Notícias principais - Google Notícias

Loading

segunda-feira, 27 de julho de 2009

EUA e China iniciam conversações à procura de soluções para a crise

Com a economia mundial em recessão, os Estados Unidos e a China iniciam conversações segunda-feira para procurar soluções conjuntas, apesar das divergências sobre a moeda, o défice orçamental norte-americano e o fosso comercial entre os dois países.

Do bom êxito destas negociações, que se realizam segunda e terça-feira em Washington, pode depender quão rápida vai ser a recuperação da economia norte-americana e quantos postos de trabalho vão poder ser criados nos Estados Unidos, segundo analistas.

A agenda do encontro, cuja abertura é assegurada pelo presidente norte-americano, Barack Obama, vai ser também dominada por outras questões, como a luta contra as alterações climáticas - os dois países juntos são responsáveis por cerca de 40 por cento das emissões de gases criadores do efeito de estufa - e as ambições nucleares da Coreia do Norte.

Diferentes analistas consideram, no entanto, que não são de esperar decisões marcantes, embora sublinhem que o diálogo EUA-China é de enorme importância por si só e contribui para uma relação menos tensa entre os dois países.

Em 2006, ano em que este Diálogo Estratégico e Económico passou a ser realizado ao nível ministerial, o então secretário do Tesouro, Henry Paul, usou estas conversações para pressionar Pequim a valorizar a sua moeda, o yuan, em relação ao dólar, para que fosse mais barato para as empresas chinesas comprarem produtos norte-americanos.

Os produtores norte-americanos responsabilizam o baixo valor do yuan pelo grande fosso da balança comercial dos EUA com a China e, indirectamente, pela redução do emprego nos Estados Unidos.

Mas os esforços norte-americanos tiveram resultados mistos: depois de se valorizar 22 por cento desde 2005, o yuan pouco se alterou em 2008, porque Pequim quis assegurar-se de que um yuan mais forte não prejudicaria as exportações chinesas, já sob pressão devido à recessão mundial.

Agora, a administração norte-americana mantém a intenção de se centrar na diferença na balança comercial e pretende frisar à China que, desta vez, não deve contar com os consumidores norte-americanos para fazer sair a economia global da recessão, porque a taxa de poupança das famílias norte-americanas tem subido, em detrimento do consumo, que está em contracção.

"Provavelmente a nossa mensagem mais importante para os chineses é que houve uma mudança fundamental na economia dos Estados Unidos", disse um responsável da administração num "briefing" com a imprensa a propósito das conversações.

"A economia norte-americana vai recuperar, mas vai ser uma recuperação diferente daquela a que os chineses assistiram no passado", acrescentou.

Para os Estados Unidos, que registam actualmente uma taxa de desemprego de 9,5 por cento, a principal preocupação é a criação de postos de trabalho, segundo o mesmo responsável.

A delegação dos Estados Unidos é chefiada pelos secretários de Estado, Hillary Clinton, e do Tesouro, Timothy Geithner, e a da China pelo vice-primeiro-ministro, Wang Qishan, e pelo conselheiro de Estado, Dai Bingguo.

A reunião junta responsáveis de vários departamentos e agências governamentais norte-americanas e chinesas. A China leva a Washington uma delegação de 150 responsáveis, uma das maiores que alguma vez visitou os Estados Unidos.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Castro Jerónimo - Search Engine

Arquivo do blogue