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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Milhões de euros sem origem conhecida justificam buscas a Valentim Loureiro

Conhecer a origem de vários milhões de euros detectados em paraísos fiscais é o objectivo da investigação do Departamento de Investigação e Acção Penal do Porto, que ontem teve perto de duas dezenas de inspectores da PJ a fazer buscas na Câmara de Gondomar.

Fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção são os crimes em investigação.

Os agentes estiveram no gabinete do presidente da autarquia, Valentim Loureiro, como o próprio confirmou, na sala do vice-presidente, José Luís Oliveira, e na da vereadora dos recursos humanos, Germana Rocha. Quem também foi alvo de buscas da PJ foi o advogado Ramos Neves, actual presidente da Assembleia Municipal de Gondomar, que foi o único a ser constituído arguido.

Os polícias estiveram igualmente em casa de dois filhos de Valentim Loureiro (Nuno e Jorge Loureiro), tendo visitado também algumas das empresas da família. "Ninguém vai vencer o Valentim Loureiro nem os milhares de gondomarenses que o têm acompanhado", afirmou ontem o autarca numa conferência de imprensa na câmara.

Muitos dos visados pelas buscas estão acusados num outro processo conhecido como Quinta do Ambrósio, que já valeu a Valentim e a José Luís Oliveira acusações de burla qualificada. Neste momento o caso está em fase de instrução, faltando ao juiz decidir se há indícios suficientes para levar os arguidos a julgamento.

Em causa está um prédio que viu o seu valor quadruplicar de 1,075 milhões de euros para quatro milhões de euros, em menos de um ano depois, após ver alterada a sua capacidade construtiva.

Segundo a acusação, em 6 de Junho de 2000, o terreno só dava para lá "pastarem carneirinhos e apenas valia 1,5 milhões de euros". Estava integrado na linha do aeroporto de Pedras Rubras e incluído na reserva agrícola nacional. Em 6 de Dezembro de 2001, a quinta seria comprada pela Sociedade de Transportes Colectivos do Porto por quatro milhões de euros. O dinheiro foi depositado nas ilhas Caimão e foi detectado pouco depois de José Luís Oliveira ter sido detido em Abril de 2004, na sequência da operação Apito Dourado. Vendo a polícia entrar em casa, o vice-presidente da autarquia apressou-se a rasgar uma série de papéis que tinha consigo e a deitá-los pela sanita a baixo. A PJ apercebe-se e conseguiu recuperar alguns. Eram extractos de contas no BPN Caimão, em nome de um amigo seu e do sobrinho do major. Fio a fio desvendou-se a Quinta do Ambrósio. Outras pontas ficaram por desfiar. Por isso, o procurador Carlos Teixeira, que investigou o Apito Dourado e depois a Quinta do Ambrósio, extraiu uma certidão para apurar outros casos de fraude fiscal e branqueamento. Junta-se agora tudo numa mesma investigação.

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