São Paulo, Brasil, 02 Jul (Lusa) - Um relatório que o secretário-geral da ONU apresentará em Setembro, na abertura da assembleia-geral em Nova Iorque, prevê uma forte diminuição do ritmo da actividade económica africana este ano, na sequência da crise financeira mundial.
Em declarações à agência Lusa, o consultor da ONU e responsável pelo relatório, o português Rodrigo Tavares, afirmou que «o impacto da crise global em África será francamente superior ao esperado».
A economia africana vai crescer 2,8 por cento, o que significa uma forte diminuição da actividade económica relativamente a anos anteriores, devido à quebra, no mercado internacional dos preços das matérias-primas, responsáveis por 42 por cento das exportações africanas.
"A economia africana é muito dependente da exportação de matérias-primas e está a ser penalizada pela quebra dos preços internacionais", disse Tavares.
O desempenho da actividade económica representará uma forte diminuição do ritmo da economia africana, que registou taxas expressivas de crescimento, nos últimos anos, com destaque para 2008 (5,7 por cento) e 2007 (6,1 por cento).
O relatório sublinha ainda que a economia africana será afectada pela diminuição dos fluxos internacionais de capitais, nomeadamente com a quebra do investimento directo estrangeiro (IDE).
"Imensos investimentos em África estão a ser cancelados e o total de IDE em 2008 deverá ser apenas de 35 mil milhões de dólares, muito inferior aos 56 mil milhões do ano anterior, o valor mais alto de sempre", disse Tavares.
As remessas enviadas por africanos que vivem no estrangeiro também deverão registar "uma redução drástica", devido ao fraco desempenho da economia dos países desenvolvidos.
A ajuda enviada pelos países ricos este ano para o desenvolvimento de África também deverá ser inferior aos 38,7 mil milhões de dólares de 2007, último dado oficial disponível.
O relatório recomendará que a ajuda internacional seja de 72 mil milhões de dólares em 2010 e que os países emergentes, como Brasil, Índia e China, aumentem as suas contribuições.
Com a diminuição da actividade económica, três milhões de africanos vão perder os seus empregos, o que elevará para 28 milhões o total de desempregados em 2009.
"O secretário-geral avaliará todos os compromissos internacionais feitos com África e dirá quais promessas não foram cumpridas", salientou o consultor da ONU.
O relatório vai sublinhar ainda que o legado colonialista não foi positivo para o continente, mas que a responsabilidade pela mitigação dos actuais problemas é dos africanos.
"A ideia de que em África tudo pode acontecer não é verdade. Houve uma diminuição dos conflitos armados e a percentagem de crianças na escola aumentou para 71 por cento em 2007", afirmou.

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