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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Fitch corta "rating" de Portugal para "AA-" com perspectivas "negativas"

A Fitch reduziu o “rating” de dívida Portuguesa a longo prazo para “AA-”, com um “outlook” “negativo”. A agência de notação financeira justifica a medida, que era já esperada pelos mercados, com a situação das contas públicas portuguesas.

A Fitch decidiu reduzir o “rating” da dívida a longo prazo de “AA” para “AA-”, para “reflectir o significativo desempenho abaixo dos pares em 2009”, revela uma nota de análise emitida, onde a agência de notação financeira salienta que, em Setembro, estimava que o défice orçamental português se situasse em 6,3%, quando os números apresentados por Portugal revelaram um défice de 9,3%.

Esta foi a primeira vez desde 1998 que a Fitch cortou o “rating” de Portugal. A classificação da dívida portuguesa estava já dois níveis acima da atribuída pela S&P, pelo que no mercado este corte era já de alguma forma antecipado. No início de 2009 a S&P cortou o “rating” de Portugal para A+, sendo que a classificação atribuída pela Moody’s é de Aa2.

O corte da dívida portuguesa era “expectável”, porque “a classificação da Fitch estava um nível acima” da das suas pares. “Embora não sejam comparáveis, quando postas lado a lado”, verifica-se que a avaliação da Fitch estava mais alta do que avaliação da Moody’s e da Standard & Poor’s, explicou um analista de bolsa contactado pelo Negócios.

Desafios

No PEC o Governo português estima reduzir o défice do máximo histórico de 9,3% do PIB em 2009 para 8,3%. O objectivo passa por atingir 2,8% do PIB em 2013.

“Isto aumenta significativamente a dimensão do desafio orçamental para estabilizar e reduzir a dívida no médio prazo”, com o Governo nacional a ser obrigado a “implementar medidas de consolidação de tamanho considerável a partir do próximo ano”, realça a nota de análise.

Já o “outlook” negativo reflecte “a preocupação sobre o potencial impacto da crise económica mundial na economia de Portugal e nas finanças públicas no médio prazo, dada a fraqueza estrutural do país e o elevado nível de endividamento” que se verifica um pouco por todos os sectores de actividade nacionais.

A agência de notação de financeira salienta que “o PIB per capita e a previsão de crescimento de Portugal estão significativamente abaixo da média (dos países com um rating) ‘AA’”.

Apesar de cortar o “rating” de Portugal, a Fitch diz que o PEC português é “amplamente credível” e que a probabilidade de Portugal enfrentar uma crise de liquidez é baixa.

Quanto ao cenário político em Portugal, a Fitch acredita que não vai ocorrer instabilidade política que ameace a concretização das medidas definidas pelo Governo e adianta ainda que o “relativamente forte sistema bancário português” é um facto de suporte ao “rating”.

Quanto à economia, a Fitch nota que o crescimento observado na última década foi baixo e que o potencial de crescimento é ainda “incerto”.

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