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terça-feira, 28 de julho de 2009

Teixeira dos Santos - O ministro da letra escarlate

A minha geração não conhece as delícias dos grandes e solarengos apartamentos no centro das cidades e das melhores avenidas com rendas de tuta e meia, não atinge as cátedras aos quarenta anos, a maioria nunca teve um contrato de trabalho efectivo, muitos subsistem com a ajuda dos próprios pais.
Muitos destes pais foram ontem à noite declarados pelo Ministro das Finanças os novos ricos de Portugal.
No final de uma carreira de professor, juiz, médico, estes profissionais atingem o salário de cinco mil euros mês. Em Portugal este salário é o corolário de uma vida de estudo, trabalho e sacrifício.
Mais uma vez, insiste-se no velhíssimo expediente de cobrar mais a quem está dentro do sistema, a quem já paga os seus impostos. Ao longo dos anos, temos assistido a esta realidade bipolar: quem paga impostos, paga cada vez mais (geralmente os trabalhadores por conta de outrem); e uma grossa percentagem de actividades legais e ilegais que pura e simplesmente escapam ao sistema contributivo.
Com a falência da justiça, esta fuga sistemática ao pagamento dos impostos fica sem sanção, aumenta a sensação generalizada de impunidade.
A despesa é galopante, cresce a necessidade de cobrar impostos, logo, aumenta a pressão sobre os contribuintes pagantes.
Este é o verdadeiro drama da classe média em Portugal: paga impostos, paga a hipoteca da casa onde vive, ajuda os filhos que não encontram emprego e ainda é tratado como rico.
Há trinta anos, escrevia-se nos muros a tinta encarnada, grossa e garrafal: "Os ricos que paguem a crise". Nesse tempo os ricos eram os industriais poderosos e capitalistas renomados, agora são pessoas de sessenta anos à beira da reforma.

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