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sábado, 4 de julho de 2009

Ronald Findlay: só em 2012 haverá uma retoma real da economia

Numa altura em que muitos economistas antecipam que a economia mundial possa entrar em recuperação já no próximo ano, o professor de economia da Universidade de Columbia nos Estados Unidos, Ronald Findlay, antecipa que “a economia continue em declínio” durante mais tempo e que antes de 2012 não haverá uma retoma real.

“É demasiado optimista pensar que a retoma será no final deste ano ou no próximo”, afirmou hoje Ronald Findlay, um dos oradores convidados para o IV Congresso da SEDES, que se realiza em Lisboa.

Para o professor da Universidade de Columbia, “só a partir de 2011 ou 2012 poderemos pensar numa retoma real”, embora adiante que em meados do próximo ano começarão a notar-se já os primeiros sinais de recuperação.

Instituições demasiado grandes para falir não vão desaparecer
Questionado sobre se continuará a haver instituições consideradas demasiado grandes para falir (ou, no inglês, “too big to fail”), como a seguradora norte-americana AIG, Ronald Findlay defendeu que o mais provável é que essas instituições não desapareçam.

“Antes da crise, essas instituições eram consideradas tão eficientes que não se podia evitar que crescessem mais e mais. Com a crise, percebeu-se que não eram assim tão eficientes mas, aí, eram já demasiado grandes para falir”, explicou.

“Isto não devia acontecer”, defende o professor norte-americano, “mas não vejo nenhuma tendência que possa vir a impedi-lo pelo que, quando vier a próxima crise, continuará a haver instituições demasiado grandes para falirem”.

A Europa não é irrelevante e África não é um continente perdido
Durante a sua palestra, Ronald Findlay falou sobre o jogo de forças a nível mundial, dizendo que a crise está a desafiar a liderança dos EUA sobre a economia mundial e que esta será cada vez mais disputada por países emergentes como a China, Índia, Brasil e Rússia.

Questionado pelo economista João Salgueiro, também orador no congresso, sobre se Europa é irrelevante num futuro próximo, Ronald Findlay defendeu que o continente europeu continua a ter um papel importante na cena mundial.

“A Europa é um grande poder económico e tecnológico e tem instituições democráticas melhores que os EUA ao nível sobretudo do modelo social”, destacou o professor.

Por esse motivo, Ronald Findlay considera que o continente europeu “tem o papel de ensinar ao resto do mundo sobre economia e ciência mas sobretudo sobre valores e o modo civilizado de viver, nomeadamente sobre a criação de justiça social e de instituições que protejam os cidadãos”.

O académico norte-americano acredita que a União Europeia (UE) se deve afirma cada vez mais como a “voz da moderação política e da democracia”.

Paralelamente, Ronald Findlay rejeita a ideia de que a África seja um “continente perdido” e alerta que se o continente for deixado de fora do processo de globalização, as repercussões no resto do mundo não serão boas.

O professor defende ainda que, “antes de conhecer o desenvolvimento económico, África precisa de instituições políticas estáveis e que a África do Sul pode aqui dar um contributo e ser o motor de crescimento para o continente.

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