Notícias principais - Google Notícias

Loading

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A produtividade em Portugal: optimistas e pessimistas

Segundo dados da base AMECO da Comissão Europeia, em 1986, e tomando como base o ano de 2000, o PIB por pessoa empregue em Portugal era de 16900 euros. Em 2008 esse valor ascendia a 25600 euros - cresceu 52% em 22 anos.

Em 1986 o PIB por pessoa empregue em Portugal representava 46% do espanhol e 41% do italiano. Em 2008 ascendia a 60% do espanhol e a 50% do italiano. Houve assim, em 22 anos, um ganho de 14 pontos percentuais (pp) em relação a Espanha e de 9 pp em relação a Itália.

Na indústria transformadora (grande produtora de bens transacionáveis) verificou-se uma situação semelhante: em 1986 o VAB por pessoa empregue em Portugal representava 39% do espanhol e 37% do italiano. Em 2006 (vinte anos depois), já representava 53% do espanhol e 45% do italiano. Houve assim ganhos de 14 pp em relação a Espanha e de 8 pp em relação a Itália.

Refira-se que os ganhos de produtividade em relação a Espanha e a Itália foram sistemáticos entre 1986 e 2008: embora a taxa de crescimento da produtividade tenha diminuído ao longo do período, os valores para Portugal foram sempre superiores aos verificados em Espanha e em Itália.

Um optimista (a natureza lusitana não produz muitos...) ficaria muito satisfeito com estes números; um pessimista (a maioria), faria ressaltar que a produtividade global da economia portuguesa ainda só representa 60% da espanhola e 50% da italiana, e que estes dois países não têm sido propriamente grandes casos de sucesso na economia global.

Aliás, se introduzirmos na análise a Irlanda, a Grécia, a Alemanha ou a UE-15 já vemos que a evolução da produtividade portuguesa não se comporta de maneira tão favorável, registando normalmente perdas relativas (a excepção é a Grécia no período 1986-2008, mas que tem registado ganhos relativos de produtividade em relação a Portugal em sub-períodos mais recentes).

A análise da produtividade é normalmente um primeiro passo para a análise da competitividade dos países. Se adicionarmos as compensações salariais à produtividade conseguimos calcular os custos unitários do trabalho que nos dão uma medida da competitividade-custo dos países. Os resultados assim obtidos, em termos de linhas de tendência, não são muito diferentes dos acima referidos para a produtividade. Sejamos optimistas ou pessimistas, não há dúvida de que Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer para que a eficiência da economia portuguesa se aproxime da eficiência, por exemplo, das economias espanhola e italiana. Mas não há razões para nunca se evidenciar os progressos feitos pela economia portuguesa...

Sem comentários:

Enviar um comentário

Castro Jerónimo - Search Engine

Arquivo do blogue