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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Diamantes: Quebra na procura reduz preço e provoca paragens de produção

Os diamantes são mais uma vítima da crise económica internacional com os preços a cair para o valor mais baixo dos últimos cinco anos, o que já levou várias empresas diamantíferas a suspenderem a produção até haver sinais de retoma da procura.

De acordo com dados avançados na conferência de Windhoek, na Namíbia, o comércio de diamantes passou de 37 mil milhões de dólares (26 mil milhões de euros), em 2007, para 30 mil milhões (21 mil milhões de euros) em 2008 e a produção caiu de 168 para 161,8 milhões de quilates.

A quebra nas vendas de diamantes acentuou-se no primeiro trimestre de 2009, ao ritmo das notícias sobre o agravamento da crise económica internacional, com o preço dos diamantes a atingir o valor mais baixo dos últimos cinco anos.

A crise dos EUA foi a principal culpada pela quebra na procura uma vez que o mercado americano representa cerca de metade das vendas de diamantes, mas a retracção no consumo afectou todos os mercados.

Como resposta à quebra na procura e para travar a queda dos preços, as empresas diamantíferas optaram por desacelerar ou suspender a exploração em várias minas.

A De Beers, o maior produtor e distribuidor mundial de diamantes, reduziu a produção em 91 por cento no primeiro trimestre de 2009, tendo caído dos 11,8 para os 1,08 milhões de quilates, segundo relatório divulgado pela Polished Prices.

Com este travão na produção, a empresa russa de diamantes Alrosa conseguiu superar a produção da De Beers, adoptando a estratégia de armazenar os diamantes, à velocidade de três milhões de quilates por mês, em vez de suspender a produção.

"Se não se mantiver o preço, o diamante torna-se um mero pedaço de carvão", defendeu Andrei Polyakov, porta-voz da Alrosa.

A Rússia costuma rejeitar políticas para manter os preços altos, como acontece com o comércio de petróleo, mas no caso dos diamantes a empresa estatal tem recorrido ao armazenamento e a contratos a longo prazo com investidores para não inundar o mercado de diamantes que destabilizariam ainda mais os preços.

A Rio Tinto reduziu o seu orçamento dedicado à exploração para menos de metade, tendo adiado os projectos de exploração mais caros, e a BHP Billinton abandonou alguns projectos de exploração.

Para fazer frente à crise, as empresas diamantíferas têm investido em acções de propaganda, realçando a eternidade dos diamantes para que sejam encarados como um bom investimento, como acontece com o ouro.

Para compensar as perdas e evitar o abandono das minas, o governo angolano está a comprar diamantes a "preço justo" às empresas diamantíferas.

Em Maio, o ritmo de quebra no valor dos diamantes abrandou, depois de sucessivas quebras desde Agosto de 2008, mas os especialistas do sector não acreditam numa retoma no mercado dos diamantes antes de 2010.

Curiosamente, o diamante mais caro de sempre foi leiloado em Dezembro de 2008, em plena época de crise. O diamante azul com 35,56 quilates foi vendido pela Christie's em Londres por 18,7 milhões de euros.

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