Notícias principais - Google Notícias

Loading

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Será o fim da era dos ricos?

Mudança de paradigma poderá vir a prejudicar muitos
Há muito que os ricos se tornam cada vez mais ricos. Um fenómeno que nem mesmo a Grande Depressão conseguiu contrariar, escreve o «The New York Times».
No entanto, durante os últimos dois anos, a conjuntura não tem sido favorável aos ricos e muitos podem não conseguir regressar tão cedo aos seus antigos níveis de riqueza. Vários investidores perderam milhões e muitos chegaram a perder os seus postos de trabalho.

Mas esta mudança levanta várias questões económicas. Uma delas está relacionada com o facto destes tempos difíceis para os ricos poderem vir ou não a beneficiar a classe média e os pobres, dado que o recente crescimento dos rendimentos daqueles que estão no topo coincidiu com um lento crescimento do rendimento para quase todos os outros grupos.

No ano passado, o número de americanos com um património líquido de, pelo menos, 30 milhões de dólares caiu 24 por cento, de acordo com o CapGemini e o Merrill Lynch. Os rendimentos mensais provenientes de dividendos de acções, concentrados entre os mais abastados, caiu mais de 20% desde o Verão passado, o maior declínio desde que se começaram a fazer estes registos em 1959.

Bill Gates, Warren E. Buffett, os herdeiros da fortuna de Wal-Mart Stores e os fundadores do Google, cada um deles, perdeu biliões o ano passado, segundo a revista «Forbes». Por exemplo, John McAfee, o empresário que fundou a empresa de software antivírus com o seu nome, vale, agora, cerca de 4 milhões de dólares, caindo de um pico de mais de 100 milhões. McAfee vai, inclusive, leiloar a sua última grande propriedade.


Alguns dos mais evidentes sinais desta inversão podem ser encontrados nos dados sobre os gastos dos ricos. Um índice indexado ao preço da arte, o índice Mei Moisés, caiu 32% nos últimos seis meses. Já os New York Yankees não conseguiram vender muitos dos bilhetes mais caros no estádio novo e ainda tiveram de baixar o preço. Em Bronxville, num abastado bairro em Nova Iorque, o número de casas vendidas caiu de 17 para duas, segundo o Coldwell Banker Residential Brokerage.

Poucos economistas crêem no regresso à distribuição relativamente igualitária dos rendimentos registada nas décadas de 50 e 60. Na verdade, os economistas acreditam que é provável que a desigualdade se mantenha significativamente maior daquilo que se verificou na maior parte do século XX.

A administração de Obama não propôs uma completa alteração das regras de Wall Street ou o aumento da taxa de imposto sobre os rendimentos para perto de 70%. As forças do mercado que têm feito disparar a desigualdade, como a globalização, também não estão a desaparecer.

Mas os economistas dizem que, muito provavelmente, os ricos não vão recuperar rapidamente as suas perdas, como aconteceu no rescaldo do «crash dot-com» no início desta década. Essa rápida recuperação foi a cortesia de uma nova bolha no mercado de acções. Desta vez, afirmam os analistas, parece improvável que Wall Street regresse em breve aos níveis extremos de empréstimo que fez essa bolha possível.

No entanto, qualquer maior alteração na situação financeira dos ricos poderá ter grandes implicações. A queda dos seus rendimentos iria complicar a vida das elites das universidades, dos museus e outras instituições que receberam doações generosas nas últimas décadas. Os Governos - federal e estatal ¿ poderiam ver-se aflitos, também, já que dependem fortemente dos impostos pagos pelos abastados.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Castro Jerónimo - Search Engine

Arquivo do blogue