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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Antiga secretária particular de Xanana está a responder em tribunal no caso do atentado contra Ramos-Horta

Angelita Pires é a única mulher entre os 28 réus de um processo em curso em Díli pela tentativa de assassínio de José Ramos-Horta. Era namorada do major Alfredo Reinado, que liderava o grupo que quase matou o Presidente de Timor-Leste, em 2008.

De nome próprio Ângela, mais conhecida por Angelita, por vezes também referida como Angie, teve "muitos namorados", segundo dizem os que com ela privaram de perto, e pode reivindicar três nacionalidades: a timorense, a australiana (por naturalização) e até a portuguesa.

Os avós paternos desta cidadã mestiça eram portugueses, mas, na abertura do julgamento, dia 13, era preferiu optar pela "autenticidade" maubere, apresentando-se em trajo tradicional... e descalça, para maior efeito mediático.

"Vou lutar pelo major Alfredo Reinado. Jamais o deixarei!", proclamou a ré, referindo-se ao mais conhecido dos seus amores, o líder rebelde que no dia 11 de Fevereiro de 2008 apareceu baleado à entrada da residência de Ramos-Horta, pouco antes de este ter sido gravemente ferido a tiro.

"Nunca me confessarei culpada e nunca aceitarei um perdão. Por que haveria de o fazer?", disse ela à rádio pública australiana ABC. "Se tiver de ir para a cadeia devido ao meu amor por Alfredo, e pelo povo, irei", acrescentou a mulher a quem no ano passado Ramos-Horta chamou "uma tarada". Já o antigo candidato presidencial Manuel Tilman, secretário-geral do partido monárquico KOTA, refere-se a Angelita como uma "pessoa divertida e simpática".

O Chefe de Estado tem dito que poderá perdoar aos antigos soldados desertores que estão a ser julgados juntamente com Angelita Pires, reservando para ela as suas mais duras palavras de condenação.

Se bem que todo o noticiário das últimas semanas se centre no relacionamento da ré com o chefe dos rebeldes, a verdade é que este caso amoroso era recente; só teria começado em 2007, quando ele andava a monte, fugido à justiça.

Muitos anos antes disso, Angelita Pires foi secretária particular do mítico guerrilheiro Xanana Gusmão, quando este saiu da prisão indonésia de Cipiang e foi passar um mês na Austrália, antes de se encaminhar para Timor-Leste, onde em 2002 viria a ser eleito Presidente da República.

"A minha cliente está inocente. Não existem provas que a associem a qualquer conspiração para matar ou a acontecimentos verificados no 11 de Fevereiro", disse numa entrevista ao Tempo Semanal, de Díli, o seu advogado australiano, John Tippet.

"Quem é que na verdade esteve envolvido? Que espécie de conspiração é que esteve por trás de Alfredo Reinado?", perguntou o causídico, usando a argumentação de que a ré estaria a servir de bode expiatório.

"Creio que o que aconteceu não foi inteiramente da responsabilidade timorense; mas em certa medida cometido pela comunidade internacional", disse Angelita, que é prima da ministra das Finanças, Emília Pires, e que tem a sua defesa financiada pela Procuradoria-Geral da Austrália.

Segunda esta defesa, Reinado e o seu camarada Leopoldino Exposto teriam ido à residência de Ramos-Horta, no Boulevard John Kennedy, para se reunir com o Presidente, e foram mortos, antes de ele regressar do passeio matinal.

Depois desse incidente, o ex-tenente Gastão Salsinha assumiu o comando das forças rebeldes que andavam nas montanhas, e é agora um dos réus; tal como Marcelo Caetano, do qual se alega ter sido quem disparou contra o Presidente da República, deixando-o em perigo de vida. Prevê-se que o julgamento dure meses.

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