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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Mercado liberalizado de electricidade cresceu 10 vezes em seis meses

O consumo no mercado liberalizado de electricidade cresceu 10 vezes nos primeiros seis meses de 2009, valendo actualmente 26,8 por cento do total do consumo nacional, um pulo para o qual contribuiu sobretudo a entrada de pequenas e médias empresas no último mês do período, anuncia a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).

O mercado liberalizado, que se encontra agora perto dos valores máximos verificados na segunda metade de 2005, assistiu em Junho à entrada da Iberdrola para o lugar de segundo operador, detendo 16 por cento do mercado, ultrapassando a Endesa, com 15 por cento, em termos de consumo. A EDP continua a dominar (65 por cento), apesar de se manter em perda gradual da sua quota de mercado, que era de 93 por cento no início do ano, o que aponta para um mercado ainda com forte concentração.

Estes resultados indicam também uma alteração na estratégia de comercialização da Endesa, que perdeu o segundo lugar do mercado, apesar de ter conquistado o maior número de clientes (mais 61 por cento), seguida da Unión Fenosa (mais 31 por cento). A EDP, por seu lado, continua a serhegemónica, segundo a ERSE, “tanto em número como em consumo”.

A ERSE observa que o primeiro semestre do ano representou o período de maior crescimento desde o início da liberalização, apesar da crise económica e do seu impacto negativo no consumo global de energia eléctrica. O mercado liberalizado está a beneficiar da quebra dos preços dos combustíveis, cuja tendência recente é já de uma recuperação, levando os consumidores das tarifas reguladas para o mercado livre. O acréscimo do consumo total (liberalizado mais regulado) de Maio para Junho foi de 0,5 por cento, mas equivale a menos 1,9 por cento se comparado com Junho de 2008.

Em Junho, 7450 novos clientes entraram no mercado liberalizado, dos quais 5181 vindos do regulado e 2269 constituindo entradas directas. Também houve 828 clientes que saíram do mercado liberalizado e passaram a ter tarifa regulada. A diferença de consumos envolvidos nestas mudanças é largamente favorável às entradas (10 MWh/ano para 241MWh/ano) e consolida uma nova tendência deste mercado: à reanimação inicial do mercado liberalizado feita à custa dos clientes domésticos sucedeu uma grande captação de clientes industriais, sobretudo de pequena e grande dimensão.

A ERSE sublinha especialmente a tendência de regresso dos clientes de média e alta tensão (pequenas e médias empresas), “depois de mais de três anos sem o registo de qualquer nova entrada”. No total, os clientes em média e alta tensão representam cerca de 80 por cento do novo consumo do mercado liberalizado, enquanto são os clientes domésticos quem mais sai também deste mercado.

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