Lisboa, 18 Jun (Lusa) - A Associação Democrática dos Utentes da Ponte 25 de Abril considerou hoje que o "buzinão" e a revolta popular de há 15 anos conteve o aumento galopante dos preços da portagem daquela travessia e estabilizou-o até agora.
Quinze anos depois do movimento de protesto, que abalou a opinião pública e o Governo de Cavaco Silva da altura e os então ministros das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Joaquim Ferreira do Amaral, e da Administração Interna, Manuel Dias Loureiro, sete elementos da direcção da Associação juntaram-se hoje a jantar em Lisboa. para assinalar a data.
Em 1994, um movimento de cidadãos, alegadamente formado de forma espontânea, juntou-se na Ponte 25 de Abril, num "buzinão" de bloqueio, que acabou por ficar marcado como uma onda de protesto contra o Governo de então, por uma carga policial contra os manifestantes e um tiro disparado contra um jovem, que acabou tetraplégico.
Para assinalar a data, Aristides Teixeira, presidente da Associação Democrática dos Utentes da Ponte 25 de Abril, fez à agência Lusa um "balanço positivo" e manifestou a convicção de que, devido ao protesto e face às outras travessias, os preços actuais da portagem da Ponte 25 de Abril "estão mais próximos daquilo que eram as reivindicações" de aumentos na altura.
De qualquer forma, Aristides Teixeira continua a defender que a travessia da Ponte 25 de Abril deveria ser gratuita e que é "altamente penalizante para quem vive na Margem Sul do Tejo".
A reunião de hoje serviu também para assinalar alguma mágoa e crítica a um dos rostos contra a revolta na altura, o ministro Manuel Dias Loureiro, que a Associação recorda como o homem "que mandou espancar os manifestantes".
Sobre o trabalho actual da Associação dos Utentes, que contabiliza 132 associados e que já esteve ligada entretanto a outros protestos - nomeadamente contra o actual ministro das Obras Públicas, Mário Lino, que chamou "deserto" à Margem Sul ou contra os aumentos de combustível - Aristides Teixeira diz que "está vigilante".
"Estamos atentos à gula dos governantes em relação à portagem [na Ponte 25 de Abril] e às questões ligadas à mobilidade e à qualidade de vida das populações. A ponte é uma forma de retirar a qualidade de vida a quem mora na Margem Sul", observou.
"Quem buzina sempre alcança", conclui, em jeito de balanço.

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