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segunda-feira, 6 de julho de 2009

O renascer da esperança

A derrota eleitoral do Partido Socialista nas últimas eleições europeias, em que praticamente não se falou da Europa, tem uma leitura clara: o País discorda, maioritariamente, das grandes opções, decisões e processos de gestão do actual Governo em relação a um conjunto alargado de áreas da governação.

Esta constatação faz renascer a esperança da mudança.

Mudança de políticas, de actores e de processos.

Na área económica e empresarial estas expectativas de mudança são profundamente animadoras para a ultrapassagem da actual crise em que o País se encontra.

O País espera um conjunto alargado de acções, no domínio da sustentabilidade e da eficiência dos vários sistemas, nomeadamente:
• Uma avaliação criteriosa dos investimentos públicos, com uma análise custos/benefícios detalhada, contas de exploração rigorosas e uma calendarização compatível com os limites de endividamento público do país.
• O regresso expresso e focado às acções de captação de investimento estrangeiro, criando condições de competitividade - fiscal, laboral, social e tecnológica - para esse movimento.
• O aumento de eficiência das empresas e institutos públicos através da adopção de normas e princípios de gestão sadios e da substituição de todos os gestores com cursos risíveis de universidades ou institutos universitários manhosos que só ocupam aqueles cargos, para os quais não têm competência, por "razões que a razão desconhece".
• O aumento da exigência no ensino público, em especial no ensino universitário, promovendo uma racionalização de cursos e a adopção de "standards" de qualidade elevados em todas as instituições, encerrando as que não os atingirem.
• O apoio claro às acções de reestruturação empresarial sectorial, fomentando as fusões e concentrações de PMEs de modo a criar unidades com recursos humanos, financeiros e tecnológicos que lhes permitam competir nos mercados globais.
• A utilização universal do princípio do "utilizador/pagador" identificando claramente os apoios sociais, territoriais ou outros de que beneficiam as excepções - individuais ou colectivas, a este principio.
• O aumento da eficiência do sistema produtivo nacional, com mais incorporação de inteligência e conhecimento, tornando-o competitivo nos mercados internacionais, incrementando, assim, de forma segura o nosso fluxo exportador.
• A construção de redes europeias de "Knowledge Valleys" onde as melhores empresas portuguesas se localizam, passando a integrar sistemas globais de permuta de conhecimento e experiência empresarial.

Mas para além destes princípios de actuação para a melhoria da eficiência e competitividade do País, única forma de criar riqueza que possa, posteriormente, ser distribuída, renasce também a esperança de um novo paradigma político, económico e social. Com uma postura mais serena e contida dos dirigentes públicos em especial dos órgãos de soberania. Com menos propaganda, menos anúncios, menos marketing e mais realizações e trabalho verdadeiro e sereno. Com menos crispação e conflito e com maior profundidade das análises, reflexões e estudos que suportem as decisões.

Os próximos meses serão decisivos para a consolidação desta esperança. Os anúncios dos programas eleitorais, as prioridades de desenvolvimento, o rigor dos projectos apresentados e a qualidade das equipas que os vão liderar vão-nos esclarecer sobre o que podemos esperar para os próximos quatro anos.

A mudança é fundamental, obrigatória, desejada.

Esperemos, sinceramente, que os novos caminhos nos coloquem de novo na trajectória do crescimento europeu, voltando o nosso país a ser um exemplo para os seus pares.

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