Os mercados emergentes têm registado uma valorização muito forte este ano e as previsões apontam para que assim continuem em 2010. Os analistas das grandes casas de investimento estão a recomendar o aumento da exposição nas economias em desenvolvimento, que se dividem em três grandes grupos: Ásia (excluindo o Japão), América Latina e Europa de Leste. No entanto, há uma grande diversidade nestas três regiões. Nem todas são igualmente apetecíveis e, dentro de cada uma, há países mais e menos atractivos para o investimento.
Ainda que a diversificação seja uma regra de ouro dos mercados, se quiser potenciar os ganhos, pode investir de
forma mais selectiva. Por onde começar, então? Das mais recentes análises, a Ásia e a América Latina estão entre as preferidas. A Europa de Leste, que enfrenta problemas de acesso a financiamento, sobretudo os Estados bálticos, e é a região preterida. Apenas a Rússia parece recolher unanimidade entre os investidores.
“Caso se confirme a recuperação económica, conforme têm mostrado os indicadores avançados, esta será sustentada em grande parte pelos países emergentes. O potencial de crescimento é significativo e têm demonstrado uma maior actividade económica, mesmo com o resto do mundo em recessão”, explica Fátima Só, do departamento de investimento em acções da Espírito Santo Activos Financeiros (ESAF).
“Tivemos igualmente uma subida ao nível do preço das matérias-primas, situação que beneficia principalmente as economias emergentes, por serem os países produtores”, acrescenta.
E a que países é que o fundo ES Mercados Emergentes dá preferência? “China, pelo crescimento estimado a nível interno e por beneficiar de todo o crescimento da região asiática, e Rússia, devido à influência dos elevados preços das matérias-primas (petróleo e gás natural) na economia”, afirma Fátima Só. “Na América Latina, mantém-se a preferência pelo Brasil, igualmente por beneficiar dos preços das matérias-primas, visto ser um país exportador de petróleo e minério de ferro. Na Europa de Leste, excluindo a Rússia, o fundo quase não tem exposição por ser ainda uma região com alguns problemas de financiamento”, acrescenta.
O UBS prevê que os lucros das empresas caiam 14% em 2009 nas três grandes regiões emergentes, devido a uma redução das vendas e das margens de lucro, mas estima que a Ásia (-6%) se comporte melhor do que a América Latina (-17%) e a Europa, Médio Oriente e África (-21%). Apesar de 2009 ainda não ser “aquele ano”, o banco considera que o pior parece já ter passado. E para 2010 prevê uma recuperação sólida dos lucros, com um crescimento de 25% em termos agregados.
Na Ásia, não parecem restar dúvidas quanto às potencialidades da China. Todos querem lá estar, devido ao forte crescimento que tem evidenciado. Mas há quem coloque algumas reservas, já que há áreas que estão a ficar fortemente sobrevalorizadas. “Penso que a China está a colocar-se numa posição perigosa, que tornará o seu ajustamento muito mais difícil, tal como aconteceu com o Japão após o ‘crash’ bolsista de 1987 nos Estados Unidos”, comentou ao Negócios Michael Pettis, professor de Finanças na Universidade de Pequim.
Para Urban Larson, gestor de acções de mercados emergentes na F&C Management, os mercados mais atractivos de momento são a Indonésia, Rússia e Coreia do Sul. Ginger Snyfer, vice-presidente executiva da Raymond Jones, não foge à onda optimista para os emergentes. Em entrevista à “Forbes”, disse estar a comprar mais acções de mercados emergentes, especialmente nas regiões da Ásia-Pacífico e América Latina, através da exposição à China, Malásia, Chile, Brasil e África do Sul.
O índice MSCI Mercados Emergentes poderá subir 32% até Junho de 2010, para 985 pontos, prognostica o Morgan Stanley, citado pela Bloomberg. Apesar de poder registar uma correcção em baixa nos próximos três meses, aquele banco de investimento está “bullish” quanto ao médio prazo. O referido índice atingiu um máximo histórico de 1.338,49 pontos em Outubro de 2007. Um ano depois já tinha caído 66%, com a crise financeira. Mas desde início de Março que se está a registar um “rally” e o índice já subiu 56% desde então. O que significa que terá de valorizar mais 80% face aos actuais 743,32 pontos para regressar aos valores históricos.
Ásia: motor muito quente mas com risco
Os fundos de acções chinesas atraíram a grande fatia do investimento direccionado para os mercados emergentes este ano, arrecadando 3,6 mil milhões de dólares, segundo dados da EPFR Global, consultora que acompanha o movimento dos fundos a nível mundial. Os investidores foram atraídos pelo pacote de estímulo de 586 mil milhões de dólares do governo chinês. Há analistas e gestores muito optimistas para este país e também muito pessimistas, pois receia-se que haja já acções sobreaquecidas. Um segundo país nesta região que recolhe alguma unanimidade é a Indonésia, sendo um dos preferidos da F&C Management. Índia, Coreia do Sul e Malásia estão entre outros mercados “apetecíveis”.
América Latina: samba lidera o ritmo
O Brasil é o “menino de ouro” para quem está a apostar na América Latina. A riqueza em matérias-primas, nomeadamente petróleo, café ou etanol a partir de cana-de-açúcar, confere-lhe uma posição de destaque. O FMI, aliás, prevê que no próximo ano o Brasil esteja já com um crescimento económico positivo. O Chile, visto como um modelo de estabilidade e crescimento económico na América do Sul, é também um dos mercados a não perder, na opinião da Raymond Jones e da PricewaterhouseCoopers.
Europa de Leste: o primo afastado
Na Europa do Leste, o banco suíço UBS dá preferência à República Checa, não se mostrando – ao contrário de muitas outras casas de investimento – muito inclinado para a Rússia, já que considera que as valorizações das acções neste país parecem apenas “razoáveis”, de par com “fundamentais satisfatórios”. Mas, para a ESAF e a F&C Management, a Rússia é, decididamente, uma boa aposta. A consultora PricewaterhouseCoopers também vê na Eslováquia um bom mercado.

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