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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Banco de Portugal espera recessão em 2009 e 2010

O Produto Interno Bruto deverá contrair-se 3,5 por cento este ano e continuar em recessão durante 2010, anunciou hoje o Banco de Portugal (BdP). O banco central mantém a previsão de Abril passado, mas aponta para uma quebra de 0,6 por cento da actividade económica em 2010.

De acordo com o Boletim Económico de Verão, a economia portuguesa deverá continuar em contracção em 2010, com uma quebra de 0,6 por cento do PIB, uma previsão mais negativa do que a avançada em Janeiro pelo BdP, que previa um ligeiro crescimento de 0,3 por cento.
Segundo o BdP, o valor projectado para 2009 "só encontra paralelo na recessão de 1975", com esta contracção a traduzir essencialmente "os efeitos associados à deterioração do enquadramento económico e financeiro internacional", levando à diminuição do peso das exportações e a uma "redução e adiamento de despesas de consumo e investimento por parte dos agentes económicos nacionais".
A projecção do banco central aponta ainda para uma contracção significativa do consumo privado, que deverá levar a maiores poupanças pelos particulares, reflectindo o ajustamento das famílias à evolução do mercado de trabalho e de riqueza, "num contexto de elevado endividamento".
A persistência de fragilidades estruturais "como o nível de capital humano, ao funcionamento dos mercados do trabalho e à eficácia do sistema de justiça", poderão dificultar o ajustamento da economia e uma retoma que acompanhe a média da União Europeia, explica o banco central português.
O aumento das necessidades de financiamento externo de Portugal é justificado pela redução "muito significativa" das necessidades de financiamento do sector privado, devido à tendência do aumento da poupança e redução do investimento, e a um aumento muito significativo das necessidades de financiamento do sector público.
As necessidades do sector público derivam do funcionamento dos estabilizadores automáticos e das medidas de estímulo orçamental (planos anti-crise) para minorar impacto da crise.
No entanto, a projecção para 2010, onde a contracção do PIB prevista é de apenas 0,6 por cento, "comporta riscos" devido à incerteza quanto à recuperação da economia mundial no próximo ano e ao comportamento da economia interno, sublinha o banco central, que realça ainda o contexto de "elevado endividamento" de Portugal.
O relatório sublinha também que a recuperação da economia portuguesa após a recessão tem de "implicar o reinício do processo de consolidação orçamental através de uma estratégia clara que promova a criação de um quadro macroeconómico orientado para a estabilidade e crescimento".

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