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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Empresas portuguesas procuram lugar no mega projecto de Abu Dhabi

O interesse foi manifestado na véspera da visita ao projecto que é considerado tão visionário como faraónico, “a cidade de Masdar”, e que está em construção pelas autoridades do Emirado com a colaboração dos norte-americanos do MIT.

Masdar pretende ser o exemplo de uma cidade sustentável, em termos de materiais e consumo energético, este praticamente todo garantido por energia solar. A missão governamental portuguesa empresarial visita amanhã Masdar no segundo dia de deslocação ao Abu Dhabi, e terceiro no Médio Oriente, sendo um ponto na agenda que tem suscitado curiosidade entre os membros da delegação.

Com a ajuda da agenda do dia, o primeiro-ministro e o ministro dos Negócios Estrangeiros procuraram hoje afastar a pressão à volta do interesse do Governo em vender dívida soberana, no âmbito desta visita ao Médio Oriente.

José Sócrates, que foi um dos oradores da abertura da Cimeira Mundial da Energia do Futuro, por Portugal ter sido escolhido este ano como um país de referência do certame, respondeu várias vezes aos jornalistas portugueses e estrangeiros presentes que estava apenas disponível para falar sobre energias renováveis.

Portugal participa no evento deste ano com um pavilhão de 200 metros quadrados onde mostra as suas iniciativas mais inovadoras nas tecnologias de energia e sustentabilidade sob o conceito renovável. O Mobi-E na mobilidade eléctrica e o InovCity nas redes inteligentes estão entre os principais projectos expostos. As empresas a eles ligadas são também as que têm as áreas mais convergentes com a cidade de Masdar.

No discurso de abertura da Cimeira, considerada a maior iniciativa mundial sobre energias renováveis e meio ambiente, o primeiro-ministro voltou a salientar a aposta do país nas energias renováveis e a sua integração com a mobilidade eléctrica.

O evento, de quatro dias, junta este ano 600 expositores de 40 países e são esperados 25 mil visitantes, segundo a organização.

Esta tarde, no encontro que reuniu empresários e gestores portugueses e locais, o chefe do governo voltou a defender o aprofundamento das relações político-económicas entre os dois países, privilegiou o sector energético, e o que considerou ser a presença “das melhores empresas portuguesas”. Referiu-se à evolução do país nos últimos anos como um caso em que “mudanças bem orientadas podem produzir resultados a muito curto prazo”, nomeadamente ser o país com “menos emissões da UE e muito próximo dos objectivos do protocolo de Quioto”. Citou o peso das energias renováveis na produção de electricidade (52 por cento) e o arranque da construção no próximo mês da fábrica de baterias de lítio da Renault-Nissan para os carros eléctricos e mais uma vez invocou a imagem que tem da cidade sustentável do futuro “sem barulho e sem emissões”.

O Emirado do Abu Dhabi lançou em 2007 um programa ambicioso de 20 anos de diversificação económica, na busca de uma redução da dependência em relação ao petróleo que representa actualmente 60 por cento da riqueza deste Estado. As autoridades locais pretendem não só diversificar a sua economia em relação ao petróleo como apostam num emprego altamente qualificado, na integração na economia global, na melhoria do ambiente de negócios e numa maior transparência.

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