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terça-feira, 30 de junho de 2009

TAP: Trabalhadores da empresa e da Groundforce exigem melhor política de gestão

As comissões de trabalhadores da TAP e dos Serviços Portugueses de Handling (SPdH) (Groundforce) reuniram-se hoje para exigir da administração da transportadora aérea nacional uma reorientação na política de gestão que garanta a sobrevivência das duas empresas.

No final de uma reunião que decorreu nas instalações da TAP, em Lisboa, Vítor Baeta, da Comissão de Trabalhadores (CT) da TAP, deu como exemplos a compra da empresa de manutenção aeronáutica brasileira VEM e a aquisição da transportadora aérea PGA como negócios representativos de "opções de gestão erradas" por parte da administração da TAP e que contribuíram largamente para os 209 milhões de euros de prejuízos registados em 2008.

"Quando falamos nas opções de gestão erradas estamos a referir-nos às operações que não têm tido retorno. Quando se investe, espera-se retorno financeiro e neste momento o que nos pesa mais é o retorno negativo feito na empresa de manutenção do Brasil", afirmou Vítor Baeta.

Não apresentando soluções concretas para o problema orçamental da empresa que, sublinhou o representante da CT da TAP, coloca em causa a sua sobrevivência, Vítor Baeta defendeu, no entanto, que a resposta de maior viabilidade para a resolução do problema seria um investimento do Estado no aumento dos capitais sociais da transportadora aérea, e nunca a privatização.

"O que a TAP representa no PIB, em termos de receitas, em termos de turismo é mais que suficiente para que não seja privatizada. Se for não temos dúvidas que desapareceria a curto prazo ou então transformar-se-ia numa empresa de ligações, numa pequena empresa doméstica ao serviço de outras grandes empresas para levar trânsito onde fosse necessário", defendeu.

O responsável acusou ainda o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, que tutela a TAP, de "falta de estratégia", pondo também em causa o trabalho desenvolvido pelo Conselho de Gestão e Supervisão (CGS) nomeado pelo Executivo para a TAP.

"Do governo exigimos mais responsabilidade, mais atenção e um controlo muito mais apertado da gestão da TAP, uma vez que é essa a sua função. Ultimamente, notamos um desaparecimento, um mutismo muito grande do governo em relação à TAP. Gostávamos que o Conselho de Gestão e Supervisão funcionasse melhor", afirmou o mesmo responsável.

Também a SPdH, que agrega os trabalhadores de 'groundforce' da TAP, critica a gestão da empresa que, de acordo com o representante da CT, Fernando Henriques, tem sido feita com base num "jogo de interesses".

A TAP enquanto accionista tem um controlo a 100 por cento da SPdH e é a principal beneficiada da política de redução de preços que tem vindo a acontecer nos últimos anos. É o principal accionista e o principal cliente, com um peso de 65 por cento na nossa facturação", explicou Fernando Henriques.

Para o mesmo membro da CT, a solução para a SPdH passaria por uma política de preços que reflectisse os reais custos de mercado, o que, assegura, actualmente não se verifica.

Fernando Henriques, que lembrou que a empresa que representa fechou 2008 com prejuízos superiores a 38 milhões de euros, quando em 2006 era uma empresa que dava lucros, teme que no horizonte da SPdH esteja a insolvência.

"A ameaça de insolvência tem sido reiterada na comunicação social e é sempre dito pondo a decisão nas mãos do governo. O governo não vai tomar nenhuma decisão até às eleições de Outubro. Acreditamos que o não tomar essa decisão até Outubro tem a ver com a impopularidade da medida e com os conflitos sociais que daí advinham. O futuro poderá passar por aí", defendeu Fernando Henriques.

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