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quinta-feira, 9 de julho de 2009

As empresas fazem férias escolares

No empreendedorismo, tempo é definitivamente dinheiro. Comecemos pelo dinheiro. Em média, uma "start-up" tem um custo de existência por hora de 47 euros, ou seja, por dia tem um custo de 376 euros. Se considerarmos que a margem alcançada nas suas vendas ronda os 25%, isto significa que terá de facturar a um ritmo diário de 1.504 euros. Numa "start-up", estes valores são elevados, especialmente no primeiro ano de existência. Não podemos esquecer que, por cada dia em que não se facturam os 1.504 euros, são acumulados mais 1.504 euros para o dia seguinte e assim sucessivamente.

Façamos o mesmo exercício mas, desta vez, para o tempo. Em Portugal, temos um grande problema com o tempo útil de que dispomos para fazer negócios, pois, teoricamente, teríamos 365 dias por ano, menos o período de férias legal, os feriados, e fins-de-semana. Na prática, não é assim. A experiência diz-me que, em Portugal, as empresas param várias vezes ao ano.

Paramos 15 dias na Páscoa, dois meses no Verão e um mês no final do ano, num total de três meses e 15 dias.

No período de férias escolares, a maior parte dos funcionários das empresas vai de férias, e certamente férias merecidas, mas existem outros que continuam a trabalhar. E estes, por vezes, não conseguem produzir na totalidade, ou porque dependem dos seus colegas que foram de férias, ou porque não querem produzir, porque simplesmente é um período que está baptizado como período de férias e, portanto, não é obrigatório apresentar resultados.

Eu tenho tido essa experiência com várias empresas e tenho reparado em dois factores diferentes. Um, que é a redução de "e-mails" e telefonemas que recebo nesses períodos, chegando o fluxo de mensagens electrónicas a reduzir-se em 80%, e o de chamadas em 95%. O outro, o facto de tentar ter reuniões com pessoas de outras empresas nestas épocas e receber a respostas como: "esta semana estou por aqui, mas se calhar é melhor reunirmos depois das férias".

Conclusão, de férias ou não, a produção fica reduzida a nada no período das férias escolares. Numa "start-up", tempo é dinheiro, e combater esta improdutividade é mais uma barreira para se alcançar o sucesso. Numa empresa consolidada, o impacto destes meses improdutivos não é tão grande, porque os negócios se fazem em grandes volumes, compensando os meses improdutivos, o que já não acontece com uma "start-up", que vive inicialmente do pequeno negócio e que tem de lutar contra o tempo para sobreviver.

Temos de empenhar-nos em mudar de atitude, se queremos que Portugal evolua. Durante uma experiência profissional que tive no país-vizinho, constatei que os espanhóis apenas param um mês em Agosto, três semanas em Dezembro, por causa da época dos Reis, e na Páscoa, chamada Semana Santa, que não é mais do que um fim-de-semana prolongado, ou seja, menos de dois meses por ano contra os nossos três meses e meio em Portugal.

Na Noruega, país com o qual também trabalhei, estes números reduzem-se para três a quatro semanas por ano. Não é por acaso que o índice de produtividade aumenta nos países nórdicos.

Queremos sair da crise, evoluir e não ter desemprego, então, quando existe a oportunidade de ter emprego não podemos entrar no ciclo de improdutividade quase total, não cumprindo com as tarefas de que somos responsáveis, só por que estamos em período baptizado como "de férias escolares nas empresas".

Outro factor que contribui para a diminuição da produtividade nas empresas, é a questão dos feriados. Se o feriado é na sexta-feira, a preparação do feriado começa na quinta-feira, o que significa quebra na produtividade. Mas, no pós-feriado, ainda não se trabalha a 100%, pois o fim-de-semana foi mais longo do que o habitual e é preciso tomar novamente embalagem. De facto, só no dia seguinte se começa a trabalhar a sério.

Estará esta atitude a ajudar as empresas em Portugal? Já pensou que podemos praticamente considerar que Portugal é feito de 84% de "start-ups", se olharmos apenas para a estrutura que a empresa apresenta, ou seja, um total de três empregados onde um é o gerente?

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