da Alemanha

A divulgação dos números do INE coincidirá com a publicação pelo Eurostat da primeira estimativa de evolução do PIB no segundo trimestre para o conjunto da Zona Euro.

Após quatro trimestres consecutivos a perder sucessivamente mais terreno, são esperados agora números menos sombrios, e uma contracção bem menos cavada do que os 2,5% (em cadeia) registados no primeiro trimestre.

Todos os olhos estarão postos na Alemanha, depois de o Bundesbank ter referido que a maior economia europeia terá sofrido um recuo ligeiro no segundo trimestre.

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