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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

As dúvidas e as certezas de Krugman

Em "A Economia da Turbulência" (12/2/09), tive oportunidade de considerar: "É possível que esta crise do sistema financeiro seja superada, no contexto das virtualidades da economia de mercado, mas a factura a pagar pelas economias, particularmente da Europa e dos Estados Unidos é elevadíssima, para o crescimento económico, para os contribuintes e para o próprio modelo social europeu, nos próximos dez anos. Os decisores políticos estão tão ocupados em evitar o caos da economia da depressão que parecem ainda pouco preocupados em modificar o sistema global, no qual identificamos quatro cavaleiros, que durante os últimos vinte anos alimentaram esta crise: concentração bancária, desregulação, titularização e paraísos fiscais. Se nada for feito nestes domínios, permanecem no sistema os ingredientes que poderão conduzir no futuro a uma nova mega crise sistémica."
Em 16 de Julho último, vejo Krugman escrever no NYT, que "Salvando o sistema financeiro sem o reformar, Washington nada fez para nos proteger de nova crise e, aliás, tornou uma nova crise ainda mais provável".
Krugman falando sobre a crise actual remete-nos permanentemente para Keynes cuja obra prima "The General Theory of Employment, Interest and Money" termina concluindo com uma frase tão enigmática quanto profética de que "...cedo ou tarde, são as ideias, e não os interesses adquiridos, que representam um perigo, seja para o bem ou para o mal". Krugman considera esta frase definitivamente verdadeira e sustenta que "a escassez no mundo, de Keynes -e no nosso- não foi de recursos, nem sequer de virtude, mas sim de compreensão."
De facto, rapidamente foram mobilizados todos os recursos financeiros e monetários para salvar o sistema financeiro global. Os bancos centrais vieram em socorro dos mercados e dos bancos, numa primeira fase, procurando manter em funcionamento o sistema financeiro; numa segunda fase foram chamados os Estados também para repor a liquidez e a solvabilidade dos bancos e manter a confiança pública no sistema financeiro; por último interveio o FMI para salvar alguns Estados da banca rota.
Quanto à falta de compreensão, talvez Krugman duvide da capacidade do G20 em reformar eficazmente o sistema financeiro globalizado que em 24 e 25 de Setembro se reúne em Pittsburg, designadamente no que se refere aos paraísos fiscais e à regulação de mercados e instituições financeiras. Mas se as receitas para a crise actual resultam apenas das ideias de Lord Keynes, relativas à crise dos anos 30, elas não representam hoje um perigo para os interesses adquiridos, muito pelo contrário. Como sustentava o economista e filósofo, David Hume(1711-76), "A razão é escrava das paixões", ou seja não é verdadeiramente pelo intelecto que concluímos que a sobrevivência deste sistema financeiro é a melhor política a seguir; o problema não se encontrará apenas nos limites da nossa compreensão, mas em última análise, nos obstáculos da nossa virtude. Talvez David Hume possa ajudar Krugman a sanar as suas dúvidas de economista e a reformular as suas certezas de prémio Nobel.

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