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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Exportações devem sofrer quebra histórica

As exportações portuguesas deverão sofrer uma retracção "sem precedentes em termos históricos" este ano de 17,7%, caíndo ainda 0,9% no próximo ano, segundo as previsões do Banco de Portugal (BdP).
No Boletim Económico de Verão, a entidade liderada por Vítor Constâncio prevê também que uma quebra de 17,1% nas importações, este ano, e uma descida de 1,2%, em 2010.
A procura interna, segundo as previsões do BdP, deverá cair 4,5% em 2009 e 0,7% em 2010.
Segundo o banco central, a quebra das exportações "reflecte o colapso do comércio internacional" desde os últimos três meses de 2008 devido à crise financeira, que provocou uma forte redução da procura mundial, que levou posteriormente a uma "intensa e progressiva quebra da procura externa dirigida à economia portuguesa".
A incerteza associada à conjuntura, agudizada pelas restrições de crédito às exportações em todo o mundo, provocou uma redução do volume de investimento e de consumo, especialmente dos bens duradouros, o que se reflecte no comércio internacional.
O documento divulgado hoje aponta para uma "quebra expressiva das exportações de turismo em 2009 de quase 12%" e para uma contracção das exportações de mercadorias "muito superior à redução da procura externa dirigida às empresas portuguesas em 2009".
No relatório, é ainda explicado que a recuperação das exportações em 2010 deverá realizar-se de forma moderada ao longo do ano, pressupondo um dissipar gradual dos efeitos da crise no próximo ano.
O Banco de Portugal projecta também uma significativa quebra das importações, de 17,1%, quando em 2008 haviam aumentado 2,6%, devido à forte redução da procura global, em particular do consumo de bens duradouros, investimento empresarial e exportações de mercadorias.
A magnitude da actual recessão, considerando que a redução deste indicador é característico de fases recessivas dos ciclos económicos, deverá levar a uma quebra "particularmente acentuada" das importações em 2009.
Em 2010, espera-se uma redução marginal das importações, 1,2%, essencialmente nas mercadorias, justificada por uma "progressiva estabilização da procura global".

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