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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Queda recorde dos preços coloca Japão em nova rota de deflação

Pelo terceiro mês consecutivo, os preços no consumidor no Japão caíram, em Maio passado, a um nível recorde desde 1971 e ultrapassou os níveis de queda dos preços verificados em 1997 e 2006 quando a economia japonesa conheceu um período longo de deflação, após o rebentamento da bolha especulativa imobiliária de 1990.

Estes valores acarretam de novo o espectro da deflação e prejudicam as expectativas de uma retoma numa das maiores economias mundiais, alerta a Bloomberg.

Excluindo os produtos frescos, os preços caíram 1,1 por cento face aos valores do mesmo período no ano passado e 0,1 por cento quando comparados com os últimos dois meses, anunciou hoje o organismo estatístico nipónico.

Este recuo sem precedentes é explicado por um desajuste entre a oferta e a procura. A produção das empresas japonesas é excedentária em relação às necessidades ou intenções de consumo dos habitantes, que deixam de consumir como receio do futuro. A falta de consumo, trás consigo um desinvestimento por parte das empresas e, consequentemente, a uma contracção do rendimento dos assalariados que podem deixar de ser capazes de pagar os seus compromissos financeiros e imobiliários.

A queda dos preços no Japão fixou a dever-se a uma pela queda dos combustíveis, dos preços do lazer e dos produtos electrónicos.

Em média, segundo a AFP, um computador está 48,6 por cento mais barato do que em Maio de 2008. Uma viagem ao estrangeiro custa menos 15 por cento e um depósito automóvel cheio de gasolina está 26,4 por cento mais em conta para os consumidores.

“Dirigimo-nos para um território de profunda deflação. O pior está para vir”, alerta o economista do banco Societé Général, David Yen. A sua previsão é de uma aceleração espectacular da deflação no segundo semestre deste ano.

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