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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Almada: Comerciantes em protesto entregam chaves à Câmara das lojas por causa da crise

Almada, 26 Jun (Lusa) -- Os comerciantes de Almada entregaram hoje, simbolicamente, as chaves dos estabelecimentos aos representantes da autarquia como forma de protesto pela perda de clientes que dizem ter origem no aparecimento do Metro Sul do Tejo (MST).

O acto de revolta dos comerciantes aconteceu durante uma reunião convocada pela Associação de comerciantes de Almada que contou com a presença de mais de uma centena de empresários, onde estiveram também presentes José Gonçalves, vice-presidente da câmara municipal e António Matos, vereador da Acção Sociocultural.

Os comerciantes "exigem" à Câmara Municipal de Almada (CMA) a "abertura total do eixo-canal ao trânsito automóvel", alegando que neste momento está é a "única medida" que ajudará os empresários a "manter os estabelecimentos e os postos de trabalho".

No decorrer do encontro, os vereadores presentes foram alvo de várias críticas e alguns comerciantes afirmaram veemente que a CMA é uma "farsa".

"Desde que o MST veio para o centro de Almada que o comércio morreu, as pessoas não vêm à cidade de carro porque a Ecalma (empresa municipal de estacionamento) está sistematicamente a bloquear os carros e quem tem poder de compra não vem de transportes", lamentou António Correia, comerciante.

Em declarações à Lusa, o vice-presidente da Câmara de Almada, José Gonçalves, disse compreender que os comerciantes estejam "desesperados" e que queiram "encontrar razões locais para a solução da crise que é mundial" e acrescentou ser "evidente que só o poder local dá a cara perante as populações".

"Portanto eu não levo a mal as questões que são ditas quando são sentidas, quando são reais e obviamente que faço a destrinça entres os que têm razões políticas e que se aproveitam dum momento de dificuldade para outras leituras, daqueles que na realidade têm problemas e nós reconhecemos que o comércio local de Almada esta a viver situações difíceis, assim como, outras cidades da área metropolitana de Lisboa", esclarece o autarca.

Ao fim de quatro horas de debate, os comerciantes questionaram os vereadores: "Os senhores estão a falar há imenso tempo, mas a única coisa que nós queremos saber é se vão abrir o eixo canal do metro à circulação automóvel ou não?", disse Ana Ribas, comerciante do eixo canal.

Em resposta às críticas, José Gonçalves apresentou várias propostas de melhoramento da circulação automóvel no centro da cidade, mas esclareceu que a autarquia "não propõe o fim da zona pedonal, mas sim a sua manutenção".

Os comerciantes repudiaram a postura da autarquia, acusando-a de não "ter noção das dificuldades dos empresários" e alertaram os vereadores para a "proliferação do comércio" de lojas de comércio barato.

Contudo, para o vereador há apenas uma "ilusão" de menos pessoas na cidade, porque o "metro já transporta mais 600 mil utentes por mês e muitas destas pessoas antes traziam carro" para o centro de Almada.

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